24/07/2017 às 16h08min - Atualizada em 24/07/2017 às 16h08min

Linguagem da internet populariza novos termos

Abreviações e palavras do 'internetês' têm momento certo de uso

LETÍCIA PETRUCCELLI | APRIMORAMENTO PROFISSIONAL
A diretora Marielly Lopes diz que crianças levam termos da internet para a escola / Foto: Divulgação

 

“Olá, td bm? Prcs fl c/ vc urgt, rps qnd pd”. Abreviações como esta são bem comuns em uma conversa nas redes sociais ou em aplicativos de mensagens – poderia ser uma expressão no idioma “internetês”. Essa frase, que quer dizer “olá, tudo bem? Preciso falar com você urgente, responda quando puder”, até pode ser utilizada para uma conversa informal, o problema está no hábito gerado pelo uso recorrente de reduções das palavras em momentos inoportunos.

Este hábito pode ser prejudicial em provas de redação, já que nestas ocasiões é exigida a norma culta da gramática. Quem está atento a isso são os adolescentes, que estão aprendendo a separar a linguagem utilizada em redes sociais para a linguagem formal. Isto é o que afirma a professora de redação Lygia Calil. “Nas redações que tenho corrigido são raros os casos em que os alunos utilizam abreviações ou gírias da internet”, diz a professora, que aprova o uso de redes sociais para estudantes. “Eu acredito que o uso das redes sociais faz mais bem do que mal ao aluno. Na internet ele aprende a expor a opinião, escreve mais, é isso que provas de redações como Enem cobram: opinião com argumentos”, afirma.

Já a atual geração de crianças e pré-adolescentes tem contato com a internet praticamente desde o nascimento, o que faz com que se acostumem à linguagem ali utilizada. “Sempre que os alunos vão escrever uma redação ou fazer um exercício trazem para a sala de aula os vícios utilizados na internet”, conta a diretora de uma escola particular infantil Marielly Lopes Guimarães.

O professor de língua portuguesa Vitor Sérgio de Almeida considera importante que o jovem, dentro do processo de educação, tenha a informação e o discernimento dos locais em que pode usar a escrita abreviada. “Em conversas informais não tem problema a pessoa usar palavras abreviadas. Ele só precisa aprender que em redações e em provas precisa usar a norma culta”, diz.

Sobre isso, o professor de Língua Portuguesa e linguística Luiz Carlos Travaglia cita um exemplo prático. “Nós aprendemos a vestir roupas para certos momentos. Ninguém vai trabalhar de calção de praia e ninguém vai à praia de terno e gravata. Assim é a escrita. É preciso aprender o momento de utilizar abreviatura e de escrever com a norma culta”, afirma.

Júlia Almeida, estudante do 1ª ano do ensino médio, só escreve em redes sociais textos abreviados. “Eu gosto de escrever ‘naum’, ‘entaum’ nas redes, mas sei que não é correto escrever assim. Meus amigos sempre sabem do que se trata. Minha mãe, às vezes, tem dificuldade de entender”.

 

ERA DIGITAL

Palavras atravessam barreira do online

“Não curti o post dela”, “compartilhe com a gente o que ele te disse”, “queria que ela estivesse mais conectada comigo”. Essas expressões poderiam ser de um diálogo comum entre quem está acostumado com redes socais e o mundo da internet, mas verbos como curtir, conectar e compartilhar até pouco tempo ou tinham outro significado ou eram exclusivos da internet.

De acordo com o professor de Língua Portuguesa e linguística Luiz Carlos Travaglia, leva certo tempo para a sociedade se acostumar com novas palavras, mas na era digital tem se tornado mais rápida a adaptação desses novos tempos. “Nós temos o tempo e a sociedade, a sociedade vai mudando com o tempo e, nesta mudança, algumas palavras vão deixando de ser utilizadas e outras vão sendo adicionadas. Antes não existiam nem o rádio nem a TV, muito menos internet, então a mudança era mais lenta”, afirma Travaglia.

O professor Vitor Sérgio reforça que o idioma está sempre em constante transformação. “A Língua Portuguesa é muito dinâmica, ela transforma bastante. Da mesma forma que ela embarca novas expressões, outras também acabam se transformando em arcaísmo”.


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