26/05/2017 às 05h50min - Atualizada em 26/05/2017 às 05h50min

Servidores do Ipremu são ouvidos em CPI na Câmara

Funcionários confirmaram aplicações acima do percentual permitido

VINÍCIUS ROMARIO | REPÓRTER
Esta foi a quarta reunião da CPI que investiga aplicações de risco do Instituto de Previdência Municipal / Foto: Vinícius Romário

Os servidores das gestões passadas de Odelmo Leão e Gilmar Machado que integravam o comitê de investimentos do Instituto de Previdência Municipal de Uberlândia (Ipremu) foram ouvidos ontem, na Câmara Municipal, durante a quarta reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), criada para investigar supostas irregularidades nas contas do instituto entre os anos de 2013 e 2016. Também foi ouvido Paulo Ricardo Blasi, diretor da empresa que fez uma auditoria no Ipremu neste ano.

Em depoimento, Claudio Barbosa e Mônica Silva Resende de Andrade, contratados pelo ex-diretor do Ipremu durante a gestão de Gilmar Machado para integrar o comitê, afirmaram que tinham conhecimento que investir acima de 25% em fundos, de acordo com a legislação, barraria a Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP).

Durante a gestão de Marcos Botelho, o Ipremu investiu acima dos 25% permitido, em um deles, o valor representava 43% do patrimônio do fundo.

Barbosa e Mônica Andrade confirmaram também que dois desses investimentos foram feitos após as eleições do ano passado, quando já sabiam que deixariam o governo.

Eles afirmaram que havia uma carta dos gestores desses fundos, na qual afirmavam que em 120 dias o valor acima dos 25% permitido seria devolvido sem cobranças de taxas, porém isso não ocorreu.

Questionados sobre o motivo de tirar investimentos de bancos de primeira linha, como Caixa Econômica Federal e Bradesco, para passar para fundos de risco, eles disseram que isso foi feito após análise da situação econômica da época. Segundo eles, isso foi feito com respaldo de uma consultoria financeira.

Auxiliados por uma advogada, Barbosa e Mônica Andrade entraram na quarta-feira (24) com um pedido de habeas corpus para que não tivessem que depor durante a CPI, mas a Justiça indeferiu. Após a CPI, a advogada não quis conceder entrevista e os depoentes também não.

A próxima reunião foi marcada para o dia 5 de junho, ocasião na qual o ex-diretor do Ipremu, Marcos Botelho, deve ser ouvido.

 

“INDÍCIOS DE MÁ FÉ”

Vereador considera depoimentos comprometedores

De acordo com o presidente da CPI do Ipremu, o vereador Wilson Pinheiro (PP), os depoimentos de Barbosa e Mônica Andrade foram comprometedores. “Eles confirmaram ter feito investimentos de risco logo após as eleições, deixando a responsabilidade para a gestão atual. Não podemos provar, mas tem indícios de má fé, principalmente por parte do ex-diretor Marcos Botelho”, afirmou Pinheiro.

Ainda segundo ele, é necessário esperar para saber quais serão os resultados da CPI, mas que acredita que a Justiça deve mover processo contra os gestores do Ipremu durante a gestão de Gilmar Machado.

CPI

A CPI foi instaurada a partir do resultado da auditoria realizada pela atual gestão municipal, que apontou um montante de R$ 340 milhões alocados em fundos de risco, sem garantias e sem liquidez. Ainda de acordo com o levantamento, no período de 2013 a 2016, o déficit atuarial do instituto aumentou em R$ 1,3 bilhão, passando de um saldo de R$ 890 milhões para R$ 2,2 bilhões. O déficit atuarial é o registro da diferença entre os bens e direitos, e as obrigações apuradas no final de um registro contábil.

Ao divulgar o resultado na época, o prefeito Odelmo Leão disse que o prejuízo com as aplicações feitas na gestão passada chegava próximo de R$ 95 milhões. O ex-prefeito Gilmar Machado rebateu as indagações.

Cerca de 12 mil servidores contribuem com o Ipremu, que tem hoje aproximadamente 3,5 mil aposentados e pensionistas.


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