08/05/2017 às 08h16min - Atualizada em 08/05/2017 às 08h16min

Ferreomodelismo proporciona diversão e terapia

Hobby é praticado em casa e agrada a toda família; uberlandense já investiu mais de R$ 20 mil na montagem de estrutura

Letícia Petruccelli
Da Redação
Rogério Freitas – Divulgação: ferreomodelista pretende construir em uma réplica da Alameda Corredor, de Los Angeles .

Quando se gasta dinheiro em algo que ajuda a relaxar, não é um custo e sim um investimento. Pelo menos este é o pensamento de ferreomodelistas de Uberlândia. O vigilante Rogério Freitas, de 38 anos, diz esquecer de tudo quando está praticando o hobby. “O ferreomodelismo é minha terapia, meu momento de lazer, todos os meus problemas somem quando estou mexendo nas minhas locomotivas. Nos fins de semanas eu fico de três a quatro horas brincando”, diz Rogério, que ainda não tem maquete, mas já gastou em torno de R$ 20 mil com o hobby que pratica desde 2007. “Quando era criança, sonhava em ter um ferrorama (brinquedo com ferrovia e locomotiva), mas meu pai não tinha condições de me dar um. E em 2007 eu estava passeando em um shopping da cidade e vi os trens, fiquei cativado e adquiri meu primeiro kit”, relembra Rogério que hoje tem 49 locomotivas e 107 vagões, além de casinhas e outros objetos para a montagem da maquete. “Pretendo começar a montagem da maquete em uns dois meses, já tenho praticamente todo o material necessário”, diz.

O motorista de caminhão Joab Arantes da Silva já gastou R$ 8 mil com o hobby, mas ainda não finalizou o projeto. “Comecei a fazer minha maquete há pouco tempo, ela tem apenas 2m2, tenho o básico montado, mas falta acrescentar muita coisa ainda”, diz Joab que trabalhou durante três anos em trilhos de trens. “Minha paixão por trens é velha”, diz.

A prática do ferreomodelismo é antiga. O hobby é o ramo do modelismo que procura criar em escala todos os aspectos do mundo ferroviário real, não é uma reprodução estática de equipamentos como locomotivas ou vagões, mas de todo o ambiente de uma ferrovia de verdade, incluindo pátios, estações, casas, desvios, montanhas. Esse hobby continua atraindo novos adeptos. Segundo o diretor da única fabricante de locomotivas em miniaturas da América Latina, Lucas Frateschi, a busca pelo hobby aumentou por ser um momento de lazer que pode ser praticado em casa. “Esse tipo de modelismo é mais acessível do que outros, não é necessário ter um espaço próprio para a prática, como o aeromodelismo”, conta. Segundo ele, o kit inicial para a montagem da maquete básica custa a partir de R$ 300.  Não há limite, vai da imaginação e espaço de cada pessoa. “Os ferreomodelistas vão comprando conforme vão criando novas paisagens. Conheço pessoas que tem maquetes de 12m2 na garagem, e continua aumentando”, diz Lucas.

Para montar a maquete, o ferreomodeslista precisa pensar em todos os detalhes para deixá-la o mais real possível. O motorista Marcos Melo, de 42 anos, tem pouco espaço no apartamento, por isso tem apenas uma maquete oval, mas ele ainda sonhar em fazer uma réplica da Alameda Corredor, de Los Angeles. “Quero concluir esse projeto ainda este ano, vou usar o jardim da casa da minha mãe, o modelo vai chegar a 12m2 e vai ficar exposta ao sol e à chuva. Estou aprendendo a montar a maquete assistindo vídeos no Youtube. Sempre estou olhando os detalhes da Alameda, tento aprender mais sobre o local”, conta Marcos que diz dedicar todo o tempo livre ao hobby.

Joab Arantes diz que é necessário ter calma durante a montagem do projeto. “Leva tempo para construir a maquete, pois é necessário tirar medida de tudo, não tem como fazer com pressa”, conta o ferreomodelista.

Uma dificuldade enfrentada para a prática do hobby em Uberlândia é que não há loja especializada em ferreomodelismo na cidade, segundo relata Marcos Melo. “Eu tenho que pedir os produtos pela internet, quase todos vêm de São Paulo, algumas réplicas vêm importadas de outros países. Acredito que a prática deste hobby ainda não é grande em Uberlândia por não existir referências aqui”, diz Marcos.

 

Hobby reúne família e amigos

 

Uma boa forma de driblar a correria do dia a dia é aproveitar os poucos momentos com a família e achar algo atrativo para todos. Segundo o diretor de uma fabricante de locomotivas em miniaturas, Lucas Frateschi, a prática do ferreomodelismo une adultos e crianças em um mesmo interesse: se divertir. “Não tem idade máxima para o hobby, e qualquer criança pode participar. Homens costumam ver nisso uma terapia, crianças enxergam como uma brincadeira, mulheres acabam gostando pelo fato dos maridos estarem se distraindo em casa, e não na rua. Durante a montagem da maquete e até depois dela já está pronta, todos se divertem”, conta.

Ainda segundo Lucas, as pessoas praticam o hobby em qualquer época do ano, com ou sem dificuldade financeira. “Algumas famílias se uniram mais com a crise econômica que assustou o país. Quando algumas pessoas começaram a ficar mais tempo em casa, acabaram encontrando no ferreomodelismo uma forma de distrair a mente e se aproximar mais dos familiares”, relata Lucas.

O ferreomodelismo também tem criado novas amizades. O motorista Marcos Melo diz se reunir esporadicamente com um grupo de amigos de Uberlândia para trocar ideias sobre a prática. “Geralmente ‘brinco’ sozinho, mas faço parte de um grupo de ferreomodelistas. Aqui em Uberlândia somos apenas três pessoas. Mas no grupo têm muitas pessoas de outros estados, nós compartilhamos ideias e falamos sobre projetos”, diz. 


Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »