22/02/2017 às 08h38min - Atualizada em 22/02/2017 às 08h38min

O casuísmo prevalece!

(*) Antonio Carlos de Oliveira

 

Como já vimos em textos anteriores da nossa coluna, a economia brasileira é um reflexo da política desorganizada, egoísta e imediatista que vivemos. E, a cada dia que passa, notamos isso de maneira mais forte! O jeitinho brasileiro, network privilegiado e a teoria de que "cada caso é um caso", são exemplos de situações práticas que vivemos diariamente.


Como em toda sociedade civil organizada, temos as regras que regem o país e direcionam nossos direitos e deveres. Esses, que, teoricamente, são assuntos de conhecimento público e que a população deveria saber de cor e salteado ainda causam dúvidas quando precisam ser colocados em prática.

 

O “sangue quente do brasileiro e o patriotismo da nação” que faz barulho quando se sente ameaçada ou incomodada por alguma coisa, são características que ficaram evidentes nos últimos anos, com o Brasil passando por fortes turbulências políticas.

 

Quando um ex-presidente, indiciado juridicamente, quase foi nomeado ministro para que pudesse gozar do benefício do foro privilegiado, a sociedade se mobilizou em defesa da ética e da moral e, em um bonito ato cívico, oprimiu tamanho absurdo. Tempos depois, passamos por uma situação semelhante, quando um Secretário de Governo, suspeito de estar envolvido em esquemas de corrupção na operação Lava Jato, foi nomeado Ministro-chefe da Secretária-geral da Presidência do atual governo, e, dessa vez, o manifesto popular, praticamente, não existiu, ficando isolado a poucas vozes discordantes aqui e acolá.

 

Pensar estrategicamente e analisar o impacto que duas medidas para uma mesma regra têm sobre a política e, consequentemente, para a economia do país, é o que vai fazer com que situações como essas, impregnadas de casuísmo não se repitam. Precisamos parar de ser massa de manipulação e entender o que defendemos. Saber se lutamos por ideais políticos verdadeiros ou se nossa motivação é a mídia, nosso vizinho ou qualquer outra influência passageira. Isso faz toda a diferença para sabermos se as mudanças que propomos e pedimos serão reais ou se serão empolgação que dura pouco tempo, indignação de redes sociais passageira como fogo de palha.

 

Hoje, a reflexão que temos que fazer é se o “pau que usamos para bater em Chico, também bate em Francisco”. Se nós, que cobramos justiça, coerência e igualdade dos nossos líderes políticos, temos essas mesmas características quando é nossa vez de sermos cobrados. Será que somos realmente justos ou também lutamos só quando as mudanças nos afetam diretamente?  
 

(*) Analista de negócios – Professor universitário.

 

 


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