07/11/2017 às 05h16min - Atualizada em 07/11/2017 às 05h16min

MPE pede afastamento do vereador Silésio Miranda

Promotoria diz que parlamentar está à frente de esquema criminoso

VINÍCIUS LEMOS | REPÓRTER
Segundo denúncia, vereador usou laranjas para esconder posse de empresa que presta serviço ao Ipremu / Foto: Denilton Guimarães/CMU/Divulgação

 

O Ministério Público Estadual (MPE) pediu, na Justiça, o afastamento do vereador Silésio Miranda (PT) por crimes envolvendo uma empresa que seria dele e que prestou serviços ao Instituto de Previdência Municipal de Uberlândia (Ipremu). Outras quatro pessoas foram denunciadas pela promotoria, incluindo um tio e a esposa do legislador, Queliomara Dias Lage Miranda Pereira. Um concunhado do então superintendente do Ipremu, Marcos Botelho, também foi denunciado. Botelho não foi relacionado ao caso.

A ação é resultado da operação É Fria, deflagrada pelo MPE em maio. Segundo a denúncia, que tramita na 2ª Vara Criminal desde o fim de outubro, Silésio Miranda estaria à frente de um esquema de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Os crimes cometidos entre 2013 e 2017 teriam rendido R$ 386.252,49 em pagamentos por um contrato fraudulento, de acordo com o MPE.

Nesse esquema, a empresa Interlocar foi vencedora de uma licitação para prestar serviços de transportes gerais para o Ipremu, em abril de 2013. Contudo, em setembro daquele ano, o vereador teria mudado o contrato para fazer constar outros dois homens como sócios da empresa, os quais seriam “laranjas” no arranjo. Um dos nomes era o concunhado denunciado do então superintendente do Ipremu.

Como descrito na denúncia, para os promotores Genney Randro e Luiz Henrique Borsari essa foi uma manobra de Miranda com o objetivo “de ocultar seu nome no quadro societário da pessoa jurídica em comento, que de fato lhe pertencia e pertence”. A medida é ilícita, uma vez que, como vereador, “não poderia figurar no quadro societário da referida empresa e muito menos contratar com o poder público”.

Um dos sócios de fachada, em depoimento ao MPE, confirmou que a empresa pertenceria ao vereador e que ele e o outro laranja seriam apenas funcionários da Interlocar. Eles seriam os responsáveis pela condução de uma moto e de um carro, recebendo salários entre R$ 1 mil e R$ 1,6 mil. Essa seria a contrapartida oferecida a ele pelos serviços prestados a Miranda durante a campanha eleitoral para o cargo de vereador no ano de 2012.

Queliaomara Miranda seria a operadora dos lucros da empresa Interlocar, agindo em conjunto com o tio do vereador. Segundo a denúncia da promotoria, eles ocultaram e dissimularam a propriedade e a movimentação das cotas sociais da empresa e de um veículo, além dos valores provenientes do contrato de prestação de serviços com o Ipremu.

 

OUTRO LADO

O Diário do Comércio entrou em contato por telefone com o vereador Silésio Miranda. Na primeira tentativa, o vereador pediu para que houvesse um retorno minutos mais tarde, o que foi feito, mas ele não atendeu as ligações, nem retornou os recados deixados. A assessoria do vereador também não atendeu as ligações feitas pela reportagem.

 

É FRIA

Em maio, tanto Silésio Miranda quanto Marcos Botelho foram alvos de mandado de condução coercitiva, durante ações da operação É Fria. Foram cumpridos outros cinco mandados de condução coercitiva, três mandados de busca e apreensão e mais dois de busca pessoal. As buscas tiveram como alvo a residência e o gabinete do vereador petista e uma residência do tio vereador, que também foi denunciado.


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