01/08/2021 às 10h58min - Atualizada em 01/08/2021 às 10h58min

Estresse, depressão, ansiedade e pressões sociais são associados a compulsão alimentar

De acordo com pesquisa de uma Associação de Psiquiatria, 70 milhões de pessoas sofrem com transtornos alimentares

GABRIELE LEÃO
Promotora de vendas Larissa Dias antes e durante o processo de emagrecimento | Arquivo Pessoal
Os distúrbios alimentares são comuns na adolescência e no começo da vida adulta. Eles estão relacionados a uma série de consequências psicológicas, como ansiedade e pressões sociais para o chamado ‘corpo perfeito’. De acordo com uma pesquisa realizada pela Associação Americana de Psiquiatria, 1% da população mundial, cerca de 70 milhões de pessoas, sofrem com transtornos alimentares. Em Uberlândia, Isabella Saramago, de 22 anos, e Larissa Dias, de 31, são uma parte dessa estatística.

Isabela Saramago é estudante de nutrição, do sétimo período, e foi durante uma aula que se identificou com as características de uma pessoa com compulsão alimentar. “Desde a minha infância lutava contra a balança e nunca tive uma alimentação balanceada. Na adolescência, já percebia os episódios de distúrbios alimentares e sempre ouvia as críticas ao meu corpo, principalmente da minha família. Minha mãe, que na época era obesa, e minha tia, com um biotipo mais magro, eram o retrato do meu futuro, caso não me alimentasse bem. Eles sempre diziam que eu não tinha controle ou força de vontade para emagrecer, mas a verdade não era isso”, comentou.

“Os episódios de compulsão eram cerca de quatro vezes na semana e já teve vezes que se estendiam durante todos os dias. Quando batia a ansiedade, fazia dietas muito restritas ou se estava insatisfeita com o meu corpo, esses eram os gatilhos para os episódios de compulsão. Eu sempre pensava: já comi um pedaço mesmo, vou comer tudo. Logo em seguida vinham os sentimentos de culpa, fracasso e tristeza”, relatou.

A graduanda ainda contou que depois que percebeu que tinha esse problema de compulsão alimentar, ficou relutante em procurar ajuda, pois achou que conseguiria sozinha. “Quando os episódios de ansiedade e compulsão permaneceram, procurei ajuda de uma psicóloga, no final do ano passado, associado com acompanhamento psiquiátrico. Hoje, evito me pesar, olhar no espelho com pensamentos de comparação e alimentação muito restritiva. Procuro manter uma boa alimentação e atividade física”, contou.

Com a promotora de vendas e manicure Larissa Dias, os episódios de compulsão não foram muito diferentes. “Quando estava no meu antigo relacionamento, passei diversos períodos de estresse e ansiedade. Para me acalmar e até procurar momentos de felicidade, descontava tudo na comida. Tinha dias que ficava indignada com a quantidade de alimentos que ingeria e sempre era acompanhada de arrependimento e até mesmo de algumas tentativas de vômito, para aliviar a consciência da quantidade de calorias. Depois da minha gravidez, engordei 38 kg, continue a engordar e foi uma briga contra a balança”, comentou.
“Mas os gatilhos aconteciam quando estava sobre momentos de ansiedade, que eram frequentes. Depois do fim do meu relacionamento, há cinco meses, procurei cuidar mais da minha saúde e bem-estar. Comecei a fazer atividades físicas regularmente e manter uma boa relação com a comida”, relatou Larissa.

TRANSTORNOS ALIMENTARES
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os transtornos alimentares podem ser caracterizados como um conjunto de doenças de origem psicológica, ambiental, genética ou mesmo hereditária, que causam perturbação persistente na alimentação de uma pessoa. A anorexia, a bulimia e a compulsão alimentar são alguns dos principais transtornos alimentares que impactam a população brasileira.
A psicóloga Kátia Beal comentou que a compulsão alimentar é um transtorno, e dentro do diagnóstico estatístico das doenças mentais, a compulsão está no mesmo grupo que a anorexia e a bulimia. “A compulsão é caracterizada pelos episódios recorrentes de ingestão de alimentos em quantidades maiores do que normalmente as pessoas conseguem ingerir em um curto período de tempo. A pessoa sente falta de controle e não consegue parar de comer. Mesmo não sentindo fome, geralmente, ela come mais rápido que o normal e até se sentir desconfortavelmente cheia. Quando isso acontece, geralmente, a pessoa come sozinha ou escondida por saber que aquilo é errado ou por ter vergonha. Em seguida, vem o sentimento de culpa, vergonha de si próprio”, explicou.

Segundo a psicóloga, isso é comum entre pessoas que não tem um bom controle das situações estressantes e procuram refúgio na comida. “Às vezes, pra acalmar a ansiedade e problemas com a autoestima, buscam dietas mirabolantes. E para ser considerado como transtorno isso tem que acontecer pelo menos uma vez na semana em um período de três meses. Normalmente, isso acontece na adolescência ou já na idade adulta. A compulsão alimentar também pode estar muita associada a obesidade e sobrepeso”, contou Kátia.



DIAGNÓSTICO
Na terapia, segundo psicóloga Kátia Beal, são observados alguns sinais, que são comuns, mas que também precisam ser analisados a fundo. “A compulsão nunca vem sozinha. Ela pode estar associada a traumas do passado, negligências quando crianças, ansiedade, depressão, algumas pessoas podem ter transtornos de personalidade. Por isso, é importante o acompanhamento com uma equipe multidisciplinar, com nutricionista, psicólogo e psiquiatra para entender tudo o que arremete a esse processo”, explicou a terapeuta. 

 
Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »