30/06/2017 às 05h34min - Atualizada em 30/06/2017 às 05h34min

Rodrigo Maia admite atraso em votação

Em jantar com empresários em Uberlândia, presidente da Câmara recebeu apelo pra votar reformas

WALACE TORRES | EDITOR
Rodrigo Maia veio a Uberlândia a convite da Aciub / Foto: Walace Torres

 

No mesmo dia em que a Câmara dos Deputados recebeu a primeira denúncia contra o presidente Michel Temer, o presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), participou de um jantar em Uberlândia com 50 empresários locais que cobraram agilidade na votação das reformas apresentadas pelo Executivo. Pouco antes de entrar para o compromisso,  ontem à noite num hotel da cidade, o deputado admitiu em entrevista coletiva à imprensa que a denúncia irá atrasar a votação da principal reforma cobrada por setores da sociedade, a da previdência.

“Já atrasou, é fato. Não há ambiente na Câmara durante a votação da denúncia para avançar numa reforma fundamental, que é a reforma da previdência. Vamos assim que acabar a votação da primeira denúncia, retomar o processo de votações [das reformas]”, disse. A imprensa não teve acesso a reunião com os empresários, que foi organizada pela Associação Comercial e Industrial de Uberlândia (Aciub).

Rodrigo Maia não afastou a possibilidade de a Câmara receber outras denúncias contra o presidente, como tem sido noticiado na imprensa nacional e ventilado nos bastidores do Congresso (leia mais sobre a denúncia na pagina A7). “Mas minha opinião é que essa decisão é do ministro [Edson] Fachin (relator do processo no STF). Se o procurador [Rodrigo] Janot tivesse uma peça que fosse usar os mesmos fundamentos da primeira, ele faria toda a denúncia de uma vez só. Se vier outra denúncia, deverá ser com outro embasamento. Por isso, acho que o Fachin não deverá unificar as denúncias”, disse.

Questionado sobre o porquê de ainda não ter dado seguimento dentro do prazo de 10 dias sobre os pedidos de impeachment contra o presidente Michel Temer protocolados na Câmara, Rodrigo Maia disse que há jurisprudência na Casa que o resguarda, mas afirmou que irá responder a todos os pedidos no momento adequado. “Mas acredito que a denúncia do Janot acaba trazendo o mesmo tema dos pedidos de impeachment. Como a gente vai ter que votar a denúncia na frente, talvez todos os temas de pedidos de impedimentos sejam superados na primeira ou numa segunda denúncia”, avaliou, citando que o pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff levou quase 250 dias para ser decidido. “O jogo político é assim. Alguns que estão pedindo o impedimento [do presidente Temer] diziam no passado que o impeachment não deveria nem existir, porque num sistema presidencialista quem decide é a urna ou o TSE. O impeachment é um julgamento muito político, já a denúncia é um julgamento jurídico, apesar da decisão da Câmara ter alguma coisa de político”, disse.

 

REFORMA POLÍTICA

Apesar do cenário de indefinições, o presidente da Câmara acredita que outros temas deverão avançar nas comissões até que tenha condições de serem votados em plenário. É o caso da reforma política, que ele espera ter o relatório votado antes do recesso parlamentar de julho. “Espero que até dia 18 de julho a gente tenha votado o sistema eleitoral e financiamento numa comissão e o fim de coligação e cláusula de desempenho. Mas a reforma da previdência volta a discutir depois”.

Sobre a reunião com os empresários, Rodrigo Maia disse que a Câmara tem acolhido sugestões da sociedade para contribuir tanto com a reforma da previdência como a tributária, além de outros assuntos em tramitação nas comissões, e que a vinda a Uberlândia faz parte dessa conjuntura. “É muito importante como presidente da Câmara ter a chance de caminhar pelo Brasil, falando da agenda da Câmara e ouvindo qual é a agenda de uma parte importante da sociedade, principalmente aquela que gera emprego, aquela que tira o brasileiro de fato da dependência do Estado, da bolsa família, que dá aquilo que é mais importante na cidadania, que é a carteira assinada”.

Para o presidente da Aciub, Fábio Pergher, a vinda do presidente da Câmara é uma oportunidade do empresariado reforçar a necessidade de votar as reformas, independentemente da crise.  “O Brasil está parado, ninguém está investindo, temos fuga de capital, perda de empregos, tem que acontecer alguma coisa. É hora de começar a passar o Brasil a limpo. Sem a geração de empregos não tem desenvolvimento social, não tem geração de renda, não tem a sustentabilidade do próprio país”, disse.


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