18/04/2017 às 08h17min - Atualizada em 18/04/2017 às 08h17min

Pacientes pedem solução para demora de cirurgias

Grupo de pessoas com problemas cardíacos se mobiliza para tentar liberação dos procedimentos

VINÍCIUS ROMARIO - REPÓRTER
Da Redação
VINÍCIUS ROMARIO | REPÓRTER

Um grupo de pacientes com problemas cardíacos e que esperam por procedimentos cirúrgicos feitos pelo SUS se reuniu ontem (17) para cobrar do poder público mais agilidade na realização das cirurgias.

Uma das porta-vozes do movimento, a dona de casa Liamar Nonato da Silva é esposa de um dos pacientes que esperam por cirurgia e disse que o grupo nasceu após uma reunião feita há 15 dias com médicos do Hospital de Clínicas da UFU (HC-UFU). “Eles nos disseram que, por falta de material, apenas três cirurgias cardíacas vêm sendo feitas por mês, antes eram cerca de 20. A gente entende que um hospital só não consegue atender essa demanda, ainda mais em época de crise”, afirmou Liamar.

Ainda de acordo com ela, a situação pirou com o fechamento do Hospital Santa Catarina, que era a unidade credenciada pelo SUS para esses procedimentos na cidade. "Como a regulação encaminha os pacientes das cidades vizinhas para que os procedimentos sejam feitos em Uberlândia, a fila vai aumentando”, disse. A Prefeitura de Uberlândia, responsável pela regulação do SUS na cidade, não informou quantas pessoas aguardam pelos procedimentos.

Liamar Silva também informou que a intenção do grupo é passar a demanda para a Prefeitura de Uberlândia, para o Estado e para o Ministério Público Federal (MPF) e Estadual (MPE). “Temos aqui uma unidade de saúde muito importante que é o Hospital Municipal. E por que essas cirurgias não podem ser feitas lá? Não podemos esperar mais, são casos graves e precisam de ajuda”, ressaltou.

O aposentando Sebastião Marcacine, de 59 anos, disse ter uma válvula no coração que deveria ter sido trocada há seis meses. “O pessoal do HC-UFU disse que tem a estrutura e médicos para realizar a cirurgia, mas não tem material e não tem dinheiro para comprá-lo. Enquanto isso a gente fica correndo risco e esperando”, afirmou.

O também aposentado Joaquim Remi Leandro, de 59 anos, espera por uma cirurgia para desobstruir a circulação de sangue no coração há seis meses, mas diz que a falta de material também é o motivo para que o procedimento não seja feito. “A gente paga imposto a vida inteira e, quando precisa, ainda mais em um caso grave como esse, não tem o retorno necessário. Há um ano que passo a maioria dos meus dias deitado em casa, pois com esse problema me canso muito e passo mal”, disse Joaquim.

 

ALTERNATIVAS

 

Prefeitura busca hospitais particulares

 

O assessor técnico da Secretaria Municipal de Saúde, Clauber Lourenço, disse que o Município já tem feito algumas ações procurando solucionar o problema. “Tínhamos um pacto com o HC-UFU e com o Santa Catarina para que cada um deles fizesse 20 cirurgias por mês, porém o Santa Catarina fechou e o HC tem conseguido realizar em média oito procedimentos cirúrgicos por mês”, afirmou.

Ele informou também que houve uma reunião com a diretoria do HC para que o número de cirurgias volte a subir, e que já houve também um convite aos hospitais particulares da cidade para verificar se há o interesse de algum deles no credenciamento pelo SUS. “Esse convite foi feito e nos próximos dias deveremos saber se teremos uma nova unidade credenciada”, ressaltou.

Sobre o questionamento do Hospital Municipal fazer as cirurgias cardíacas, Clauber disse que é inviável neste momento. “Para que o Hospital Municipal se credencie, seria necessário mudar a configuração da unidade, e isso afetaria os serviços que são oferecidos atualmente e teríamos que fechar leitos. Acredito que teremos uma resposta positiva de algum hospital particular sobre o credenciamento. Caso isso não ocorra, poderemos pensar na possibilidade do credenciamento do Hospital Municipal”, finalizou.

Por meio da assessoria de imprensa, o HC-UFU disse que se posicionará sobre o assunto em uma coletiva de imprensa que será realizada hoje.

 


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