Eu gosto de ser um cara querido, não me importo com o nicho que me colocam e, tampouco, me contento aonde querem me colocar. Eu prefiro me deixar levar pelo o que eu consigo absorver do que eu aprendo.
Sendo um eterno aprendiz, a cultura me ensina que pouco sei, mas que se eu eu permitir, ela pode me levar a inúmeros lugares. Levo a minha vida na tranquilidade, buscando não me encaixar, mas sim, ser acolhido onde quero estar.
A música e o teatro me confortam e me deixam livre para assimilar e vivenciar grandes emoções, nunca sozinho. Para quem entende a cultura somente como entretenimento, não descobriu ainda o poder transformador que ela pode ter se sonharmos a partir de um momento.
Em 2007, um amigo meu Gabriel me tirou de casa, em Itumbiara Goiás e me levou para Curitiba para o meu primeiro festival onde assistimos Björk, Arctic Monkeys e The Killers. Eu com medo,o meu pai com medo, mas graças a uma autorização inesperada do meu chefe, essa viagem aconteceu.
Não tinha noção de que aquele seria um embrião de uma trajetória que culminou na minha profissão e na maneira que trabalho a inclusão e a singularidade, que viria a descobrir anos mais tarde.
Lembro-me do Gabriel falar que nunca me viu tão feliz e que tudo era motivo de festa, uma amizade que começou na infância e perdura até hoje. Uma amizade elogiada por muitos na capital do Paraná, pois eu não tinha noção do que era uma pessoa singular sozinha no mundão e quem me fez sentir essa liberdade foi um amigo que me conhecia, sabia que eu gostaria de viver aquela experiência e, certamente, não teve medo e nem receio de me ter como companhia naquela viagem. Ele me escolheu.
A partir dali, fui construindo uma trajetória de shows e histórias divertidas, conhecendo amigos e colecionando memórias, de maneira natural, eu até diria que tardia, me encontrei como comunicador e dentro desse universo, a cena independente me recebeu e me trouxe uma sensação de pertencimento que me fazem seguir compartilhando momentos entre histórias que são contadas em diversos palcos.
E essa semana, algo parecido o que aconteceu há quase 20 anos se repetiu, de maneira inesperada fui convidado pelo meu amigo e baterista Bruno para ir a última turnê do Linkin Park, banda que já vi em duas outras oportunidades e curiosamente é a favorita do Gabriel.
Eu realmente voltei no tempo, me deixei levar, gravei muita coisa, me diverti com o Bruno e a sua jovem filha Luiza que se revezavam na direção da cadeira de roda que me levou até o local que ficaríamos no show.
Lá do alto do Mané Garrincha gritei, me emocionei e agradeci aquele momento, igual agradeci há 20 anos atrás um amigo que não teve medo de levar e permitiu que eu criasse um sonho que eu vivo até, sempre encontrando muitas pessoas especiais nessa trajetória.
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