15/03/2017 às 08h21min - Atualizada em 15/03/2017 às 08h21min

Foram-se os anéis, mas ficam os dedos. Há salvação!

(*) Antonio Carlos de Oliveira

É evidente que o Brasil está vivendo um momento difícil, acentuado pelo caos reinante em vários setores da vida nacional. Mas será que não há mais geração de riqueza? Onde está o nosso dinheiro? A resposta é uma só: continuamos sendo capazes de ser produtivos e movimentar cada vez mais a economia, mas o nosso dinheiro proporcionalmente desaparece, e se torna instrumento da corrupção, sendo canalizado para finalidades ilícitas e que não atendem aos interesses da sociedade.

A população sofre, sente os reflexos do desvio. O brasileiro é privado de uma alimentação decente, não tem moradia, a saúde e educação não são dignas e a situação se torna cada vez mais preocupante. Mas enquanto não houver moralidade na gestão pública, não há como resgatar o povo do atual estágio no qual se encontra.

O Brasil continua sendo capaz e em condições de gerar riqueza, mas cabe uma reflexão: Riqueza para que? Produzimos para atender finalidades sem propósito ou para financiar a dignidade da população, no sentido de dar condições básicas de vida para esse povo sofrido que se encontra no limiar de suas perspectivas?

Roubaram descaradamente. E a justiça, nesse caso, tem sido lenta. As denúncias existem, mas poucas - ou quem sabe nenhuma -, são levadas a cabo a fim de penalizar os culpados. Um dos inimigos da população e da apuração correta dos crimes é a lentidão da Justiça. O outro, a idolatria do povo brasileiro por políticos que tomam a forma de uma espécie de Messias, que vem para salvar um país inteiro, de maneira milagrosa. E acaba não salvando, ficando apenas no discurso pré-eleitoral.

Mas isso não é pensar estrategicamente. Não podemos e nem devemos idolatrar ninguém, a não ser a nós mesmos, povo brasileiro que, sem acesso aos mais básicos dos direitos, é guerreiro e forte o suficiente para não estagnar e nem prejudicar a economia como um todo.

Os políticos, nada mais são ou deveriam ser, do que funcionários da população. E como funcionários, em casos de corrupção, deveriam ser desligados, sem sentimentalismo, veneração ou interesses pessoais envolvidos. Basta olhar para o exemplo recente vivido pela Coréia do Sul. O governo da presidente Park Geun-Hye sofreu um abalo sem precedentes após a imprensa sul-coreana ter revelado escândalos de corrupção em seu mandato, culminando na aprovação do seu impeachment na semana passada. As denúncias sugerem que Choi Soon-Sil, amiga de Park há 40 anos, a aconselhava nos assuntos de Estado sem exercer nenhuma função oficial, além de usar sua proximidade com o poder para obter vantagens pessoais. Esse escândalo abalou a imagem da presidência e sua popularidade. Apenas 9,2% dos sul-coreanos aprovavam sua gestão e 67% já desejavam que a presidente renunciasse.

Milhares de sul-coreanos protestaram exigindo a renúncia de Park. Irritados com a situação, eles diziam que a presidente teria traído a confiança pública e feito uma gestão irresponsável, o que justificaria a perda do mandato. Park Geun-hye foi rapidamente destituída de seu cargo, perdeu sua imunidade e agora pode ser julgada e presa, se confirmadas as suspeitas da promotoria. Novas eleições já foram convocadas para daqui a dois meses.

Não há misericórdia. Não há apego às cores partidárias. Não há conchavos quando o problema é colocado à luz e os culpados identificados. Há sim um pensamento estratégico, que visa privilegiar a população como um todo e não alguns. Mas para isso acontecer em nosso país, muita coisa precisa mudar, a começar pelo investimento em educação, e conseqüentemente na conscientização política da população.

Preste atenção! Os sinais já estão sendo dados ao mundo inteiro. Observe: vivemos a crise de 2008 e depois a crise da Grécia aconteceu. Também viveram um período conturbado os países que não conseguiram cumprir as regras estabelecidas pela União Européia. Tivemos a crise dos imigrantes, a separação do Reino Unido da Europa, o impeachment no Brasil, a eleição de Trump, e tantos outros sinais que estão sendo emitidos. O que precisamos é fazer uma leitura desses momentos. É perceber o que está acontecendo ao alcance de nossa vista e nos posicionarmos antes que seja tarde.

Perdemos os anéis, mas ainda não perdemos os dedos. É necessário pensar estrategicamente para promovermos mudanças verdadeiras e perenes, juntos enquanto sociedade unida e ideologicamente saudável, e não para grupinhos. Esses processos são absolutamente naturais, uma vez que a nossa vida é cíclica. Romper as barreiras do pessimismo e do baixo astral é fundamental para começar.

 

(*) Analista de negócios – Professor universitário.


Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »