02/05/2017 às 08h31min - Atualizada em 02/05/2017 às 08h31min

Centro oferece práticas integrativas

Rede pública conta com acupuntura, reiki, entre outras práticas que auxiliam no tratamento de doenças

Letícia Petruccelli | Repórter*
Especialista afirma que acupuntura alivia dores crônicas

Enxaqueca e depressão são algumas das doenças cujo tratamento com medicamentos pode causar dependência. O que muitos não sabem é que, em casos como esses e de outras doenças, algumas práticas podem aliviar os sintomas, auxiliar no tratamento medicamentoso, proporcionar mais qualidade de vida, além de prevenir enfermidades. Tratamentos como acupuntura, homeopatia, terapia floral, entre outros recursos terapêuticos baseados em conhecimentos tradicionais fazem parte do que é oferecido pela Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PICs) do Sistema Único de Saúde (SUS).

No fim de março deste ano, o Ministério da Saúde incluiu 14 novos procedimentos à PICs e, desde o ano passado, Uberlândia conta com o Centro de Referência de Práticas Integrativas Complementares em Saúde (CRPICS), localizado no Centro da cidade. Na unidade, que conta com 20 funcionários, são oferecidos tratamentos como acupuntura e auriculopuntura, homeopatia, medicina antroposófica, reiki, meditação, massoterapia e reflexologia, terapia floral, arteterapia, dança circular e práticas corporais: Unibiótica.

De acordo com a coordenadora do CRPICS em Uberlândia, Willma Nunes, há fila para atendimento no Centro e algumas práticas também são oferecidas em parte das unidades básicas de saúde da família. “Temos poucos funcionários. Estávamos com fila de espera de 1 mil pessoas para acupuntura, mas conseguimos diminuir bastante a fila. Futuramente pretendemos que cada UBSF tenha um profissional capacitado para realizar algumas PICS”, disse Wilma. Em 2016, o Centro atendeu 13.469 pacientes. Em março de 2017 foram atendidas 2.186 pessoas.

Encaminhamento

Para ser atendido no Centro de Referência de Práticas Integrativas Complementares em Saúde o paciente precisa receber a recomendação de um profissional de saúde com ensino superior, cadastrado na rede, e que seja médico, enfermeiro, terapeuta, cirurgião-dentista, psicólogo, terapeuta ocupacional, assistente social, fonoaudiólogo, fisioterapeuta ou nutricionista. O profissional que indicar deve preencher uma ficha especificando o motivo da indicação.

“Muitas pessoas chegam aqui para fazer acupuntura, mas na realidade a prática mais indicada é o reiki. E assim sucessivamente. Por isso, pedimos ao profissional da UBSF especifique qual benefício é esperado para o paciente com aquela atividade. Se chega para nós indicando a atividade errada, nós direcionamos o paciente para a área correta e, assim, evitamos filas”, diz a coordenadora da unidade, Wilma Nunes.

O paciente com a recomendação entra na fila de espera com classificação de prioridade. “Alguns pacientes são tratado com três sessões, outras com 15, alguns precisam ser acompanhados mais detalhadamente. Por isso o tempo de cada tratamento é muito relativo”, diz o médico especialista em acupuntura, Lucas de Oliveira. 

Fitoterapia

A fitoterapia, que é a utilização de plantas no tratamento e uma das práticas integrativas mais comuns, ainda não é oferecida pela rede municipal de saúde. Segundo a coordenadora do Centro, isso acontece porque a Prefeitura não tem uma farmácia de manipulação. “Nós temos profissionais capacitados em manipular as plantas e orientar os pacientes quanto à troca, temos a nossa horta própria, mas não podemos oferecer o serviço”, afirmou.

MELHORA

Paciente tem ganho na qualidade de vida

Algumas atividades fazem com que pacientes não dependam mais de medicamentos, segundo o médico especialista em acupuntura, Lucas Menezes de Oliveira. De acordo com médico, o paciente só precisa respeitar o tratamento como um todo. “Não adianta um paciente que veio fazer acupuntura por causa de uma dor no braço, sair daqui e já pegar peso, pois ele vai lesionar de novo. Os tratamentos com práticas integrativas não vão solucionar o problema definitivamente se o paciente não se cuidar”, conta o médico.

Joana Dark de Oliveira começou a fazer acupuntura há cinco meses por causa de enxaqueca e, antes deste tratamento, tomava remédio de oito em oito horas. “Após os primeiros meses que comecei a fazer acupuntura não precisei mais tomar remédios. Além disso, hoje eu durmo melhor. O tempo que eu dormia não mudou, mas agora eu descanso de verdade, pois a acupuntura relaxa todo o corpo”, disse.

BRASIL

Mais de 1,7 mil municípios têm tratamentos

Desde a implantação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares, em 2006, a procura e o acesso dos usuários do SUS a esses procedimentos tem crescido significativamente. Em 2016, mais de 2 milhões de atendimentos das PICs foram realizados nas Unidades Básicas de Saúde de todo o país, sendo 770 mil de medicina tradicional chinesa, incluindo acupuntura, 85 mil de fitoterapia, 13 mil de homeopatia e 923 mil de outras práticas integrativas que ainda não possuíam código próprio para registro e que passaram a fazer parte do rol no início deste ano.

Atualmente, além de Uberlândia, 1.707 municípios oferecem práticas integrativas e complementares. A distribuição dos serviços está concentrada em 78% na atenção básica, principal porta de entrada do SUS, 18% na atenção especializada e 4% na atenção hospitalar.

Os recursos para as PICS integram o Piso da Atenção Básica (PAB) de cada município, podendo o gestor local aplicá-los de acordo com sua prioridade. Em 2016, o investimento do Ministério da Saúde na Atenção Básica foi de R$ 16,7 bilhões para todo o país. Alguns tratamentos específicos, como acupuntura recebem outro tipo de financiamento, que compõe o bloco de média e alta complexidade, que, no ano passado, teve investimento total de R$ 45,2 bilhões. Estados e municípios também podem instituir sua própria política, considerando suas necessidades locais, sua rede e processos de trabalho.

 

SERVIÇO

Saiba mais sobre as práticas oferecidas Centro de Referência de Práticas Integrativas Complementares em Saúde

- Acupuntura: criada há mais de dois milênios, é um dos tratamentos médicos mais antigos do mundo e consiste na estimulação de locais anatômicos, sobre ou na pele, com agulhas.

- Dança circular: é uma prática terapêutica que reúne adeptos em busca do autoconhecimento com movimentos que remetem às tradicionais danças de roda.

- Homeopatia: muito confundida com a fitoterapia, a homeopatia tem como finalidade encontrar um medicamento que foi capaz de causar nos indivíduos sadios sintomas semelhantes aos que se desejam combater nos indivíduos doentes, estimulando o organismo a reagir contra a sua enfermidade.

- Reiki: é uma técnica japonesa para redução do estresse e relaxamento que promove a cura.  O método é aplicado por meio de um sistema natural de harmonização e reposição energética transmitida através da “imposição de mãos” e baseia-se na ideia de que uma “energia vital” invisível flui através das pessoas.

- Meditação: a meditação acontece quando a mente está calma, serena, em paz e livre da agitação. Especialistas afirmam inclusive que o descanso obtido com a meditação é mais benéfico e eficaz do que o sono profundo.

- Antroposofia: pode ser caracterizada como um método de conhecimento da natureza do ser humano e do universo.

- Massoterapia: são técnicas de massagens aplicadas de acordo com o diagnóstico do paciente

- Terapia Floral: o objetivo é o equilíbrio das emoções por meio do uso das essências de flores. Ela ajuda a lidar com sentimentos que estão em conflito, que são negados ou que é preciso modificar. Como a insatisfação, a incerteza, insegurança, a raiva, entre outros.

- Arteterapia: é um recurso terapêutico que faz uso de sensibilizações corporais e construções criativas facilitando a redimensão de experiências, a compreensão da atividade psíquica e ampliação dos sentidos por meio do processo de criação do individuo ou do grupo. 

*Programa de aprimoramento profissional


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