28/09/2017 às 15h54min - Atualizada em 28/09/2017 às 15h54min

'É necessário escutar os alunos sempre'

Especialista no assunto, Carlos Seabra debateu sobre o desafio para inserção de tecnologias em ambientes educacionais no Brasil

ANA LUIZA PEREIRA COSTA | ESPECIAL PARA O DIÁRIO*

A implementação de novas tecnologias, que embora presente no cotidiano de boa parte da população, ainda é um desafio para ambientes educacionais. Durante o Encontro Literário do Cerrado (Elicer), o autor, produtor e coordenador de projetos de tecnologias educacionais e redes sociais, Carlos Seabra, falou sobre o assunto. 

Entre suas principais produções está a criação de jogos online educativos e livros digitais voltados para a formação de professores. Para o autor, as condições técnicas para aliar as tecnologias à educação existem, o que falta no Brasil é inclusão cultural. “As condições técnicas para existir a inclusão digital existem, o que falta no Brasil é inclusão cultural, a eficácia disso depende de investimento do setor privado”, explica Seabra. No entanto, os brasileiros ainda leem pouco, menos de dois livros por pessoa ao ano. Em ano de crise, o número de investimento em cultura tende a diminuir.

Um reflexo disso são os maus resultados do país em avaliações internacionais. De acordo com Seabra, um dos maiores problemas é que as escolas não estão cumprindo sua principal função que é a de ensinar a ter prazer em aprender. O prazer é que incentiva o aluno a buscar  aprendizagem. “Nós temos prazer em comprar, prazer gastronômico, mas nos falta o prazer intelectual não é tão espontâneo e é nisso que as escolas devem trabalhar”, propõe Seabra. O prazer em aprender, gera no aluno o prazer em ler e consequentemente o desejo em escrever. Independente da plataforma que ele escolha para se comunicar, através das palavras, esse é o eixo central do ensino.

Embora, não tenha conquistado muitos adeptos ainda a literatura através de aparelhos digitais permite uma proximidade do leitor com o autor. Sendo ao alcance do autor conhecer o perfil de cada leitor e quais plataformas eles utilizam para ler, além disso, possibilita ao leitor dar  opiniões do que achou do livro. Em ambientes escolares, os jogos podem ser utilizados por professores como forma de pontuar os alunos, que têm em suas mãos aparelhos mobile que permite a adequação de várias mídias.

O autor, diz que não há uma fórmula que deve ser aplicada, cada caso deve ser analisado em particular, o melhor é ver que deu certo ou não. Mas existe o conceito básico de sempre escutar os alunos. O diálogos entre os envolvidos é o eixo principal para a implementação de novas técnicas educacionais.

Um dos exemplos de modelo que deu certo citado pelo autor é o comitê de alunos criado pela  Escola Dante Alighieri, onde são os próprios alunos quem decide quais políticas e recursos tecnológicos serão utilizados ou não no processo de aprendizagem.

Durante suas palestras no Elicer, Carlos Seabra discutiu, principalmente com outros autores e educadores, sobre livros digitais e também ofereceu oficina de microcontos para redes sociais. Atualmente, ele está desenvolvendo um game de gincana mobile para ser utilizado por alunos, onde o professor pode avaliá-los.

(*) Programa de Formação de Comunicadores Elicer | UFU e Esamc

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