20/08/2017 às 05h43min - Atualizada em 20/08/2017 às 05h43min

O meia Alê e seu amor pelo Verdão

Atualmente no Cuiabá, o jogador não esconde o carinho pelo UEC e a vontade de atuar novamente no time

ÉDER SOARES | REPÓRTER
Alê joga atualmente no Cuiabá, clube no qual ingressou neste ano para disputar a Série C / Foto: Divulgação

 

Desde 2015, quando chegou do futebol paulista para vestir a camisa do Uberlândia Esporte Clube, o meia Alê conseguiu ganhar a confiança da maior parte do torcedor do Verdão, principalmente depois do título do Campeonato Mineiro – Módulo II daquele ano, o que culminou na saída de uma fila de cinco anos daquela que é na verdade a segunda divisão estadual. As qualidades que mais se destacam no jogador estão a velocidade, habilidade e, principalmente, a entrega dentro das partidas.

No ano passado, com a entrada da Universidade do Futebol na administração do futebol do clube, o meia acabou sendo deixado de lado pelo técnico Alexandre Barroso, o que frustrou bastante o atleta e a torcida do Verdão, que não cansava de pedir a entrada do jogador como titular durante as partidas do Mineiro, ano em que o Uberlândia, por muito pouco, não acabou novamente rebaixado para o Módulo II. 

Este ano, com o retorno do técnico Paulo Cézar Catanoce, seu treinador no acesso de 2015 no Verdão, e a saída da Universidade do Futebol, o meia voltou a ganhar espaço e foi peça fundamental no esquema de Catanoce para o grande objetivo conquistado pelo clube na temporada, que foi obtenção da sonhada vaga para a Série D do Brasileiro de 2018.

Depois de começar o ano pelo Verdão e dar uma rápida passada pela Caldense (MG) na Série do Brasileiro, Alê foi contratado pelo Cuiabá (MT), clube pelo qual está disputando a Série C do Brasileiro. O time do Mato Grosso é comandado pelo técnico Moacir Júnior, que treinou o Verdão em 2011. Mesmo distante de Uberlândia, onde mora, Alê topou falar com a reportagem do Diário do Comércio para contar um pouco da carreira, da paixão pelo Verdão e dos planos para o futuro.

 

Diário: Como foi o seu começo no futebol? 

Alê: Iniciei no futebol através do futsal . Meus primeiros clubes foram Nacional (SP), Palmeiras (SP) e Corinthians (SP) com apenas sete anos de idade. Com oito anos foi quando iniciei no futebol de campo e desde então peguei muito gosto por tudo que fazia e não parei mais. No Corinthians, fiquei dos meus 7 anos ate os 14 anos de idade. 

 

E depois que saiu do Corinthians, você desanimou ou não?

Não desisti, não. Quando fui mandado embora do Corinthians fiquei mais ou menos uns dois anos sem jogar campo, jogando somente futsal novamente, até aparecer uma oportunidade em um projeto do ex-zagueiro da Seleção Brasileira Roque Jr, um clube chamado Primeira Camisa FC . Fiquei no clube dos 16 anos até me profissionalizar, em 2010, e desde então minha carreira profissional começou a andar.

 

O Uberlândia Esporte foi um divisor de águas na sua vida?

Sim. A minha ida pro UEC, em 2015, foi por um acaso porque eu estava sem jogar futebol havia quase oito meses e tinha colocado na minha cabeça que não queria mais seguir essa vida de atleta profissional, por algumas coisas que vinham acontecendo comigo em outros clubes . Eu estava em um momento muito descrente comigo mesmo, desacreditado em relação ao meu potencial . Em meio a tudo isso, meu empresário na época, junto ao treinador Paulinho Mclaren, me deu a oportunidade de me levar para o UEC, para ser mais um para compor o elenco, já que eu nunca tinha trabalhado com o Paulinho. 

 

Você já tinha ouvido falar do Uberlândia?

 

 

 

Quando eu vi a estrutura que tinha o UEC e as referências de amigos que jogaram no clube, resolvi me dar mais uma chance e deu certo. Conseguimos aquele acesso mágico, quando todo mundo não acreditava mais no nosso grupo , pois precisávamos vencer as últimas 6 partidas restantes do Módulo II e, graças a aquele grupo maravilhoso, comissão técnica e diretoria, conseguimos a tão sonhada volta para elite e com o título de campeão. E em meio a tudo isso, graças a Deus, consegui fazer uma grande competição jogando 18 jogos como titular em um total de 20. Então 2015 foi, sem dúvida, o ano mais marcante ate hoje para mim no clube.

 

O que você gostaria de falar sobre 2016, quando veio para o UEC na Universidade do Futebol?

Em relação a 2016, foi um ano que apesar de toda aquela confusão interna que teve no clube, foi também um ano de aprendizagem para mim . Aprendi que independente de como as coisas andam, das coisas que acontecem , e do que as pessoas falam, eu tenho que fazer sempre o meu trabalho e cumprir com os meus compromissos. E obvio que não tenho vontade nenhuma de trabalhar novamente com a Universidade do Futebol e muito menos com o treinador Alexandre Barroso, independentemente do clube em que eles estiverem.

 

Neste ano você voltou a brilhar novamente com a camisa do Verdão, ou você pensa diferente?

No campeonato mineiro deste ano, mais uma vez, conquistamos nosso objetivo principal, que era a vaga para série D, campeonato que o clube não disputa faz quase dez anos. Para muitas pessoas foi uma conquista de pouco valor. Mas para quem conhece o tamanho do UEC e todas as pessoas que se dedicaram para conseguir esse objetivo, foi uma conquista gigantesca, pois tenho certeza que, no próximo ano, o UEC irá brigar pelo acesso a Série C.

 

Como é para você ter trabalhado duas vezes com o Paulo Cézar Catanoce?

Trabalhar com o Catanoce é muito fácil, um cara que trabalha muito, que tem um caráter fora do normal, que está sempre buscando ser justo com todos os seus atletas, que não tem prioridade por ninguém e sim por aquele atleta que está melhor no momento. Treinadores assim, todo jogador quer ter e acredito que todo clube também. 

 

Apesar de paulista, como você explica esta afinidade com o Verdão, com a torcida e com a cidade de Uberlândia?

Para resumir minha relação com o clube e a cidade é coisa simples também. Eu simplesmente casei e moro na cidade de Uberlândia. E no UEC são três campeonatos estaduais consecutivos e com duas conquistas, o acesso para elite, em 2015, e a vaga para serie D do Brasileirão em 2017. Ser considerado um ídolo pela torcida eu acho que é um dos sonhos de todo jogador de futebol, e ser considerado ídolo em um clube de tanta história como o UEC é gratificante demais . Só tenho a agradecer mesmo todo esse apoio que eles me dão e sempre tento retribuir dentro de campo dando o meu melhor e honrando a camisa do clube.

 

Com a sua ida para o Cuiabá são três clubes em 2017, o que você diz sobre este momento?

Esse ano, logo após o Campeonato Mineiro, eu tive uma rápida passagem pela Caldense, onde fomos eliminados logo na primeira fase, mas agradeço muito a oportunidade de passar por lá, por ser um clube muito organizado e que me abriu a porta . E logo que acabou na Caldense, tive a proposta de vir para o Cuiabá jogar a Série C, onde estou hoje, muito contente, por também ser um grande clube, de pessoas muito corretas e em um grupo muito bom com plenas condições de conquistar um acesso à série B.

 

Você pretende voltar para no ano que vem disputar o Mineiro e a Série D?

Eu sempre deixo bem claro que minha casa é o Uberlândia. Sempre falo que se eu não tiver uma proposta muito melhor, que seria uma Série B, ou uma série C em um clube organizado, como o Cuiabá, por exemplo, a minha prioridade sempre vai ser o UEC, pois aprendi a ser torcedor do clube.  Quero ver o clube crescer cada vez mais e também quero fazer parte dessa história vitoriosa, dessa reconstrução. Tenho sempre o desejo de voltar. Mas isso é um assunto que não tenho como dar certeza se volto ou não. É um assunto que não depende somente do Alê. Além de tudo isso, hoje sou atleta do Cuiabá e minha cabeça está 100% voltada pra Série C. O futuro a gente deixa nas mãos de Deus, porque ele sempre vai saber o que é melhor para todos nós.

 

Ficha

Alexandre Egea
Posição: meia/atacante
Idade: 27 anos
Peso: 75kg
Altura: 1,84m
Nascimento: São Paulo

Clubes

2017: Uberlândia, Caldense (MG) e Cuiabá (MT)

2016: Uberlândia e URT (MG)

2015: Uberlândia e Coimbra (MG)

2014: Audax (RJ)

2013: Grêmio Barueri (SP)

2012: Primeira Camisa (SP), Osasco (SP), Taubaté (SP)

2011: Taubaté e Primeira Camisa

2009/2010: Primeira Camisa


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