Uberlândia registra média de 134 crimes violentos por mês em 2025

No primeiro quadrimestre foram contabilizadas 537 ocorrências; contudo, ao longo dos últimos 10 anos, cidade teve uma queda significativa no número de casos

Por PAULO MOTA | DIÁRIO DE UBERLÂNDIA-
3 Min

Uberlândia registra média de 134 crimes violentos por mês em 2025
São considerados crimes violentos estupro, homicídio, roubo e sequestro I Foto: Freepik

No primeiro quadrimestre de 2025, Uberlândia registrou uma média de 134 crimes violentos por mês, segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça do Estado de Minas Gerais (Sejusp). Ao todo, entre janeiro e abril deste ano, foram contabilizadas 537 ocorrências do tipo, sendo janeiro o período com mais casos, 156.

O número representa um aumento de 8,27% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 496 casos de crimes violentos. No total de 2024, a cidade computou 1.763 ocorrências do tipo, sendo uma alta de 36% se comparado ao ano de 2023 que fechou com 1.292 casos.

Contudo, ao longo dos últimos 10 anos, o município de Uberlândia teve uma queda significativa na quantidade de crimes violentos. Em 2013, 2014 e 2015 foram registradas 5.471, 4.972 e 4.501 ocorrências, respectivamente.

Durante a pandemia da covid-19, também houve uma diminuição relevante no número de casos. Em 2019, a cidade havia contabilizado 3.376 crimes violentos. Já em 2020 e 2021, período pandêmico, a quantidade caiu para 1.948 e 1.469, respectivamente. 

São considerados crimes violentos (tentatos ou consumados): estupro, estupro de vulnerável, extorsão mediante a sequestro, homicídio, roubo, e sequestro e cárcere privado.

CENÁRIO DA CRIMINALIDADE
Segundo o mestre e professor de Direito Processual Penal da Universidade Federal de Uberlândia, Karlos Alves, os crimes violentos podem estar diretamente ligados ao tráfico de drogas e Uberlândia acaba sendo uma cidade estratégica para o crime organizado. “Por conta da localização, por conta do seu desenvolvimento econômico e uma série de contextos, Uberlândia acaba sendo atrativa para esse tipo de crime”, disse o professor.

De acordo com Karlos, um indício do avanço de milícias e outras facções criminosas à Uberlândia é a inclusão da cidade na Rota Caipira. “É uma rota conhecida pelo tráfico internacional de drogas e que liga o Paraguai ao Brasil, passando pelo Mato Grosso do Sul, até Uberlândia e, a partir daqui, essa droga é distribuída para Brasília e Goiânia, você tem acesso à Campinas e a partir de Campinas a São Paulo e Rio de Janeiro”, afirma.

Segundo o professor, uma diminuição da criminalidade violenta passa diretamente por três pilares: reforma legislativa, reforma estrutural da polícia e políticas de ações sociais. “A gente combate a violência criando alternativas, criando condições para que as pessoas ingressem no mercado de trabalho e se insiram na sociedade. Essa parte da política pública não resolve o problema, mas ameniza e, a partir daí, a gente combina fatores. Determinadas práticas criminais vão sim demandar repressão policial, mas outras, a gente consegue amenizar com políticas públicas”, finalizou.

 

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