O sequestro e a morte de Euclides de Oliveira ganharam novos desdobramentos em Uberlândia. Conforme apurado pelo Diário, um dos suspeitos de envolvimento no crime foi solto nesta semana após uma decisão judicial e vai responder ao processo em liberdade. O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil (PC).
A corporação mantém a linha de investigação de homicídio e segue apurando a participação de todos os envolvidos, além do uso de veículos e demais elementos ligados ao crime. A produção do Diário apurou que não foram encontrados motivos suficientes para manter o suspeito preso preventivamente, já que ele não possuía ligação direta com a morte de Euclides. O homem em questão teria sido abordado com um carro usado para sequestrar a vítima.
RELEMBRE O CASO
O caso de Euclides ganhou repercussão no início do mês. Após investigações, o corpo da vítima foi encontrado no dia 16 de junho, em um lote na avenida Arcírio Cardoso da Silva, no bairro Nossa Senhora das Graças, nas imediações do Parque Siquierolli.
A operação de busca ao corpo do idoso começou ainda na segunda-feira (15). Entre os locais verificados estava um galpão situado no bairro Jardim Europa, onde os policiais imaginavam que o corpo da vítima estivesse enterrado. Contudo, após buscas e emprego do canil do 8º Batalhão de Bombeiros Militar de Uberaba, ficou constatado que a vítima não estava no local.
Ainda de acordo com a polícia, após análise aos sistemas de videomonitoramento, foi constatado que no dia seguinte ao crime, havia sido retirado do galpão uma estrutura de uma geladeira, que apresentava estar bastante pesada. Os investigadores conseguiram traçar parte do caminho percorrido pelo veículo que levava o objeto, verificando que o automóvel ingressou na avenida Arcírio Cardoso da Silva, no bairro Nossa Senhora das Graças, que fica paralela a uma área de mata.
Diante das informações apuradas, as equipes realizaram buscas na mata na manhã desta terça-feira. O corpo de Euclides estava dentro da geladeira que foi concretada e deixada no terreno. Os autores também utilizaram entulhos para cobrir o objeto e atearam fogo. Conforme dito pela polícia, os indícios de que houve tortura também foram confirmados pelas braçadeiras que foram encontradas nas mãos da vítima.
A vítima de 62 anos havia sido sequestrada no bairro Tibery, em Uberlândia, no dia 8 de junho. Durante entrevista coletiva, o delegado Carlos Fernandes, responsável pelas investigações, afirmou que o crime foi cometido por integrantes de uma facção criminosa conhecida como "Tribunal do Crime", e teria sido motivado por acusações ainda não confirmadas contra Euclides.
Segundo as informações repassadas pela Polícia, familiares de uma criança de nove anos acusaram Euclides de ter abusado sexualmente da menor. A denúncia, no entanto, não chegou a ser formalizada por meio de boletim de ocorrência e também não foi confirmada pelos investigadores.
De acordo com a Polícia Civil, um dos investigados, que seria irmão da suposta vítima, submeteu Euclides ao chamado "tribunal do crime", prática adotada por organizações criminosas para julgar e punir pessoas à margem da Justiça.
"O Sr. Euclides participava de aulas em escolinhas de futebol e familiares o acusaram de ter molestado um adolescente, uma criança na idade de 9 anos. Criança essa que é irmã de um dos investigados contra o qual há um mandado de prisão. Esse indivíduo, que é pertencente a uma facção criminosa, resolveu fazer o chamado Tribunal do Crime e com o apoio de mais membros dessa organização criminosa sequestraram o Sr. Euclides no bairro Tibery e o levaram para um galpão no bairro Jardim Europa, onde ali certamente ocorreu o julgamento, a morte e posterior ocultação de cadáver", afirmou o delegado.
As investigações apontam que o idoso foi rendido por homens armados na varanda de uma residência no bairro Tibery e colocado à força em um carro. A partir da análise de imagens de câmeras de monitoramento, os policiais conseguiram reconstruir todo o trajeto realizado pelos criminosos até um galpão localizado no bairro Jardim Europa, na região Oeste da cidade.
De acordo com Carlos Fernandes, há evidências de que o local tenha sido utilizado para o julgamento, execução e ocultação do cadáver. “Nós conseguimos acompanhar o deslocamento do veículo por mais de 20 quilômetros e identificar toda a movimentação dos envolvidos. Em determinado momento, eles foram até uma loja de materiais de construção, onde compraram cimento e areia”, explicou.
Durante a coletiva, o delegado Carlos Fernandes destacou que não existe qualquer registro formal que comprove as acusações feitas contra Euclides.
"Não existe boletim de ocorrência, não existe denúncia formalizada na delegacia, no Conselho Tutelar ou em qualquer outro órgão. Não há provas de que esse abuso tenha ocorrido”, afirmou.
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