17/09/2016 às 06h35min - Atualizada em 17/09/2016 às 06h35min

"Superei barreiras para viver a Bia", diz protagonista de "Mate-me Por Favor"

Em entrevista ao iG, Valentina Herszage fala sobre intensa preparação e influências para viver adolescente curiosa sexualmente e fascinada pela morte

 Filmes sobre ritos de passagem costumam percorrer certos clichês e passa por essa verdade a genialidade de “Mate-me Por Favor”, filme nacional premiado nos festivais de Veneza e do Rio de Janeiro em 2015 e que chega aos cinemas brasileiros neste final de semana. O primeiro longa-metragem da cineasta Anita Rocha da Silveira é, também, a estreia de Valentina Herszage como atriz. Ela conversou com a reportagem do iG sobre os desafios de fazer uma personagem tão introspectiva e tão física como Bia logo em seu primeiro filme.

+ "Mate-me Por Favor" relembra caso Daniella Perez para expor fascínio pela morte

A atriz Valentina Herszage como Bia em cena de

A atriz Valentina Herszage como Bia em cena de

Divulgação
A atriz Valentina Herszage como Bia em cena de "Mate-me Por Favor"

“Eu torço muito pelo filme. Ele é único. Principalmente no cinema brasileiro. Acho que ele tem uma linguagem jovem que pode alcançar muita gente e eu acho que os jovens vão se identificar muito com o filme”, observa Valentina. Em “Mate-me Por Favor”, ela interpreta essa jovem afetada por uma série de assassinatos nos arredores da escola em que estuda. A diretora Anita Rocha da Silveira admitiu em entrevista ao iG durante o festival do Rio de 2015 que o caso Daniella Perez foi uma inspiração. “Meu tema é o fascínio pela morte inerente à adolescência. Mas não a morte como oposição a vida”, observou. “Mas aquela fase de testar os limites do corpo, achar que é invencível e nunca pensar nas consequências”.

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Para isso, Anita foi muito criteriosa na escolha do elenco. “Foram cinco testes”, admite Valentina. Os primeiros foram mais genéricos, mas depois a seleção foi afunilando.  “Eu lembro que no último teste ela me perguntou como eu lidava com temas difíceis. Se eu era medrosa, corajosa... Ela já estava me sondando nesse sentido. Eu adoro desafio. É uma particularidade minha. Às vezes eu morro de medo de um negócio, mas eu preciso enfrentar. Ir até o fim. A Bia foi meio assim para mim”, revela Valentina.

A diretora Anita Rocha da Silveira na premiere do filme realizada no Rio de Janeiro

A diretora Anita Rocha da Silveira na premiere do filme realizada no Rio de Janeiro

Divulgação/Imovision
A diretora Anita Rocha da Silveira na premiere do filme realizada no Rio de Janeiro

De fato, adentrar corpo e mente de Bia não era uma tarefa fácil, principalmente para uma atriz estreante e em seus 15 anos – hoje ela tem 18. “Eu achei ela tão fascinante que eu superei muitas barreiras por um desejo de fazer ela da melhor maneira possível”, contextualiza a atriz.

“Quando eu recebi o roteiro eram muitas ideias e eu fiquei com um nó. O que eu achei ótimo porque nem ela (Bia) se entende e é legal essa inquietação”, explica com extremo senso crítico. “Depois que eu filmei, eu não tinha visto nenhuma cena, mas viver aquilo no ambiente também muda muito, fica bem mais real. Quando eu assisti ao filme eu não tinha noção de como o cinema é além de estar ali nas filmagens, com os atores, com a equipe... A edição, o som, o ritmo do filme, tudo é dito quando ele está na tela. A gente não tem essa noção enquanto a gente filma.”

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No filme, todo o alvoroço social em torno da morte de meninas da faixa-etária de Bia por um serial killer provoca na menina um crescendo de sensações que demandam grande fisicalidade da atriz. Isso, claro, passa por um interesse sexual que não encontra respaldo no namorado, obediente a dogmas religiosos que orientam à castidade.  “Eu acho que a Bia tem um desejo muito físico. Acho que ela não racionaliza tanto”, observa Valentina.

A atriz fez um intenso trabalho de preparação com Ana Kutner para encontrar Bia em si e deixar-se “atravessar” por ela. “Não necessariamente a gente fazia a preparação em cima do roteiro, mas abraçava certa naturalidade em busca dessa visceralidade”, observa. “O físico da Bia é bem diferente do meu. Nela é muito mais gritante”.

A atriz Valentina Herszage na premiere carioca de

A atriz Valentina Herszage na premiere carioca de

divulgação/ imovision
A atriz Valentina Herszage na premiere carioca de "Mate-me Por Favor": busca da visceralidade

Além de filmes como “As Virgens Suicidas”, de Sofia Coppola e “Elefante”, de Gus Van Sant, indicações da diretora para as meninas do filme, Valentina foi buscar uma referência para si em Isabelle Adjani, mais especificamente em seu trabalho no thriller “Possessão” (1981). “Tem uma cena dela no metrô que eu vi um potencial muito grande da Bia ali. No olhar, na fisicalidade, no silêncio...”, recorda Valentina. “Ela foi minha maior influência”, crava ao pontuar que Adjani já virou sua atriz favorita. “Já vi todos os seus filmes”, revela entre sorrisos.

“Mate-me Por Favor” pode representar o primeiro contato do público com Valentina Herszage, mas ao final do filme a convicção que fica é de que certamente não será o último.




Fonte: IG GENTE
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