30/01/2017 às 11h26min - Atualizada em 30/01/2017 às 11h26min

UBERLÂNDIA NÃO TERÁ DESFILE DE CARNAVAL

TRADIÇÃO DE 64 ANOS SERÁ INTERROMPIDA EM FUNÇÃO DA FALTA DE RECURSOS PARA AS ESCOLAS, QUE DEVERÃO FAZER EVENTO EM SUAS QUADRAS

Walace Torres – editor - JDC
Nos três últimos anos, a estrutura do carnaval foi montada na avenida em frente ao Parque do Sabiá

Pela primeira vez em 64 anos, Uberlândia não terá o tradicional desfile das escolas de samba e blocos carnavalescos durante o período de Momo. Com o Município tendo deflagrado calamidade financeira no início de janeiro, e sem o pagamento das parcelas da subvenção que deveriam ter sido repassadas ainda na gestão anterior, as agremiações ficaram sem dinheiro para contratar mão de obra e adquirir o material necessário para a confecção das fantasias e carros alegóricos.

A notícia deixou muito folião decepcionado, especialmente quem já vinha preparando o espírito e a roupa para desfilar na avenida . Mesmo sem dinheiro, as escolas ainda tinham em estoque um pouco de material que sobrou do carnaval passado. “Quando termina um carnaval, a gente já começa a pensar no próximo. Mas sem recursos, a ideia ficou só no papel”, diz o presidente da Tabajara, atual campeã do carnaval uberlandense, Leocídio da Silva. Ele conta que a escola já estava pronta para gravar o CD com o samba-enredo, mas recuou depois da confirmação de que não haverá o desfile.

A Associação das Escolas de Samba e Blocos Carnavalescos de Uberlândia (Assosamba) ainda negocia junto a um grupo de empresários ajuda para a realização de um evento provavelmente no dia 27 de fevereiro, com apresentação das baterias e dos integrantes de todas as escolas e blocos da cidade. A intenção é fazer um grito de carnaval. Entre os locais estudados estão o Parque de Exposições do Camaru e uma avenida na região Central. O evento, no entanto, não terá recursos públicos. A Prefeitura faria apenas a análise da documentação para o fornecimento de alvarás e fechamento de ruas, caso se confirme a realização em espaço público.

Apesar do decreto municipal, publicado no início de janeiro, que coloca o Município em estado de calamidade financeira, a Assosamba chegou a fazer uma última tentativa para viabilizar o carnaval na avenida Monsenhor Eduardo. “Chegamos a protocolar um ofício na Prefeitura pedindo a contratação de seguranças, som, palco e banheiros químicos, mas o pedido foi respondido negativamente”, diz Willian Couto, presidente da Assosamba.

Sem o tradicional desfile, a Assosamba fechou uma programação com as escolas para não deixar o carnaval morrer, literalmente, durante os quatro dias. Cada escola fará um grito de carnaval em sua quadra ou local de ensaio entre os dias 24 a 27 de fevereiro. Também está previsto a realização de um baile para apresentação do Reinado de Momo, provavelmente no dia 17 de fevereiro. Ao contrário dos anos anteriores, os integrantes da Corte carnavalesca não serão eleitos. A intenção é que a Corte de 2016 faça as honras no baile.

 

Subvenção

Ao longo dos anos, a realização do carnaval de rua em Uberlândia depende, basicamente, de recursos públicos. A verba é repassada às agremiações na forma de subvenção, dividida em três parcelas. Tradicionalmente, as duas primeiras parcelas, que representam cerca de 50% dos recursos, são repassadas nos meses de outubro e novembro e a terceira, no começo do ano.

Segundo as escolas, a gestão passada não fez os repasses. A alegação era que a prestação de contas das escolas na época não havia sido apresentada. Com o Município em dificuldade financeira neste ano, os repasses para qualquer evento de cunho festivo ou comemorativo estão suspensos por seis meses.

Nos anos anteriores, o Município é que se responsabilizava pela contratação de estrutura necessária para a realização do desfile e shows, como montagem de palco, arquibancadas, camarotes, artistas, iluminação, som e seguranças.

Nos últimos três anos o desfile aconteceu na avenida José Roberto Migliorini, em frente ao Parque do Sabiá.

 

 

 

 

 


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