13/09/2025 às 08h00min - Atualizada em 13/09/2025 às 08h00min

O Valor da Existência

SE MANCA!, por Igor Castanheira

SE MANCA!, por Igor Castanheira

O jornalista Igor Castanheira traz seu olhar sobre temas relacionados a inclusão e acessibilidade.

IGOR CASTANHEIRA

O vazio da existência em meio a um mundo cheio de possibilidades nos mostra que, talvez, estejamos vivendo de maneira errada. O acúmulo de bens, o excesso de ego, a falta ou o desperdício de tempo, somados ao que a globalização nos oferece, criam uma sensação de perda que não conseguimos identificar. Isso nos dá a impressão de que somos inúteis, apenas uma peça sem relevância em um tabuleiro onde ninguém se entende.

Com a necessidade de se provar, aliada à cobrança de um mundo que nos torna descartáveis e reféns dos nossos sonhos e do nosso ego, lutamos para nos tornarmos relevantes ou para manter um status.

Enquanto isso, nosso tempo parece dizer que a nossa validade depende da aprovação alheia. Explico: a necessidade de nos mantermos no "hype", o sonho de viralizar e a vontade de sermos protagonistas em uma vida finita nos trazem um peso quase insustentável da certeza do fracasso.

Essa sensação de derrota é sustentada e mantida pelas redes antissociais, onde nossa voz expõe nossa insegurança em forma de solidão ou de soberba, por nos darmos tanta importância.

Dia após dia, percebemos que o sofrimento ganha mais destaque, que nossos sonhos se tornam mais egoístas e que nossa realidade é mais mentirosa. Entre manter as aparências e ser quem realmente somos, notamos um desequilíbrio: gostamos de ser juízes, mas ao mesmo tempo não podemos ser réus.

Viver sempre sob a perspectiva do outro (na qual a aprovação nos dá um momento de sucesso e paz, e a desaprovação nos condena ao passado) nos torna vulneráveis e mais medrosos.

O resultado é que a conta não fecha: enquanto a euforia de um suposto sucesso passa rápido, a sensação de fracasso parece nos acompanhar. Em uma era de visibilidade e incertezas, a humanidade caminha para ser mais violenta.

Nossa falsa impressão de liberdade nos dá poder para acharmos que estamos certos. No entanto, essa autossuficiência e a independência, tão valorizadas hoje, não nos deixam olhar para o lado, muito menos perceber que o que sabemos é tão pouco e mutável quanto o tempo de felicidade que desfrutamos por aqui.

*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

 

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