25/05/2017 às 05h56min - Atualizada em 25/05/2017 às 05h56min

Cepes volta a divulgar inflação mensal

Pesquisadores adotaram nova metodologia e modernizaram os instrumentos de coleta de dados

WALACE TORRES | EDITOR
Reitor da UFU e o coordenador do Cepes no seminário que marcou retomada da divulgação do IPC / Foto: Gilberto Luís Pereira

Depois de mais de um ano de interrupção, o Centro de Estudos, Pesquisas e Projeto Econômico-Sociais (Cepes) do Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) volta a divulgar mensalmente o Índice de Preços ao Consumidor de Uberlândia (IPC). Ontem, durante a abertura de um seminário que marcou os 40 anos de criação do Cepes, foram apresentados os dados referentes ao ano de 2016 e aos quatro primeiros meses de 2017.

No acumulado do ano, a inflação medida pelo IPC-Cepes é de 1,33%, sendo 0,26% no mês de abril. As maiores variações no quadrimestre ficaram nos grupos de Educação (4,23%) e Transportes (3,30%), enquanto que as baixas tiveram como principais influências os Artigos de Residência (-3,02%) e Vestuário (-2,41%).

Em 2016, o IPC acumulado de Uberlândia foi de 5,33%, ante 6,58% do índice nacional (INPC-IBGE). Entre os grupos de consumo, o de Artigos de Residência foi que apresentou maior variação no ano passado, com um acumulado de 9,95%. Os eletrodomésticos foram os que mais contribuíram para a composição desse índice, com oscilações de alta e baixa ao longo do ano. Na sequência, vieram os grupos de Saúde e Cuidados Pessoais (8,99%) e Despesas Pessoais (8,98%).

O índice de inflação calculado pelo Cepes representa a variação de preço de uma cesta de consumo hipotético de uma família representativa que ganha de um a cinco salários mínimos. A Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) adotada para a obtenção do índice é de Belo Horizonte. “Essa pesquisa demanda muito tempo e muitas pessoas envolvidas. Por enquanto, não temos condições financeiras e de pessoal para fazer isso aqui”, disse o economista do Cepes Álvaro Fonseca. Ele explica que a POF é feita por amostragem através do acompanhamento de várias famílias por um período mínimo de seis meses. Nesse período, todas as relações de consumo daquela família (valor, quantidade, produtos, locais, etc) são anotadas numa caderneta que a cada semana é recolhida pelos pesquisadores. Esses dados é que vão embasar quais produtores irão compor a cesta de consumo. “Esse acompanhamento tem que ser constante, pois o padrão de comportamento das famílias muda ao longo do ano. No inverno, por exemplo, se consume outros tipos de produtos”, observa Álvaro. Esse recorte de renda é o mesmo utilizado pelo IBGE para apurar o IPCA nas principais capitais do país.

 

PESQUISA

IPC tem nova metodologia de coleta de dados

A divulgação do IPC-Cepes foi encerrada em dezembro de 2015, mas os dados foram colhidos. Nesse período, os pesquisadores do Cepes aproveitaram para fazer a reestruturação do índice, que compreendeu a atualização da cesta de produtos e a adoção da pesquisa orçamentária familiar de Belo Horizonte. Somente em 2016, foram apurados mais de 80 mil preços de 315 produtos e serviços.

A nova metodologia adotada pelo Cepes permitiu ampliar a base de coleta de dados. Ao todo, foram coletados preços de 408 estabelecimentos tanto na região central como nos bairros de Uberlândia, o que é uma novidade na pesquisa. “A cidade cresceu muito desde a última atualização, por isso descentralizamos a coleta para atender também os bairros, onde estão boa parte das famílias com renda de um a cinco salários mínimos”, aponta o economista Álvaro Fonseca. Outro comportamento que essa descentralização permitiu identificar é a diferença de preços praticados entre uma região e outra da cidade. “Os supermercados foram para os bairros e, mesmo aqueles com mesma bandeira, não praticam os mesmos preços do Centro”, diz.

Segundo o coordenador do Cepes, Rick Humberto Naves de Galdino, houve melhorias na coleta de dados a partir da modernização dos instrumentos utilizados na coleta, como a adoção de tablets. “Além da retomada da divulgação do IPC, esse momento marca também a retomada da divulgação de diversos outros trabalhos que tem como base de estudo a região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba”, diz, citando como exemplos trabalhos com foco em emprego, PIB, IDH e finanças públicas dos municípios da região. “O Cepes tem como pano de fundo a cidade de Uberlândia, subsidiando de informações as políticas públicas. E como já é histórico, expandir esse olhar também para região devido à carência que se tem de informações”, completa Rick.

“O Cepes é um patrimônio da UFU que tem prestado serviços relevantes também para a região e para Uberlândia, que tem características especiais que a diferenciam de outras regiões. Os indicadores precisos capazes de captar a nossa realidade regional são indispensáveis para a formulação de políticas públicas”, disse o reitor Valder Steffen.


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