26/04/2017 às 08h16min - Atualizada em 26/04/2017 às 08h16min

Jovem é vítima de racismo em formatura

Dandara Castro registrou queixa após ser agredida física e verbalmente em festa no último fim de semana

VINÍCIUS ROMARIO - REPÓRTER
Da Redação
Dandara – crédito: Reprodução/Facebook Dandara, que é pedagoga, contou que teve o turbante arrancado por grupo de homens

Um caso de racismo registrado em Uberlândia no último fim de semana ganhou repercussão nacional. A pedagoga Dandara Tonantzin Castro, de 22 anos, contou ter sido agredida física e verbalmente com ofensas racistas durante uma festa de formatura do curso de Engenharia Civil da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), realizada no Palácio de Cristal no último sábado (22).

“Infelizmente convivo com o racismo, mas é a primeira vez que sou agredida fisicamente e fiquei em choque. Em tempos em que a igualdade é tão debatida, isso não pode mais acontecer, e, se acontecer, que os agressores sejam punidos, como espero que os meus sejam”, disse.

A pedagoga, que também é membro do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), conta que as ofensas partiram por parte de um grupo de homens que a zombavam por usar um turbante. “Isso era depois das 6h, numa parte externa da festa. Estava passando pelas pessoas quando senti um puxão na cabeça e, quando olhei, um homem zombou de mim por eu estar com um turbante, reclamei com ele e sai”, afirmou.

Porém, o caso não se encerrou. Dandara diz que mais tarde voltou a encontrar o jovem na festa, que novamente a ofendeu. “Mas dessa vez ele chamou os amigos, que me cercaram em uma rodinha. Foi então que senti um puxão muito mais forte, eles arrancaram meu turbante, jogaram no chão e um deles ainda me jogou um copo de cerveja. Eu não tive reação, só sai correndo”, disse.

Ao notarem a situação, os amigos de Dandara chamaram os seguranças do evento, que tiraram os jovens da festa. Apesar disso, ela conta que sofreu mais ameaças. “As namoradas deles vieram para cima de mim, me acusaram, como se eu tivesse culpa por eles terem sido tirados da festa. Ninguém está preparado para esse tipo de situação. ”

O caso de racismo sofrido pela pedagoga em Uberlândia repercutiu nacionalmente depois que ela compartilhou um relato em seu perfil no Facebook. “Vivemos em um País onde dizem que todos são iguais perante a lei. Mas, será que somos mesmo? O racismo ainda estrutura relações na nossa sociedade. Por discriminação racial, alguns são privados de muitas oportunidades na vida. Precisamos exterminar essa cultura, precisamos falar cada vez mais sobre isso e, quem sabe, um dia seremos vistos como iguais, como realmente somos”, afirmou Dandara.

 

MEDIDAS

 

Polícia trabalha para identificar agressores

 

Dandara Castro conta que foi a última a sair da festa, com medo de sofrer novas agressões do lado de fora do evento. A jovem disse que após sair do local foi para a casa, onde conversou com a família, e logo depois procurou um posto da Polícia Militar (PM) no bairro Santa Mônica, onde registrou o boletim de ocorrência. “Até na hora que dar queixa, eu sofri. Eles não queriam aceitar o caso como racismo. Tive que prestar queixa como agressão física motivada pelo racismo”, afirmou.

Além da PM, Dandara também já denunciou o caso para a Ouvidoria Nacional da Igualdade Racial e também já procurou o Ministério Público.

“A Polícia Civil disse que está instaurando o processo de investigação e a casa de festas está ajudando com as imagens para o reconhecimento dos agressores. Espero que eles sejam realmente punidos e que esse caso sirva como exemplo para que o racismo tenha fim” disse.

 

POSICIONAMENTO

 

UFU e Palácio de Cristal divulgam notas de repúdio

 

Por meio de nota, a UFU informou que “repudia veementemente todas as situações de discriminação, preconceito, exclusão, violência e intolerância. Com relação ao suposto caso de racismo relatado, que teria ocorrido fora do âmbito da instituição, a UFU está apurando as informações”.

O Palácio de Cristal, local onde aconteceu a formatura em que Dandara Castro estava, também se posicionou por meio de nota informando que lamenta o ocorrido em suas dependências e esclarecendo que os fatos se deram entre convidados do evento. A nota informa ainda que “a empresa conduziu a solução do problema com todo o profissionalismo, sendo que os seguranças agiram dentro dos limites legais e de acordo com seus treinamentos, sempre respeitando a todos os envolvidos, sem fazer distinção de qualquer natureza entre eles. A empresa reafirma que repudia veementemente todo e qualquer tipo de preconceito e/ou discriminação de qualquer natureza, prezando sempre pelo respeito incondicional a todas as pessoas, respeito este evidenciado pelos 25 anos de serviços prestados aos seus clientes”.

 

 

 

 


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