23/01/2019 às 08h31min - Atualizada em 23/01/2019 às 08h31min

Imagem e reputação

FERNANDO CUNHA | JORNALISTA E PALESTRANTE
“Reavalie constantemente quem você é para garantir exatamente o que você quer ser”. Esta frase de Paul Argenti e Janis Forman, doutores em comunicação corporativa, me inspirou em lhe fazer, prezado leitor, um questionamento simples: de que maneira você tem se comunicado com o mundo? Digo “mundo”, porque através das redes sociais virtuais pessoas do planeta inteiro têm acesso às nossas vidas. Sabem quais lugares mais gostamos de frequentar, os amigos que encontramos com mais frequência, nossas preferências musicais, séries favoritas, se ficamos felizes quando chega sexta-feira ou se entramos em estado depressivo nas noites de domingo quando ouvimos a trilha do programa global Fantástico. Mostramos tudo e parece que não estamos muito preocupados com as consequências.

Não estou afirmando que isso é certo ou errado e nem censurando tal atitude. Cada um é dono da sua vida. Porém, como profissional de comunicação e treinador dessa arte, é meu dever suscitar uma reflexão sobre como a maneira que expomos nossa rotina, ideias e convicções pode prejudicar nossa carreira profissional. Nossa imagem e reputação são moldadas pela forma como nos comunicamos ao longo de nossa história, inclusive pelo Facebook, Twitter, Instagram, Snapchat e tantos outros aplicativos sociais. A forma como nos expomos pode determinar se seremos escolhidos ou não para uma entrevista de emprego ou uma oportunidade de negócio. Diversas agências de recrutamento e seleção possuem colaboradores contratados exclusivamente para vasculhar as redes sociais de candidatos a empregos, sabia?

Antes de seguir, precisamos entender rapidamente a diferença entre imagem e reputação. Parecem sinônimos, mas não são. Imagem é a impressão imediata que outra pessoa tem sobre nós. É algo individual e momentâneo. Reputação é a percepção que outras pessoas criam sobre aquilo que nós somos através das imagens que propagamos. É algo concebido coletivamente. Ou seja, imagem é aquilo que nós mostramos ser através da maneira que falamos, nos vestimos, etc. e reputação é aquilo que nós realmente somos na mente das pessoas após a percepção de inúmeras imagens. Para criarmos uma reputação respeitável devemos apresentar imagens que corroboram com isso.  

Sem exagero, se você é daqueles que adora postar fotos de baladas e bebedeiras, a não ser que já esteja com a vida ganha, suas chances no mundo profissional podem estar comprometidas. Não existe mais distinção entre público e privado. Não há mais barreiras entre a vida social e a profissional. Aliás, a maioria das pessoas não sabe mais separar uma coisa da outra. Várias pessoas perdem empregos ou oportunidades antes mesmo delas surgirem, simplesmente pelo fato de se posicionarem contra ou a favor de uma ideologia política ou expor a opinião pessoal sobre determinado fato ou situação. Veja só, quantas amizades e relações de negócios destruídas só nas últimas eleições por conta disso?

O ser humano perdeu a noção do que é certo e errado. E não é só no Brasil. A liberdade de expressão em massa que as redes virtuais nos proporcionam se transformou numa mina explosiva. Qualquer pisada em falso, booom! Quem nunca recebeu um comentário ofensivo de alguém que nem conhece só por expressar a sua opinião? Gente que nunca nos viu e que nem ouviu falar de nós fica ofendida se a nossa opinião não agrada e ainda se transforma em inimiga virtual. De alguma forma, pessoas assim contribuem para aniquilar nossa imagem e reputação sempre que possível. É justamente isso que podemos evitar se tivermos um pouco mais de cuidado com a nossa maneira de se comunicar com o mundo através das redes sociais.

Em Comunicar para Liderar (Ed. Contexto), escrito a quatro mãos pela fonoaudióloga Leny Kyrillos e o jornalista Milton Jung, os autores nos alertam sobre alguns cuidados que nós, pessoas físicas e/ou jurídicas, devemos ter com nossa imagem e reputação, principalmente quando nos expomos também pela internet. “Assim como ocorre com as empresas, você precisa montar uma estratégia de comunicação efetiva para gerenciar sua reputação”, orientam os autores. Ou seja, devemos utilizar as redes sociais não como um muro de lamentações ou de fuzilamentos, mas sim como um meio de expormos tudo aquilo que temos de bom para melhorar a nossa imagem e reputação também para o mercado. O melhor é que tudo está aí, praticamente de graça, para usarmos do jeito que quisermos e, lamentavelmente, grande parte dos usuários ainda desperdiça esta oportunidade.
 
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