22/09/2016 às 11h05min - Atualizada em 22/09/2016 às 11h05min

Produtor rural de Campos Altos pede mais segurança no campo

Subnotificação de crimes, baixo efetivo policial e fechamento de cadeia foram problemas apontadas em audiência pública.

A segurança na área rural foi o principal tema discutido na audiência pública da Comissão de Agropecuária e Agroindústria da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) desta quinta-feira (22/9/16). A reunião foi realizada em Campos Altos (Alto Paranaíba), atendendo a requerimento do presidente da comissão, deputado Fabiano Tolentino (PPS). A insegurança no município acabou dominando a pauta da reunião, que deveria discutir as cadeias produtivas do café, leite e queijo artesanal.

De acordo com informações da Polícia Militar, foram registrados 188 furtos na área urbana do município e 33 na área rural, entre janeiro e agosto deste ano. Mas, para o tenente-coronel Arnaldo Pereira Júnior, comandante do 37º Batalhão da PM, em Araxá (Alto Paranaíba), os números estão subnotificados. "Há uma descrença na capacidade do Estado de dar vazão às demandas da sociedade. Então as vítimas deixam de levar as informações à polícia", lamentou.

O oficial orientou os presentes a não deixarem de registrar os boletins de ocorrência porque, na avaliação dele, só diante dessas estatísticas será possível planejar ações de repressão e solicitar novas viaturas e o aumento de efetivo. "A probabilidade de recuperarmos os bens roubados é pequena, mas podemos, por meio dos dados, identificar rotinas e pessoas que tem cometido crimes", analisou.

Armas - Outro assunto abordado pelo tenente-coronel foi o Estatuto do Desarmamento (Lei Federal 10.826, de 2003), frequentemente apontado como um problema pelos produtores rurais, que alegam não poderem se armar para se proteger. O representante da PM advertiu que o fator surpresa está sempre ao lado daqueles que cometem crimes e, por isso, a defesa com arma de fogo torna-se mais difícil. Ele lembrou, ainda, que os criminosos tendem a ficar mais violentos diante de uma vítima armada.

Assim, concluiu que o essencial é equipar o poder público para responder às demandas de segurança. Nesse ponto, sem revelar números, ele reconheceu que o efetivo na cidade é pequeno e isso faz com que seja impossível manter plantões de 24 horas. Nessa linha, admitiu que isso pode deixar realmente o município inseguro em alguns momentos, especialmente nos fins de semana e à noite.

Sem cadeia, presos em flagrante são levados para Araxá

Outro destaque nas discussões da audiência pública foi para o transtorno gerado pelo recente fechamento da cadeia local, o que faz com que presos em flagrante tenham que ser levados até Araxá. O tenente-coronel Arnaldo Júnior lembrou, ainda, que não há na cidade centro de internação para menores infratores e destacou que é preciso também instalar centros de tratamento para usuários de drogas. "Muitas pessoas têm cometido crimes só para sustentar seus vícios", pontuou.

Na sequência das discussões, o delegado da Polícia Civil Vinícius Ramalho Lima também destacou a importância de sempre registrar os crimes ocorridos e adiantou que a região vai receber um novo investigador ainda este ano. Já o 2º sargento do 4º Pelotão de Bombeiro Militar, Pablo Campos Siqueira, incentivou os produtores rurais a treinarem seus funcionários no combate a incêndios e a adquirirem abafadores, equipamento utilizado contra queimadas, problema recorrente na região.

O deputado Fabiano Tolentino classificou a reunião como proveitosa e reforçou a necessidade de mais investimentos do poder público nos equipamentos de segurança e no aumento do efetivo policial. Ele citou, ainda, concurso recente da PM, o que pode amenizar o problema, mas defendeu que deve ser feito pelo menos um concurso por ano, já que são necessários dois anos até que o policial esteja preparado para ir para o patrulhamento nas ruas.

Demandas - Ao fim da reunião, muitos dos presentes pediram a palavra para relatar outros problemas enfrentados pelos produtores rurais da região. Uma das questões mais citadas foi uma geada recente que acarretou prejuízos para a lavoura.



Fonte: AL MG
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