30/05/2017 às 05h09min - Atualizada em 30/05/2017 às 05h09min

Morre o empresário Alfredo Júlio Rezende

O uberlandense foi um dos expoentes do agronegócio brasileiro

ROBERTA MELLO | ESPECIAL PARA O DIÁRIO
Avesso à imprensa, Rezende apareceu uma única vez na capa de uma revista em 1993 / Foto: Reprodução

Foi enterrado no último domingo, em Uberlândia, o empresário uberlandense Alfredo Júlio Rezende. Ele tinha 78 anos e faleceu em casa. Fundador da Granja Rezende, Alfredo foi um dos maiores empreendedores da cidade e do agronegócio brasileiro e contribuiu diretamente não só para o desenvolvimento econômico de Uberlândia, bem como para sua projeção no cenário nacional. Seu caráter visionário e perfeccionista foi responsável por dar origem ao moderno e atual perfil da avicultura brasileira, da qual por muitos anos a Granja Rezende foi o principal expoente.

Técnico agrícola de formação, Alfredo Rezende investiu em linhagens importadas e se tornou o maior produtor de matrizes de corte do país, o que significou que, em seu pico, até 60% dos frangos consumidos no País tinham origem na Granja Rezende.

Alfredo Rezende estabeleceu novos e inéditos padrões de qualidade para a produção animal e implantou, também de forma inédita, não apenas para o Brasil, mas para a maior parte do mundo, sistemas de biossegurança. Cercou-se sempre dos melhores profissionais existentes no mercado e conseguiu resultados técnico-qualitativos que ultrapassaram o território nacional e tornaram a Granja Rezende referência e modelo internacional não só na avicultura, mas também na produção de gado, de suínos e de ovos SPF (utilizados para produção de vacinas).

Rezende dedicou-se à diversificação da empresa, implantando abatedouros de frangos e de suínos, indústria de óleos vegetais e indústria de processamento das carnes produzidas, que caracterizaram a Rezende Alimentos. No auge de suas operações em 1997, a Rezende Alimentos oferecia mais de 5 mil empregos diretos e tinha um patrimônio de mais de R$ 2 bilhões (em valores atualizados).

Avesso à imprensa, às badalações e bajulações do mundo corporativo e social, Rezende era respeitado e querido pelos funcionários, colaboradores e parceiros de negócios, reconhecido como “justo, correto e generoso”. Em tudo que fazia, sua marca era a da excelência em qualidade. Após uma disputa judicial que inviabilizou as operações da empresa, a Rezende Alimentos foi vendida para a Sadia e ele se afastou totalmente do mundo dos negócios. Alfredo foi enterrado no cemitério Bom Pastor. Ele deixa a companheira Jane Engel, os filhos dela, que adotou como seus, e cinco filhos do primeiro casamento.


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