16/11/2015 às 17h47min - Atualizada em 16/11/2015 às 17h47min

Tragédia em Bento Rodrigues. Minas Gerais esta de Luto

por Redação Diário do Comércio
Divulgação

Duas barragens da mineradora Samarco se romperam na cidade de Mariana (MG), no dia 05 deste mês, desde então o apelo a gravidade e as causas vem sendo investigadas.

Os detritos das barragens tomou conta do rio Gualaxo e chegaram ao município de Barra Longa, a 60 km de Mariana e a 215 km de Belo Horizonte provocou o despejo de cerca de 62 milhões de metros cúbicos de rejeito de minério.

Seis localidades de Mariana, além de Bento Rodrigues, foram atingidas. Segundo especialistas, a lama que desce pelo rio Doce atingirá, no total, uma área de cerca de 10 mil quilômetros quadrados no litoral capixaba.

Pelo menos 128 residências foram atingidas pela onda de lama e dejetos. Oficialmente, o número de mortos é de sete pessoas e o de desaparecidos são no total 12, dentre eles funcionários da mineradora Samarco (cerca de 9 pessoas) e moradores dos distritos de Bento Rodrigues e Camargos (3 moradores).

O Ministério Público de Minas Gerais abriu um inquérito, conduzido por cinco promotores, para apurar as causas e responsabilidades. A Samarco disse ter registrado dois pequenos tremores na área duas horas antes do rompimento, por volta das 16h20 de quinta-feira. Não se sabe o que teria causado estes tremores – se seriam abalos sísmicos ou a força do próprio rompimento. O Ibama vai multar a Samarco em R$ 100 milhões. A mineradora garantiu que não há nada tóxico nos 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro liberados durante o acidente.

Os prejuízos são calculados em mais de R$ 100 milhões, segundo o prefeito de Mariana, Duarte Júnior.

Fatalidade ou negligência?

A empresa Samarco, responsável pelas barragens de rejeitos que romperam causando destruição, vítimas e um prejuízo incalculável na população aumentou em 9,5 milhões de toneladas ao ano, em 2014, a capacidade de produção de minério de ferro. O aumento na produção fez crescer também o volume de rejeitos depositados nas barragens rompidas, cada tonelada de minério processado gera volume quase igual de rejeitos.

 

No ano passado (2014), a produção foi de 25 milhões de toneladas, 15% a mais que no ano anterior e o volume de rejeitos foi próximo de 3 milhões de toneladas, atingindo no ano um total de 21,9 milhões de toneladas de materiais arenosos e lamas, resultantes do beneficiamento do minério de ferro.

 

No relatório anual de Sustentabilidade divulgado no portal da empresa Samarco em 2014 não consta e não faz menção a aumento na capacidade desses reservatórios.

 

Os rejeitos estavam armazenados no sistema composto pelas barragens de Germano e de Fundão - este, o barramento que rompeu na quinta-feira. A água usada no processo estava armazenada na barragem de Santarém, que também desmoronou após o rompimento da Fundão. O minério de ferro extraído das minas e processado na unidade de Germano é transportado por minero dutos até a unidade Ubu, em Anchieta, Espírito Santo.

 

As vítimas do rompimento da barragem

Sileno Narkievinicius de Lima - Era trabalhador e atuava como motorista na empresa que prestava serviços para a mineradora.

Waldemir Aparecido Leandro – Trabalhava para a empresa Geocontrole, terceirizada da Samarco.

Emanuely Vitória- A menina tinha cinco anos, seu pai não conseguiu resgatar todos os três filhos, a menina foi carregada pela enxurrada de lama.

Thiago Damasceno Santos – Estava junto a sua avó, os dois foram arrastados, a avó foi resgatada horas depois. O corpo de Thiago ainda não foi encontrado, mas a família não foi encontrado.

Marcos Xavier- Estava trabalhando no momento do acidente, era motorista e estava em serviço. Morava no distrito de Amarantina e deixa dois filhos pequenos.

 

Samarco

mineradora Samarco, empresa fundada em 1977 que produz pequenas bolas de minério de ferro usadas na produção de aço. A Samarco é controlada pela Vale e pela anglo-australiana BHP Billiton. Ela opera em Minas Gerais e no Espírito Santo e é a 10ª maior exportadora do país.

Ela é uma joint venture da Vale com uma afiliada da australiana BHP Billiton, na qual a Vale tem participação acionária de 50%.

Joint venture é uma associação de empresas para explorar determinado negócio, sem que nenhuma delas perca sua personalidade jurídica.

 


 

 

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