21/10/2016 às 11h16min - Atualizada em 21/10/2016 às 11h16min

Cunha passa sua primeira noite na cadeia em Curitiba

Deputado cassado é acusado pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, e é suspeito de ter recebido R$ 5 milhões em propina

Eduardo Cunha ao embarcar em avião da PF em Brasília. Deputado cassado foi transferido para carceragem em Curitiba

Eduardo Cunha ao embarcar em avião da PF em Brasília. Deputado cassado foi transferido para carceragem em Curitiba

Lula Marques/AGPT - 19.10.16
Eduardo Cunha ao embarcar em avião da PF em Brasília. Deputado cassado foi transferido para carceragem em Curitiba

Preso nesta quarta-feira (19) pela Polícia Federal na Operação Lava Jato, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB) passou a sua primeira noite sozinho em uma cela de 12 metros quadrados em Curitiba.

Cunha foi detido em Brasília e levado na tarde desta quarta para a sede da Operação Lava Jato na capital paranaense. Ainda nesta quinta-feira (20), Cunha passará por um exame de corpo de delito.

A prisão do deputado cassado foi decretada pelo juiz federal Sergio Moro, que acolheu os argumentos da Procuradoria da República segundo os quais o ex-deputado em liberdade representa um "risco" para as investigações.

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Isso porque, mesmo após ter seu mandato de deputado cassado e perder o foro privilegiado, Cunha permanecia na ponte aérea entre Rio de Janeiro e Brasília, onde participava de reuniões políticas e mantinha influência no Congresso.

O ex-presidente da Câmara é acusado pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Ele é suspeito de ter recebido R$ 5 milhões em propina em contas na Suíça abastecidas com dinheiro de contratos de exploração de petróleo na África.

No despacho em que decretou a prisão, o juiz Sergio Moro disse que há indícios de que o político pratica crimes de forma "reiterada", "profissional" e "sofisticada".

Nenhuma surpresa

De acordo com fontes políticas, Cunha já sabia que poderia ser preso pela Lava Jato e se preparou. Ele fez uma lista com informações e nomes de alto escalão. Um dos maiores temores em Brasília é a possibilidade de uma delação premiada.

Desde que perdera o mandato de deputado, o peemedebista vinha se dedicando à sua defesa e a um livro sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff e a crise política brasileira, que pode ser visto como uma espécie de "delação informal".

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No período anterior à sua prisão, o deputado cassado teria dedicado o seu tempo a duas tarefas: preparar a sua defesa na Justiça e construir um arsenal contra partidos. Seu livro já tinha mais de cem páginas prontas.

Para colocar suas "memórias" no papel, Cunha levantou agendas antigas de compromissos públicos e privados. Há meses vinha também esquadrinhando todas as doações que capitaneou para o PMDB, um levantamento que delegou ao corretor de valores Lúcio Bolonha Funaro, que acabou preso em julho.

* Com informações da Agência Ansa.

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