31/05/2017 às 17h46min - Atualizada em 31/05/2017 às 17h46min

Vereador é conduzido a prestar depoimento no MP

Silésio Miranda é apontado como donos de empresa contratada pelo Ipremu

WALACE TORRES | EDITOR
Silésio Miranda disse que denúncia pode ter tido motivação política devido sua atuação na Câmara / Foto: Walace Torres

 

O vereador Silésio Miranda (PT) e o ex-superintendente do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Município de Uberlândia (Ipremu) Marcos Américo Botelho foram alvos de mandado de condução coercitiva ontem, durante a Operação É Fria, deflagrada pelo Ministério Público Estadual (MPE) em Uberlândia. Ainda foram cumpridos outros cinco mandados de condução coercitiva, três mandados de busca e apreensão e mais dois de busca pessoal. As buscas tiveram como alvo a residência e o gabinete do vereador petista e uma residência de seu tio Carlos Humberto Parreira.

O MPE investiga a prática de crimes de licitações e afins, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Segundo investigações dos promotores de Justiça Genney Randro Barros de Moura e Luiz Henrique Acquaro Borsari, o vereador Silésio Miranda e seu tio Carlos Humberto Parreira eram os verdadeiros proprietários da empresa Interlocar Locadora Ltda, contratada pelo Ipremu na gestão passada para prestar serviços de locação de veículos. Ainda de acordo com as investigações, os proprietários citados tinham como sócios “laranjas” da empresa e outras duas pessoas, sendo uma delas concunhado do então superintendente do Ipremu. No entendimento do MPE, houve favorecimento na licitação para a contratação da locadora de veículos, tendo gerado um gasto indevido pelo Ipremu de R$ 389.406.

Durante as buscas no gabinete e na residência do vereador, foram apreendidos computador e documentos. A operação teve o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Uberlândia e de 40 policiais militares. Os promotores que estão à frente do caso devem conceder entrevista coletiva hoje. Ontem, eles passaram a manhã e parte da tarde colhendo depoimento dos acusados.

 

DEFESA

O vereador Silésio Miranda foi o único a conceder entrevista à imprensa ao deixar a sede do Ministério Público Estadual. Ele afirmou que respondeu todas as perguntas dos promotores e que não tem empresa em seu nome. “Quando entrei para o mandato [de vereador], a empresa que tinha em meu nome foi colocada em inatividade. Não tenho nenhuma relação com empresa A ou B”, disse Silésio. Antes de ser eleito vereador, Silésio tinha uma empresa na área da construção civil.

“Quero deixar claro que esta empresa já presta serviços para o município de Uberlândia antes de eu vir a ser vereador. Então essa empresa não foi colocada onde está por mim, nem ninguém ligado a mim ou autorizado por mim”, disse o vereador sobre a locadora de veículos. Sobre a eventual participação de seu tio na empresa, e consequentemente nas investigações, o vereador disse que não responde por atos de terceiros. “Eu tenho que responder pelos meus atos. Sobre eles que eu justifico.”

O vereador disse que está à disposição da promotoria para qualquer esclarecimento e acredita que as denúncias possam ter alguma motivação política. “Não acredito que isso venha do MP, mas que possa ter origem na divergência com o atual governo, devido ao enfrentamento que eu tenho feito na Câmara Municipal. Não tenho dúvida disso. E vou estar à disposição da Justiça no que for necessário e solicitado por ela em todo o momento”, afirmou.


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