
O jornalista Igor Castanheira traz seu olhar sobre temas relacionados a inclusão e acessibilidade.
Sorte têm os loucos de não se acostumar com a normalidade, de não se satisfazer com o comum, de ser impacientes com a nossa incapacidade de aprender, de não querer o óbvio, de não compreender a ignorância e por finalmente saber e não ter medo da nossa pequenez.
Um peso grande para quem busca se encaixar e não consegue, para quem quer encontrar um padrão que se adapte, mesmo que limitado. Um peso que o faz ferir a sua pele, a gritar até se ensurdecer e até a não querer enxergar o que nos fazem engolir.
Ser louco em um mundo de obviedades e ser gênio em um tempo futuro nos remete a um porquê. Um sofrimento constante, uma dor dilacerante, um conforto por um breve momento controlado da tão falada sanidade.
Mas será que vale a pena? Entre os absurdos diários, os ídolos de papel, os políticos disfarçados e o dinheiro limpo, há muita loucura conveniente e normalizada; outros delírios inaceitáveis nos permitem sair dessa loucura.
Quando o conhecimento se torna um fardo, a ignorância é um alívio; e quando a dor é insuportável, a loucura para muitos é o refúgio de cada vez mais corajosos.
Uma coragem muito solitária e cruel, na qual não há vitória e nem reconhecimento, apenas a certeza de que as cicatrizes do mundo não se encontram prontas para serem curadas, porque a nossa insensibilidade não nos deixa compreender uma realidade melhor do que essa pequena, frágil e curta jornada que temos.
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