25/09/2017 às 18h54min - Atualizada em 25/09/2017 às 18h54min

Servidores dos Correios fazem manifestação em Uberlândia

Serviços de entrega podem atrasar nos próximos dias

VINÍCIUS LEMOS | ESPECIAL PARA O DIÁRIO
Cerca de 20% do efetivo de trabalhadores dos Correios de Uberlândia aderiram ao movimento

 

Cerca de 60 trabalhadores dos Correios em Uberlândia fizeram uma manifestação em frente ao Centro de Distribuição no bairro Martins, região central, durante a manhã desta segunda-feira (25). O movimento está ligado à greve nacional deflagrada no fim da última semana e que pede condições de trabalho, reposição de pessoal e reajuste salarial. Ao todo, no município, 70 trabalhadores estão mobilizados, segundo o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de Uberaba e Região (Sindect – URA).

Com faixas e carro de som, os trabalhadores chamaram a atenção para as reivindicações e convidavam colegas de trabalho para adesão à greve. Uma nova manifestação está prevista para a manhã dessa terça-feira (26) na unidade dos Correios na avenida Getúlio Vargas, também na região central.

De acordo com o presidente do sindicato, Wolney Capolli Dias, em Uberlândia existe um déficit de 150 trabalhadores em várias áreas da empresa. “Temos pouco mais de 300 funcionários e precisamos atender à demanda das áreas de expansão. Existem muitos bairros novos que não são atendidos como deveriam”, disse. Em todo o país, 17 mil trabalhadores teriam se aposentado ou demitidos voluntariamente desde 2011, segundo a entidade. O Sindect – URA ainda afirma que no Brasil há 108 mil trabalhadores nos Correios, mas o número ideal seria de 130 mil.

O movimento grevista ainda reivindica um aumento salarial linear de R$ 300 e 10% nos benefícios, além da manutenção do calendário de férias e outros pontos apresentados à estatal. A greve ainda serve para chamar a atenção para pontos de reclamação como fechamento de agências, pressão para adesão ao plano de demissão voluntária, falta de segurança e ameaças de privatização.

 

SERVIÇOS AFETADOS

Apesar da adesão ser de pouco mais de 20% do efetivo de trabalhadores, Wolney Dias disse que entregas poderão atrasar nos próximos dias e já houve um movimento da empresa de remanejamento de pessoal para manter o atendimento e trabalhos em algumas unidades. O representante dos trabalhadores da região de Uberlândia ainda afirmou que espera maior adesão nos próximos dias. “Se a empresa não voltar a negociar, a tendência é aumentar a adesão, porque mostra imposição contra o trabalhador”, afirmou.

 

ACORDO

Correios esperam votação de proposta nessa terça

Em todo o país, os Correios reconhecem menos de 10% do efetivo em greve e nessa terça espera que parte dos servidores vote uma proposta de reajuste de salários na ordem de 3%, a partir de janeiro, negociados na última sexta-feira (22) como acordo coletivo para o biênio 2017/18. A proposta foi levantada junto à Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect), que vai levar às assembleias hoje. A entidade representa servidores dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Tocantins e Maranhão.

Contudo, a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), que aglutina os sindicatos dos demais Estados, incluindo Minas Gerais, não concorda com a proposta e por isso iniciou o movimento grevista. Eles esperam outras propostas para fechamento de acordo.

Em nota, os Correios afirmou que a Fentect iniciou a paralisação nas bases de seus sindicatos filiados antes do fim das negociações. O texto diz que a “atitude coloca em risco não apenas a qualidade dos serviços prestados pelos Correios aos clientes e à população brasileira, mas também prejudica o esforço de todos os empregados que, ao longo deste ano, trabalharam para reverter a situação financeira da empresa”.


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