13/11/2017 às 16h38min - Atualizada em 13/11/2017 às 16h38min

Minas registra crescimento de 19,3% na captação de órgãos

Resultado reflete mudanças na logística adotada pela MG Transplantes

AGÊNCIA MINAS | BELO HORIZONTE
Logística estabelecida pelo MG Transportes utiliza frota área sob comando da PM para captação de órgãos em Minas / Foto: Omar Freire/Agência Minas

 

Segundo estado mais populoso do Brasil, e com extensão maior do que França, Japão e Suécia, Minas Gerais tem conseguido implantar a melhor infraestrutura para o transporte e doação de órgãos do Brasil. O sistema utiliza aeronaves e veículos para que haja aproveitamento de todas as doações em território mineiro. Como consequência, no primeiro semestre deste ano, o estado registrou aumento de 19,3% na captação de órgãos em relação ao mesmo período de 2016.

Boa parte dos resultados deve-se à logística implementada pelo MG Transplantes, que utiliza a frota aérea que está sob a responsabilidade do Comando de Aviação do Estado (Comave) da Polícia Militar (PM).

Ao todo, são 15 aeronaves sob a responsabilidade do Comave, sendo dez helicópteros e cinco aviões para as atividades de multimissão, entre elas o transporte de órgãos. “Sempre tivemos aeronave para nos atender. Entretanto, com o Comave ficou muito mais rápido, pois no primeiro contato já sabemos qual avião ou helicóptero estará disponível para deslocar imediatamente com nossa equipe”, afirma Sara Barroso, coordenadora estadual de logística do MG Transplantes.

No ano passado, o transporte aéreo disponibilizado pelo governo foi usado 52 vezes. Em 2017, até o início de outubro, foram 61 vezes, um aumento de 19,3%. Na doação de órgãos, houve, no primeiro semestre deste ano, 117 famílias autorizando a captação, enquanto no primeiro semestre do ano passado foram 98 doações (19,3%). Com isso, foi possível realizar 1.071 transplantes frente aos 939 no mesmo período de 2016, o que representa 14% de aumento.

As demandas são variadas e de todas as regiões, com realidades muito diferentes, sendo que algumas dependem de avião, helicóptero e carro. Existem lugares que não contam com aeroportos e a chegada tem de ser por uma cidade vizinha, enquanto há municípios que não podem receber voos noturnos. Eventualmente, a estrutura mineira vai a outros estados.

As aeronaves do governo mineiro não têm horário pré-estabelecido para serem utilizadas pelo MG Transplantes e estão à disposição sete dias da semana, 24 horas por dia.

“A demanda de coração é a mais diferenciada de todas e exige maior rapidez. A equipe precisa chegar aos hospitais das Clínicas e Felício Rocho de helicóptero, em duas horas após a captação do órgão em qualquer lugar do estado, enquanto o paciente já se encontra na mesa de cirurgia para receber o órgão”, revela Barroso.

Quando existe a oferta de órgãos em Minas Gerais, a comunicação chega ao Sistema Nacional de Transplantes (SNT), por meio do médico de plantão, que insere todas as informações do doador. Nesse momento, é possível saber quais os pacientes que podem receber aquele órgão.
O paciente do estado na fila nacional tem preferência e a equipe onde ele se encontra é responsável pela captação do órgão no lugar em que está sendo disponibilizado. Um exemplo: se o paciente contemplado com o fígado é da Santa Casa de Belo Horizonte, é a equipe deste hospital que fará a captação.

Caso um órgão doado não seja adequado a um paciente de Minas, ele é ofertado na fila nacional. Nesse caso, para atender a outro estado, vem uma equipe no avião da Força Aérea Brasileira, porém, o MG Transplantes acompanha o procedimento.  “Não utilizamos os aviões da FAB porque dispomos de uma frota eficiente, mas se precisarmos, temos certeza de que nos atenderá da melhor maneira”, observa Barroso.
 

FILA DE ESPERA

Em todo estado, 3.428 pessoas estão na fila de espera para receber um órgão, sendo que a maioria (2.300) aguarda um rim; 977 esperam voltar a enxergar com uma córnea doada; 47 precisam de transplante de fígado; 51 pessoas estão à espera de um transplante combinado de rim e pâncreas, enquanto 29 sonham com um novo coração.

A maioria das pessoas pode ser doadora de todos os órgãos e tecidos. Para isso, basta que manifeste em vida a sua vontade junto aos familiares que precisam autorizar a doação, depois de realizado o diagnóstico de morte encefálica. A remoção dos órgãos não tem um período pré-determinado, mas deve ser feita o mais rápido possível.

Em relação à doação de órgãos em vida, o diretor do MG Transplantes ressalta que ela é possível quando se tem saúde perfeita e quando o doador é parente até o quarto grau do futuro receptor. “Os órgãos que podem ser doados são: rim, fígado e pulmão. Para esses casos, o doador deve procurar o serviço transplantador onde está inscrito o seu parente para realização do procedimento”, orienta Omar. 

A doação de órgãos no Brasil apresentou crescimento em 2017 e passou de 14 para 16 doadores para cada 1 milhão de habitantes. O número ainda é considerado baixo se comparado à Espanha, país que é referência mundial com 40 doadores para cada 1 milhão de pessoas.

Com a morte cerebral de uma pessoa saudável, outras 14 poderão ser beneficiadas, segundo informações da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). 


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