28/06/2017 às 05h17min - Atualizada em 28/06/2017 às 05h17min

Mallu Magalhães fala de novo álbum e polêmicas

AGÊNCIA ESTADO | SÃO PAULO
Mallu Magalhães ainda se destaca mais como compositora em "Vem", seu novo álbum / Foto: Divulgação

 

Mallu Magalhães reflete as forças do céu e do inferno que movem os cliques do universo. Pois as mesmas redes sociais que a revelaram quando ela tinha 15 anos cantando "Tchubaruba", em 2008, e que a transformaram no primeiro caso de independência pop longe das gravadoras com quase 1,5 milhão de views no YouTube, agora a colocam no paredão. Mallu, protestam vozes indignadas, estaria reforçando preconceitos ao colocar dançarinos negros de torsos descobertos e movimentos sensualizados no vídeo de "Você não presta". Seria a branca da classe média se divertindo ao revender a imagem objetificada do homem explorado.

A mesma patrulha voltou às ruas das redes dias depois, logo que Mallu foi ao programa de Fátima Bernardes, na Globo, e fez um breve comentário de caráter sociológico enquanto tocava a introdução da música ao violão. "Essa é pra quem é preconceituoso e acha que branco não pode tocar samba".

As discussões que tomaram o espaço no noticiário recente sobre Mallu não conseguiram sublimar o melhor feito artístico dessa cantora e compositora de 24 anos com tropeços verbais seguidos de julgamentos raivosos o suficiente para fazê-la mais forte. Seu primeiro passo para a relevância autoral é "Vem", um disco que a distancia em qualidade da própria obra pregressa, apesar do já crescente "Pitanga" (2011), para aproximá-la de um futuro otimista. Produzido pelo marido Marcelo Camelo, com direção artística de Marcus Preto e arranjos em algumas faixas de Mario Adnet, Vem traz 12 músicas de autoria de Mallu.

Sobre a primeira polêmica do vídeo de "Você não presta" Mallu diz o seguinte: "Aquela discussão foi produtiva. Pensando agora, com uma distância maior, penso que tenha sido também construtiva. Acho que, desde o início, ficou clara minha intenção, eu só queria os melhores dançarinos comigo. Eu sou o oposto disso tudo, de todo esse preconceitos".

São apenas nove anos desde que a menina de 15 apareceu com o sorriso fácil e os argumentos ainda em formação no programa de Serginho Groisman, o Altas Horas. Um casamento, uma filha, uma mudança de residência para Portugal e quatro álbuns depois, ela parece ter vivido dois anos em um, mas segue sob uma atmosfera doce. Ao contrário de todas as sonoridades anteriores de Mallu, mais orientadas ao folk do início ou ao rock de "Pitanga", "Vem" tem acabamento de música brasileira dos anos 1960.

A guinada que fez Mallu lançar ser "disco de música brasileira" é, segundo ela, um caminho sem volta. "É uma bagagem que terei sempre. Agora, vi que consigo fazer também". Vem, no entanto, é apenas um passo. As críticas que a colocam nas alturas não podem fazê-la acreditar que esteja pronta. A melhor Mallu é a compositora. A Mallu cantora é outra história,  ainda tem uma fragilidade vocal que não joga mais a seu favor. Seu fio de voz era fofo nos tempos de folk, fazia parte da proposta, mas sua música, hoje, pede mais.


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