14/10/2017 às 17h47min - Atualizada em 14/10/2017 às 17h47min

Como aproveitar o horário de verão

Deste domingo até 17 de fevereiro, o dia passa a escurecer mais tarde; coach dá dicas para otimizar a 'hora extra'

LAURA FERNANDES | APRIMORAMENTO PROFISSIONAL
A coach Hérica Santos diz que horário de verão é aliado para evitar a procrastinação / Foto: Felipe Vianna

 

A partir deste fim de semana, o dia amanhece um pouquinho mais escuro e as tardes exibem um luminoso sol por mais tempo antes do cair da noite. O horário de verão, que começou à 0h deste domingo, prevalece até 17 de fevereiro de 2018 e contempla 11 Estados do País. Se para alguns a alteração no horário é uma tortura, para outros a mudança é sinônimo de disposição e, inclusive, oportunidade de investimento em algumas áreas. 

A master coach Herica Santos afirma que esse período é uma opção para as empresas começarem a jornada de trabalho um pouco mais tarde e estenderem o horário de funcionamento. “A economia aquece com o horário de verão. Como escurece mais tarde, dá para as pessoas saírem do escritório e fazerem muitas coisas que, no dia-a-dia, quando elas saem no horário comercial, não dão tempo de serem feitas”, explica.

Essa uma hora “a mais” presente nos próximos 126 dias, de acordo com Herica, é o período ideal para evitar a procrastinação, tanto na vida profissional quanto na pessoal. Ela explica que o corpo já é programado para descansar a partir do momento que escurece, por isso a maioria das pessoas que trabalham em horário comercial já tem o costume de relaxar após o expediente. Mas, como no horário de verão o dia escurece mais tarde, o corpo tem a sensação do não cansaço adiado, afirma ela. Por isso, “muitos cursos rápidos fazem questão de colocar novas turmas durante o horário de verão, porque sabem que as pessoas estão mais dispostas depois do trabalho”, diz.

Herica também sugere que este é o momento de aproveitar o tempo de qualidade com os filhos e a família, além de iniciar atividades físicas e planejar o ano que se aproxima. “O dia tem 24 horas para todo mundo, a diferença é o que nós fazemos com essas 24 horas”, afirma. 

 

ADAPTAÇÃO

Corpo reage, mas não há danos à saúde

O médico Eduardo Crosara conta que a medicina esclarece a relação entre o aumento no estímulo ao consumo e o horário de verão. “A luz muito clara tem uma relação muito grande com a excitação do córtex cerebral, que estimula algumas regiões e fortalece o componente emocional, que é uma das partes mais impactantes no processo do consumo”, explica. 

Crosara afirma que este é um momento de prolongamento do turno da pessoa, de modo que ela possa aumentar efetivamente o consumo. “Quanto mais cedo a pessoa sai do trabalho e tem a luz do dia, mais a pessoa tem a impressão de que seu dia continua”, reforça.

O médico explica ainda que além da relação com o consumo, o estímulo ao córtex cerebral também mantém a pessoa alerta, por isso é comum nesse período, de acordo com ele, o aumento da quantidade de pessoas praticando exercícios físicos. “A luz está diretamente relacionada à produção de alguns hormônios que melhoram o humor e promovem essa excitação.”

A reportagem do Diário do Comércio conversou com algumas pessoas para saber suas opiniões sobre a alteração do horário. A maioria dos entrevistados disse, assim como o comentado por Crosara, utilizar esse tempo para praticar atividades físicas. 

Já outros reclamaram da mudança, alegando acordar muito cedo neste período. O médico diz que é comum o incômodo de parte dessas pessoas e explica que esse fator é proveniente da ausência da luz do dia logo cedo, sem ela as pessoas se vêm desestimuladas. “Essas pessoas se adaptam, mas de certa forma são mais prejudicadas”, afirma. 

O médico explica que, no geral, a adaptação ao horário acontece cerca de uma semana a um mês após a mudança, e que nosso corpo já tem uma programação para reagir aos estímulos relacionados às questões ambientais ao longo do dia. “Isso não impacta no contexto de saúde. É pura e simplesmente uma adaptação, a qual cada um tem seu próprio tempo”, finaliza.

 

ECONOMIA

Manutenção do horário ainda será discutida

Neste ano, o final de horário de verão chegou a ser cogitado pelo governo, após estudos mostrarem perda na efetividade da medida, em razão das mudanças nos hábitos de consumo de energia. De acordo com o Operador Nacional do Sistema (ONS), a temperatura é quem determina o maior consumo de energia e não a incidência da luz durante o dia, fazendo com que, atualmente, os picos de consumo ocorram no horário entre 14h e 15h, e não mais entre 17h e 20h.

O ONS aponta que no horário de verão praticado em 2016/2017 a economia foi de R$ 159,5 milhões, valor abaixo período de 2015/2016, que foi de R$ 162 milhões.

O que pesou na decisão do governo de manter o horário de verão este ano foi a escassez de chuvas e o baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas. Para 2018, o governo informou que deve fazer uma pesquisa para decidir se mantém ou não o horário diferenciado nos próximos anos.

 

MINAS GERAIS

Com a adoção do horário de verão, a Cemig espera uma redução na demanda máxima de 4,0%, equivalente a 350 megawatts (MW) de potência. Para se ter uma ideia, essa economia poderia abastecer a demanda de pico de município de 800 mil habitantes, equivalente à soma da população de Juiz de Fora e Sete Lagoas.

Para os consumidores comerciais e residenciais, o consumo de energia pode reduzir até 5%, devido ao menor tempo de utilização da iluminação artificial.

 

OPINIÃO 

- O que você acha do horário de verão e o que faz com a “hora a mais” 

Alísia dos Santos – “Não gosto desse horário, porque entro muito cedo no serviço. Na parte da tarde costumo fazer caminhada e em casa adianto meus afazeres”.

Diego Figueiredo – “Prefiro esse horário. Com ele consigo pedalar porque está claro. No horário comum, após a jornada de trabalho, já escureceu, o que dificulta andar de bicicleta”.

Hugo Andrade – “Gosto muito desse horário. Aproveito mais o tempo e sempre procuro estar no Parque do Sabiá”.

Lucilene Duarte – “No horário de verão eu rendo mais. Aproveito quando saio do trabalho para ir ao parque, tenho uma hora a mais para fazer as atividades da casa e ficar com meu filho”.

Neusa Andrade – “Gosto do horário de verão. Procuro estar mais próxima do meu esposo e ficar mais tempo no parque”.

Pedro Henrique Pereira – “Gosto bastante desse horário. Costumo aproveitar para fazer atividades físicas, curtir mais o dia, sair para tomar um sorvete”.

Valdir Martins – “Não gosto desse horário, porque acordo muito cedo e nesse período tenho que acordar mais ainda. Na parte da tarde procuro ir para o Parque do Sabiá”.


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