13/09/2016 às 02h05min - Atualizada em 13/09/2016 às 02h05min

Xingamentos, tietagem e má atuação: o "teamodeio" reencontro com Fred

Perseguido pela torcida desde que chegou ao estádio, atacante ouve hostilidades vindas da arquibancada, mas recebe carinho de muitos torcedores e ex-companheiros

 



O reencontro com o Fluminense, na segunda-feira, não foi como Fred esperava. Além das hostilidades da torcida tricolor desde que chegou a Edson Passos, o atacante do Atlético-MG terá que voltar para Belo Horizonte com uma derrota por 4 a 2. Ainda por cima, foi substituído ainda no intervalo depois de um primeiro tempo em que só foi notado em campo por causa das vaias a cada vez que encostava na bola.

Mas Fred também terá boas recordações. Se em grupo, nas arquibancadas, os torcedores foram hostis, os tricolores que chegaram perto do ídolo foram carinhosos e muitos pediram sua volta. Um misto de emoções que o jogador provavelmente nunca vai esquecer.

Hostilidades logo no aquecimento


Logo que desceu do ônibus, Fred foi apressado para o vestiário sem dar entrevista. Parou apenas para tirar foto com dois fãs. Os afagos pararam por ali. Quando entrou no gramado para o aquecimento, o atacante começou a ouvir xingamentos em sequência. Dos publicáveis, os mais leves foram "cone" e mercenário. Apesar do clima de constrangimento, ele se manteve sereno e não retrucou.

 


Reencontro e abraços

Na entrada dos times no campo, Fred seguiu como centro das atenções. Cumprimentou um a um os ex-companheiros, alguns funcionários e membros da comissão técnica, inclusive Levir Culpi, ex-desafeto. O clima de amizade com os jogadores do Flu não amoleceu o coração da torcida, que seguiu com as vaias e xingamento, até durante a execução do hino nacional.

 


Vaias a cada toque na bola

Quando a partida começou, a perseguição prosseguiu. A cada toque na bola, vaias. A cada furada ou erro, euforia. Mas Fred pouco apareceu no jogo. Fez uma finalização para fora, deu seis passes certos e um errado, cometeu duas faltas e sofreu uma. E foi isso. Gum e Henrique não tiveram muito trabalho com o centroavante, mas viram Robinho fazer um bonito gol, bastante comemorado por Fred. Diante da baixa produção, o técnico Marcelo Oliveira resolveu substituí-lo no intervalo. Mesmo no banco de reservas, houve mais vaias, principalmente quando o Tricolor virou o placar e a torcida gritou que o Fluminense não precisa de Fred.

 



Colocando o papo em dia

Após o apito final, vários jogadores do Flu e até dirigentes foram até Fred para cumprimentá-lo. Gum, que também chegou ao Tricolor em 2009 e tem muita história ao lado do atacante, conversou bastante. No papo, com direito a muitos sorrisos, também estava Marquinho, companheiro na inesquecível arrancada para a fuga do rebaixamento.

 

Despedida "teamodeio"

Na saída do vestiário em direção ao ônibus do Atlético, Fred se deparou com uma multidão de tricolores em busca de uma fotografia. Os xingamentos ficaram de lado, e os cantos que enaltecem o atacante entraram em cena. Muitos que ali estavam ali tietando provavelmente engrossaram o coro das vaias. Mas Fred é ídolo, e sabe disso. Sorriu, atendeu a todos com paciência. Depois foi embora. Até o ano que vem.

 









As declarações

Levir Culpi: Não. Não tem isso (Fred ter sentido a pressão). Com a experiência dele... São coisas do jogo. O Atlético não criou tantas oportunidades. Ele é um artilheiro, e todos os técnicos gostariam de tê-lo. Poucos conseguem o que ele consegue. A torcida tem que brincar com isso mesmo, está valendo. O que não vale é agressão, a raiva. Eu já estive no Atlético, hoje estou no Fluminense.

Magno Alves: Sair de um time e ir para outro faz parte da nossa carreira, de jogador. O nome dele já está escrito na história do Fluminense e nada vai apagar. Mas que bom que a gente ganhou dele hoje (risos).



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