15/03/2017 às 08h38min - Atualizada em 15/03/2017 às 08h38min

Escolas paralisam atividade hoje

MANIFESTAÇÃO CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA TERÁ ADESÃO DE FUNCIONÁRIOS DO MUNICÍPIO, ESTADO E UNIÃO

Walace Torres – editor
Agência Brasil
Parte das escolas municipais e também da rede estadual deve aderir ao movimento nacional

Pelo menos 70 escolas das redes municipal e estadual de ensino em Uberlândia devem paralisar totalmente as atividades hoje, durante o dia nacional de mobilização contra a Reforma da Previdência. Pela manhã, está previsto uma manifestação na Câmara Municipal por parte de um grupo de profissionais da educação municipal, que ainda cobram o pagamento dos salários de dezembro. À tarde, a concentração será na praça Tubal Vilela, no Centro, com as presenças de funcionários do Município, do Estado e da União.

A rede municipal conta com 120 escolas e a estadual tem 67 em Uberlândia. Segundo a coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-Ute) em Uberlândia, Elaine Cristina Ribeiro, na rede estadual o movimento deve se estender por mais tempo. “Temos uma pauta de greve geral, e 20 escolas já confirmaram que vão paralisar por tempo indeterminado”, disse Elaine, citando como itens da pauta a questão do atraso nos salários, reajuste do piso e congelamento da carreira.

Na rede municipal, a previsão é que pelo menos 50 escolas estejam totalmente paralisadas hoje. Tanto nas escolas do Estado quanto do Município os pais receberam avisos para não levarem os filhos na escola nesta quarta-feira.

O monitoramento das atividades nas escolas tem sido feito pelas redes sociais. Vários grupos divulgaram a adesão ao movimento. “Podemos afirmar que a manifestação será grande. Não concordamos com nada dessa Reforma”, disse o diretor do sindicato dos professores da rede estadual, Ronaldo Ferreira. “Somos contra a idade mínima, o fim da aposentadoria especial, o aumento do tempo de contribuição, o fim das pensões”, completa.

A manifestação também vai contar com adesão de funcionários da esfera federal. O Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos da Universidade Federal de Uberlândia (Sintet-UFU) também confirmou que haverá mobilização tanto nos campu quanto no Hospital de Clínicas. “Todos os setores estão mobilizados, apenas no Hospital de Clínicas é que haverá a permanência de 30% do pessoal na Urgência e Emergência”, disse uma representante da coordenação colegiada Celeste Francisca Silva.

Entre os docentes da UFU a adesão não vai gerar transtornos em sala de aula já que a universidade está em recesso administrativo até o dia 3 de abril, quando as aulas serão retomadas. O calendário universitário de 2016 só terminou na semana passada.

 

Emendas ao texto

 

A Reforma da Previdência é um dos destaques do Congresso Nacional nesta semana, quando termina o prazo para apresentação de emendas. Até agora, os deputados apresentaram 57 sugestões para alterar a proposta.

O relator da PEC, deputado Arthur Maia, do PPS, admitiu que a reforma deve sofrer alterações. As principais críticas dos parlamentares são referentes à idade mínima de 65 anos para homens e mulheres se aposentarem e o tempo de 49 anos de contribuição para receber a aposentadoria integral. Tanto a comissão da reforma da Previdência quanto a reforma trabalhista terão três audiências públicas nesta semana.

 

CÂMARA

Relator diz que aposentadoria integral "não existe"

 

Antônio Cruz/ Agência Brasil

O relator da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, Arthur Maia (PPS-BA)

 

O relator da reforma da Previdência, deputado Arthur Maia (PPS-BA), disse ontem, em Brasília, que “aposentadoria integral é uma realidade que não existe hoje”, e que isso será levado em conta na versão final do parecer a ser apresentado na comissão especial que discute, na Câmara dos Deputados, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016.

“Essa possibilidade de aposentadoria integral não existe hoje. Em nenhum lugar do planeta existe mais a chamada integralidade. Hoje, no Brasil, as pessoas se aposentam em média com 80% do salário que têm quando estão na ativa. Nessa reforma, o que sugerimos é que a pessoa tenha 51% da aposentadoria imediatamente, na hora que atinge os requisitos”, disse o deputado, ao ressaltar que, a cada ano a mais de trabalho, seria acrescido 1%. As declarações foram dadas pelo parlamentar, após reunião, no Palácio do Planalto, com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha.

Artur Maia disse que, entre os pontos que têm recebido mais propostas de alterações no texto original, estão o que se refere às regras de transição e o que aborda a idade de aposentadoria das mulheres. “A regra de transição tem várias alternativas de mudança. Há quem prefira modificar pelo tempo de contribuição. Outros, em função da idade da pessoa”, disse o relator. “A questão que mais se coloca para modificá-la é o desnível muito abrupto entre quem tem 50 anos e quem tem 49 anos”, acrescentou.

Segundo Maia, ainda não há, do ponto de vista da relatoria, definição sobre quais alterações serão acatadas. “A alternativa a ser alcançada ainda não foi definida”, disse.

O relator da reforma previdenciária pretende entregar o parecer na comissão especial imediatamente após a última audiência pública, prevista para o dia 28 deste mês. Com isso, a expectativa é de que o texto seja entregue no começo de abril. “Evidentemente, o aumento de audiências públicas implica a extensão dos debates, o que acarreta atraso na entrega do parecer”, disse.


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