04/10/2017 às 16h58min - Atualizada em 04/10/2017 às 16h58min

Egressos da UFU produzem insetos para ração animal

Empresa foi montada após ser incubada por centro da universidade

DA REDAÇÃO
Raphael Silva afirma que empresa planeja ampliar ramo de atuação em alimentação / Foto: Marcela Pissolato

 

Com o propósito de empreender usando a biotecnologia, além da preocupação com o futuro da produção mundial de alimentos, três egressos da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) criaram a startup Intech Brasil. Atualmente incubada pelo Centro de Incubação de Atividades Empreendedoras (Ciaem), a empresa faz a criação e o processamento de insetos que se tornam ração para alimentação de aves e peixes.

Os biotecnólogos Raphael Henrique Silva e Maurício Medeiros e o médico veterinário Regis Kamimura são formados pela UFU e se juntaram para fundar a Intech Brasil. Silva explica que existem diversos estudos, como o da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que mostram que a população mundial deve superar 9 bilhões em 2050. Para suprir essa demanda será necessário aumentar em 60% a produção mundial de alimentos. Por isso, eles resolveram usar a biotecnologia para ajudar nessa questão.

Eles criam a espécie de besouro Tenebrio molitor em ótimas condições de umidade, temperatura e controle de pragas e doenças. “A gente processa, desidrata ou faz a farinha, que é um outro produto. Depois comercializamos isso com a alimentação animal”, explica Silva. Ainda segundo ele, esses insetos são ricos em proteínas e outros nutrientes, além de ser um elemento natural e abundante, por isso podem contribuir para a segurança alimentar mundial.

Atualmente, os clientes da Intech Brasil são fábricas de ração e criadores de pássaros e peixes. Porém, a perspectiva é atuar em todas as cadeias de alimentação animal, exceto ruminantes, que não podem se alimentar com insetos, de acordo com Silva. Além disso, também pretendem, futuramente, comercializar o produto para alimentação humana.

 

CIAEM

Ainda na graduação, Silva e Medeiros conheceram o Ciaem quando estavam cursando a disciplina de Empreendedorismo do curso de Biotecnologia da UFU. Quando terminaram o curso, já tinham a ideia de trabalhar com insetos. Resolveram se candidatar ao edital do Ciaem e foram um dos selecionados na época.

“De junho de 2016 até maio de 2017, a gente estava na modalidade de pré-incubado. Ou seja, ainda não era empresa, apenas um projeto. Mas essa fase foi boa porque tivemos muitas mentorias oferecidas pelo Ciaem, pudemos conhecer o mercado, montar o plano de negócios e financeiro”, conta Silva.

A coordenadora de gestão do Ciaem, Manuela Botrel, explica que a pré-incubação é voltada para desenvolver o plano de negócios das empresas, já que, nesta fase, elas ainda são projetos. Segundo ela, esse processo pode levar de seis a 12 meses.

Depois de conhecer vários conceitos sobre comércio, marketing e estratégia de mercado, eles concluíram que iriam investir naquele projeto e criaram, de fato, a startup Intech Brasil. “Agora a gente já está na mobilidade de incubação, já temos CNPJ e produto, e vamos começar a realmente ir para o mercado até o final deste ano. O Ciaem nos dá todo suporte técnico na parte de gestão para isso”, afirma Silva.

Segundo Botrel, a incubação é uma etapa em que a empresa já está formalizada e em fase de operação. “Esse período pode levar de 24 a 36 meses, até que a empresa consiga se inserir no mercado e consolidar seu produto”. Atualmente, quatro empresas estão incubadas e dois projetos pré-incubados.


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