06/04/2017 às 08h45min - Atualizada em 06/04/2017 às 08h45min

Greve atinge 43 escolas estaduais na cidade

Categoria irá definir hoje, em Belo Horizonte, os rumos do movimento; em Uberlândia decisão foi pela manutenção

Walace Torres - editor
Da Redação
Escola Américo René Giannetti é uma das escolas que aderiram totalmente à greve

Quase 40 mil alunos da rede estadual de ensino estão sem aulas em Uberlândia há 22 dias por causa da greve decretada pelos profissionais da Educação em meados de março. Em Uberlândia, 43 das 70 escolas estaduais estão paralisadas, total ou parcialmente, segundo a Secretaria de Estado de Educação. A quantidade também é a mesma verificada pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE). Cerca de 1.700 professores paralisaram suas atividades e 38.900 alunos estão sem aulas. Na área de abrangência da Superintendência Regional de Ensino de Uberlândia, que contempla oito municípios, a paralisação atinge 61 das 110 escolas e 47.800 alunos.

Hoje, em Belo Horizonte, acontece a assembleia geral da categoria que definirá o futuro do movimento. Em Uberlândia, os profissionais se reuniram ontem à tarde e decidiram, em assembleia regional, recomendar a continuidade do movimento. Dois ônibus seguem hoje para a capital mineira levando servidores de Uberlândia e região para a assembleia estadual.

A principal reivindicação da categoria é o reajuste de 7,64% do piso nacional. Em Minas, o governo propôs adotar o novo piso a partir de junho, com pagamento em julho, mas os servidores querem retroativo a janeiro. Há ainda a cobrança da diferença de três meses do ano passado, uma vez que o reajuste do piso em 2016 começou a vigorar em abril.

Os profissionais da educação também cobram empenho do Estado e dos representantes na Câmara dos Deputados na defesa contra a reforma da Previdência. No caso de Uberlândia, a classe ainda reivindica a regularização do atendimento à saúde dos servidores. Há mais de um ano os servidores estão sem a cobertura hospitalar do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg) na cidade. “Quando precisa de atendimento, o servidor vai até as UAIs, mas continua pagando convênio”, disse a presidente do Sind-UTE em Uberlândia, Elaine Cristina Ribeiro. Ela explica que nos casos mais complexos os servidores precisam se deslocar até Araguari, onde há dois hospitais conveniados, ou Uberaba, onde há três unidades credenciadas.

A greve foi deflagrada a partir da paralisação nacional do dia 15 de março. Desde então, os educadores têm feito atividades nas escolas e bairros. Esta semana, por exemplo, teve uma passeata e orientação aos pais no bairro Jardim das Palmeiras.

 

Mobilização

 

Minas Gerais é praticamente o único estado onde os servidores da rede estadual aderiram à mobilização em massa contra a reforma da Previdência. Segundo cálculos do Sind-UTE, mais da metade das escolas em todo o Estado segue em greve.

Simone Cristina Machado vive os dois lados da situação. Ela é professora em duas escolas estaduais e também tem uma filha na rede estadual de ensino. “Não vejo muita diferença, pois eu entendo o movimento e minha filha também entende. Ela faz a parte dela em casa, está estudando para o vestibular, tem o Enem no fim do ano. Ela vai precisar de reposição e eu também, mas não existe bônus sem ônus. A gente precisa garantir pelo menos uma qualidade melhor de trabalho para a categoria”, diz a professora de Inglês. Ela disse ainda que não se conforma com a reforma da Previdência da maneira como foi proposta. “Quem começar agora [a contagem de tempo] e se adequar às novas regras, terá que trabalhar como um demente. Não dá para entender”.

Posição semelhante tem o professor de Matemática Klenilson de Freitas. “Pelas contas, eu vou me aposentar aos 71 anos. Como é que vou ter condições físicas e psicológicas de dar aulas nessa idade?”, argumenta.

 

ESTADO

Governo ressalta itens de acordo firmado em 2015

 

Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Educação informou que o Governo de Minas Gerais está em negociação com os representantes dos trabalhadores e reitera que “é de fundamental importância a valorização de todas as categorias da Educação”. Por isso, considera necessário o esforço em cumprir os itens do acordo firmado entre o governador Fernando Pimentel e os representantes dos trabalhadores em 2015. “Vale ressaltar que a pauta principal da greve dos trabalhadores da Educação é a Reforma da Previdência (PEC 287) proposta pelo Governo Federal.”

Em relação às pautas específicas na esfera estadual, a Secretaria esclarece que desde o início da gestão já foram nomeados 41.051 servidores, sendo que no dia 15/03 foi publicada uma nova lista com 1.500 professores. Também foram publicados 28.911 atos de aposentadoria dos servidores da Educação, outro item do acordo.

“Diante das limitações financeiras e das implicações jurídicas impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal, o Governo de Minas Gerais está avaliando a melhor forma de atingir o novo valor do Piso Nacional, reajustado em 7,64% pelo Ministério da Educação em janeiro de 2017, mas garante o cumprimento do acordo firmado.”

Em relação as aulas perdidas, a Secretaria informou que a reposição será feita a partir de um calendário a ser definido por cada escola em conjunto com o seu colegiado, de forma a garantir os dias letivos previstos em resolução.


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