06/08/2017 às 05h23min - Atualizada em 06/08/2017 às 05h23min

Rodrigo Santana e o sucesso da URT

Treinador está à frente do time de Patos de Minas, que está perto de conseguir o acesso para a Série C

EDER SOARES | REPÓRTER
Rodrigo Santana está no comando da URT desde o final do ano passado / Foto: Alê Viana/Divulgação

 

Pelo segundo ano, a URT de Patos de Minas vive um momento mágico no futebol e, depois de conquistar o bicampeonato do Interior do Campeonato Mineiro neste ano, está prestes a conseguir o inédito acesso para a Série C do Campeonato Brasileiro. Neste domingo, o time patense encara o Globo (RN), em Patos, pelo jogo de ida das quartas de final. Em todo este contexto, uma figura tem se tornado peça preponderante para o sucesso da equipe, que conta com estrutura modesta e orçamento reduzido. O técnico Rodrigo Santana, de apenas 35 anos, é ex-jogador e foi anunciado como técnico do URT ainda no final do ano passado.

Santana é casado com Gabriela Santana e pai de Sofia e Rodrigo Filho. Ele nasceu em Santos em 29 de maio de 1982. Santana começou a jogar futebol aos cinco anos de idade, no time Portuário, e em seguida foi para as categorias de base do Santos e também do Jabaquara.

Como jogador, Rodrigo vestiu a camisa de várias equipes das regiões sul e nordeste do Brasil, além de pequenas passagens pela Bolívia e Hungria. Aos 28 anos, Rodrigo, que jogava como meio de campo, parou a carreira depois de uma lesão na mão. Foi então que veio o convite para ser auxiliar técnico do Camboriú (SC), chegando dessa forma o final de sua carreira como atleta.

Nesta função, ele trabalhou no Pinheiros (PR), Barueri (SP) e Uberaba. Como treinador, passou pelo União Suzano (SP), Juventus (SP) - onde fez grande sucesso -, Uberaba e URT.

 

ESTUDIOSO

Treinador da nova geração do futebol brasileiro, Rodrigo Santana foi considerado neste ano o melhor técnico do Campeonato Mineiro, comandando a URT. Outro feito importante de Santana foi, por muito pouco, não ter levado o Uberaba de volta à elite do futebol mineiro no ano de 2016. O Zebu precisava bater o Mamoré no estádio Uberabão, mas não passou de um empate, deixando escapar o acesso naquele ano, o que acabou frustrando um trabalho de alto nível e de técnicas diferenciadas implantadas pelo treinador no Colorado.

Com bons trabalhos, principalmente no futebol paulista, onde levou o Juventus à Série A2 do Paulista e também em Santa Catarina, Santana acredita que a juventude e o estudo dos jovens treinadores é a porta de entrada para a melhora do futebol brasileiro.

Em um bate-bola rápido e rasteiro com o Diário do Comércio, Rodrigo fala um pouco sobre o seu começo no futebol profissional e traça metas para o futuro.

 

JORNAL DIÁRIO DO COMÉRCIO: Como você começou a sua trajetória no futebol?

RODRIGO: Minha trajetória no futebol começou na minha cidade, Santos. Lá, fui da base de um clube tradicional chamado Jabaquara Atlético Clube. Depois, fui para a base do Santos. Como profissional, atuei em alguns clubes do Brasil, da Hungria e Bolívia.

 

Quando começou a sua carreira de treinador?

Minha história como treinador se iniciou em Santa Catarina, no ano de 2010, onde já atuava como um supervisor do Camboriú, mas, quando o time passava por uma situação complicada no campeonato, com risco de rebaixamento. A diretoria, sem outra opção, acabou me incumbindo da tarefa.

 

Você considera que foi sorte?

Dei sorte, tirei o time da zona da degola e peguei o gosto pela coisa. Com o feito, acabei sendo convidado para assumir a equipe Sub-20 do Pinheiros, também de Santa Catarina. Lá, fomos campeões invictos da competição e acabei por assumir a equipe profissional. De lá pra cá, passei por Uberaba – MG (2012), Barueri – SP (2013), União Suzano – SP (2013), São Carlos – SP (2014), Juventus – SP (2014,2015,2016), Uberaba (2016) e agora a URT .

 

Quais os seus principais feitos no futebol?

Feitos dentro do futebol podem ser entendidos de diferentes formas. Existe a ótica do torcedor e a do profissional do futebol. Alguns feitos são diretamente relacionados à estrutura e ao planejamento do clube, daquilo que o clube almeja. Às vezes, uma diretoria se programa pura e simplesmente para não cair de divisão, outras para pontuarem bem sem a obrigação de ser campeãs. Entende?

 

Cite os principais exemplos para os nossos leitores.

Na minha visão, ter livrado o Camboriú e o Barueri do rebaixamento, pois eles estavam em situações consideradas pelas próprias torcidas e imprensa irreversíveis e, ainda, o acesso com o Juventus foram grandes feitos. E as campanhas, agora na URT, no Mineiro e na Série D não tem como deixar de citar, pois tem sido um ano espetacular. O fato de ter sido eleito o melhor técnico do Campeonato Mineiro deste ano me surpreendeu bastante, pois foi o meu primeiro ano como treinador em uma primeira divisão de estadual e concorri com treinadores renomados nacionalmente como o Mano Menezes e Roger Machado.

 

O que você acha da tendência atual para treinadores jovens e estudiosos, como você, Fernando Diniz, Léo Condé,  Leston Júnior, entre outros?

Rodrigo: Essa tendência precisa virar regra, porque, somente, assim o futebol brasileiro poderá extrair o melhor possível de sua matéria-prima com o Brasil tendo, novamente, o melhor futebol do mundo.

 

Quais as suas principais qualificações como treinador?

São compromisso e vontade de vencer, características inerentes a qualquer profissional do esporte. Contudo, alguns contam com uma percepção mais aguçada e uma didática que torna fácil a absorção dos conhecimentos transmitidos. Considero-me inteligente para a matéria futebol. Consigo ler, rapidamente, a disposição tática num jogo. Meus esquemas me permitem alterações táticas sem necessidade de substituição de jogadores durante a partida. A posse de bola e ofensividade são as marcas dos times que treino.

 

Qual é o seu conceito sobre futebol tanto no Brasil quanto no exterior?

No futebol, não há mais espaço para amadores. Futebol se faz com competência, seriedade e dinheiro. O Brasil está num bom caminho para isso. Pelo menos, os grandes clubes estão. Infelizmente, a disparidade financeira conta muito. Na Europa, existe essa disparidade, porém os menores possuem o mínimo necessário para fazer um bom trabalho, bem ao contrário daqui.

 

Quais as suas metas para o futuro?

Manter-me atualizado e chegar a um clube que me ofereça estabilidade para trabalhar. Tenho muito a agradecer à URT pela oportunidade de trabalhar neste ano. Projeto é uma palavra que treinador adora ouvir e espero que a URT consiga este acesso e que possamos manter a base para o ano que vem. É necessário para um bom andamento. O treinador precisa saber que terá tempo para realizar projetos e atingir metas. Não é atoa que, hoje, o Tite é considerado o melhor. É só analisar o tempo dele à frente do time.

 

Sabe algo sobre o Uberlândia Esporte e você tem pretensões de trabalhar no clube algum dia?

O Uberlândia é um time tradicional, com excelente estrutura e torcida apaixonada. Fica numa cidade muito bacana.


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