18/05/2017 às 08h48min - Atualizada em 18/05/2017 às 08h48min

Abril foi o melhor mês de contratações

RESULTADO DO CAGED APONTA SALDO POSITIVO DE 495 POSTOS FORMAIS DE TRABALHO EM UBERLÂNDIA

Walace Torres - editor
Da Redação
O setor de serviços foi o que mais contribuiu com o resultado positivo no primeiro quadrimestre

O mês de abril foi o melhor período de 2017 no mercado de trabalho em Uberlândia, com a abertura de 495 postos formais de trabalho, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados pelo Ministério do Trabalho. Foi o terceiro mês consecutivo de saldo positivo na cidade, e a primeira vez que o acumulado do ano aponta mais contratações do que admissões.

No acumulado de janeiro a abril, Uberlândia teve um saldo de 252 novos postos de trabalho. O único mês que houve retração foi janeiro, que apresentou saldo negativo de 369 vagas. O desempenho de Uberlândia em abril acompanhou a tendência verificada em nível nacional (saldo positivo de 59,9 mil postos) e também em Minas Gerais (14,8 mil novas vagas), que foi o segundo estado com maior saldo positivo no último mês, perdendo apenas para São Paulo.

Em abril, as admissões na cidade totalizaram 8.075 carteiras assinadas enquanto que os desligamentos chegaram a 7.580 postos. O setor que mais impulsionou a abertura de vagas em abril foi o de serviços, com 488 postos. Foi o único setor que apresentou saldo positivo nos quatro primeiros meses do ano em Uberlândia. A agropecuária foi o segundo ramo que teve mais contratações do que admissões, com saldo positivo de 286 em abril.

Em contrapartida, a construção civil, que em anos anteriores era o setor que mais favorecia para alavancar a abertura de novos postos no município, este ano fechou os quatro meses com saldo negativo.

Segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, Pedro Spina, o cenário em Uberlândia é reflexo do que acontece no setor em Minas Gerais e no país. “Para que o mercado volte a reagir, três pontos são fundamentais: a pessoa precisa estar empregada e ter renda, estar sem dívidas e ter confiança de que não vai perder o emprego. Sem isso, o setor não consegue vender novas unidades, e, consequentemente, não contrata”, diz Spina.

Ainda de acordo com o representante do setor, a burocracia e a demora na aprovação de reformas pelo Governo Federal também têm contribuído para travar o processo. “A burocracia no mercado imobiliário chega a custar quase 12% do preço do imóvel. Leva quase uma gestação para concluir todo o processo de aprovação em vários órgãos (...). A aprovação da terceirização, a melhoria da lei trabalhista, vão consolidando uma estrutura do governo para a coisa deslanchar”, disse, destacando que o setor tem expectativa de que o segundo semestre seja diferente. “As construtoras já estão colocando seus projetos para executar, só que a reação ainda não aparece. O tempo foi curto”.

 

RETOMADA

Saldo reflete reposição de vagas perdidas, diz economista

 

Na avaliação do economista Benito Salomão, ainda é cedo para falar em recuperação, apesar de considerar que o saldo positivo nos últimos três meses representa um alívio para o mercado e pode configurar uma tendência para o restante do ano. “Uberlândia perdeu entre os anos de 2015 e 2016 um total de 6.002 postos de trabalho. O saldo positivo agora pode refletir uma reposição de vagas perdidas no último trimestre do ano passado, quando algumas empresas demitiram e operaram com nível abaixo do necessário para conseguir sobreviver”, avalia Benito.

Outro movimento que justifica a melhora, no entendimento do economista, pode estar relacionado à reforma trabalhista aprovada na Câmara dos Deputados. “Essa nova regulamentação das regras de trabalho pode estar despertando uma nova demanda por serviço, pois vai reduzir custos, flexibilizar horários”, diz, lembrando que, em Uberlândia, o setor de serviços foi o que mais contribuiu para que o saldo fosse positivo nos últimos meses.

 

 

Caged Uberlândia - 2017

 

SETORES              SALDO/JANEIRO              SALDO/FEVEREIRO         SALDO/MARÇO               SALDO/ABRIL

Extrativa Mineral             -5            0             -2            0

Indústria de Transformação       -63         70           -52         -196

Serviços Industriais de Utilidade Pública              33           -12         4             -9

Construção Civil               -67         -57         -102       -100

Comércio            -447       -229       -247       25

Serviços               203         150         214         488

Administração Pública   -6            1             1             1

Agropecuária    -143       144         267         286

 

GERAL  JANEIRO              FEVEREIRO         MARÇO               ABRIL

Admissões         8.222     8.042     8.764     8.075

Desligamentos 8.591     7.975     8.681     7.580

SALDO  -369       67           83           495

 

*No acumulado do ano, o resultado da soma dos saldos pode sofrer diferença em função de ajustes feitos pelo MTE


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