28/07/2017 às 05h12min - Atualizada em 28/07/2017 às 05h12min

Lava Divers segue com amor e barulho

Banda mineira lança primeiro disco e trazemos a primeira entrevista com a baterista sobre este trabalho

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA
Eddie Shummway, Ana Zumpano, João Paulo e Glauco Ribeiro formam o Lava Divers que lançou “Plush” ontem / Foto: Moviola Mídia Livre/Divulgação

 

Música sem fronteira, melódica, pesada, feliz, triste. Música escrita em inglês, criada em português e temperada em Minas Gerais com um propósito global de levar essa produção pra longe, bem longe. Essa é uma das formas de se descrever o som da banda mineira Lava Divers, metade Uberlândia, metade Araguari, que para facilitar chamaremos aqui de banda mineira de indie rock. 

Em uma trajetória de pouco mais de três anos, esse quarteto formado por João Paulo Porto (voz/guitarra), Ana Zumpano (bateria/voz), Glauco Ribeiro (baixo/voz) e Eddie Shumway (guitarra) lançou ontem o primeiro álbum, “Plush”, que traz 11 músicas que resumem bem o que é o Lava Divers - Sobre o nome, não perca muito tempo buscando um significado, é um nome bom e ponto.

Percebe-se na Lava Divers um prazer imenso em fazer música, em fazer show, em estar junto um do outro. E esse primeiro disco tem um gostinho de celebração da vida. “Esse disco é tudo que somos, tudo que construímos até hoje, é resultado do nosso amadurecimento na estrada, é a reunião do que cada um dos quatro traz pra banda. Nossas influências, nossas experiências. ‘Plush’ é a celebração pura”, afirma a baterista Ana Zumpano em sua primeira entrevista após o lançamento do disco.

Algumas das músicas de “Plush” já foram tocadas ao vivo e foram lapidadas entre um show e outro antes da gravação feita no Rocklab de Goiânia, com produção de Gustavo Vazquez. “Nesses três anos de banda fomos testando as músicas ao vivo. Assim, cortamos excessos, testamos sonoridades, até chegar naquilo que queríamos”, conta Ana, que além de representar bem as mulheres na bateria também traz belos vocais no disco.

Apesar do pouco tempo de banda, os músicos da Lava já atuam há muito tempo na cena regional. Tempo suficiente até para terem desistido de tudo quando as coisas não iam bem. Aliás, o que não é raro, afinal, viver de música e música autoral é uma realidade rara em território nacional. E o combustível da Lava é fazer mais, sempre e principalmente encontrar parceiros para crescer junto. 

Isso surte efeito não só na cena local - onde estiveram ligados diretamente à realização do Festival Bananinha neste ano - como também em cena nacional. Em recente passagem por Uberlândia, a banda celebrada Far From Alaska fez uma espécie de homenagem à banda mineira com um sonoro “We are Lava Divers” (Nós somos Lava Divers) disparado no microfone pelo guitarrista Rafael Brasil. Neste mês, o Lava Divers esteve no line up do Circadélica em Sorocaba (SP) e neste ano foi atração do tradicional Bananada, em Goiânia (GO).

“A música nos impulsiona. E não adianta fazermos isso só pra gente. O que a gente mais quer é ver nosso som indo cada dia mais longe e que o som das outras bandas cheguem por aqui! Esse é o sentido: o intercâmbio! Não existe retorno melhor do que ver essas coisas acontecendo. As dificuldades estão aí para serem superadas”, afirma a baterista Ana Zumpano.

Com “Plush” lançado, os “lavinhas”, como são carinhosamente chamados pelos muitos fãs e admiradores que arrastam pelo caminho, a ideia é divulgar o trabalho pelo país todo. “Queremos fazer tour no sul e no nordeste. Pretendemos voltar também por onde já passamos. Tudo isso pra nos dar mais experiência. A gente quer fazer uns shows na Europa ano que vem”, conta Ana.

O disco está disponível em todas plataformas digitais de streaming. Também estará disponível para download no esquema do “In Rainbows”, do Radiohead, em que o internauta paga quanto acha que vale a obra. Futuramente, “Plush” será prensado em CD e Vinil. 

 

IMPRESSÕES

As canções são um convite a uma viagem. Desde a abertura com “I feel” até o fechamento com “Forbiden steps on heart” o Lava Divers traz letras que falam de amor, perda, depressão e a arte de viver. Invariavelmente é possível que ao final da última música você queira retornar ao começo. A banda honra suas influências do pós punk, grunge, noise e alternativo em pancadas como “Eddie Shummway is dead” e até mesmo na tensa “Gasoline”. “Plush” soa novo e soa velho ao mesmo tempo e, o mais importante, soa Lava Divers.


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