04/04/2020 às 08h30min - Atualizada em 04/04/2020 às 08h30min

Dos pisos de cimento à elite do vôlei nacional

Manoel Honorato leva equipe da Academia do Vôlei à Superliga A

SÍLVIO AZEVEDO
Para a disputa da Superliga A, a Academia do Vôlei trabalha para começar o planejamento financeiro | Foto: Academia do Vôlei/Divulgação
No ano em que completa de 20 anos em Uberlândia, a Academia do Vôlei/Gabarito/Start Química garantiu uma vaga na elite do voleibol masculino nacional, após terminar a fase de grupos da Superliga B em segundo lugar e a competição ser encerrada por causa do surto de coronavírus no Brasil. Um prêmio para a história de luta e crescimento do seu fundador e técnico, Manoel Honorato.

Vindo da Paraíba no final dos anos de 1990, Manoel trouxe para Uberlândia um conceito de uma organização que promova o voleibol como ressocialização e a criação de equipes de alto-rendimento, disputando diversas competições de níveis estaduais e nacionais.

“A Academia do Vôlei é uma Organização Não-Governamental que trabalha com duas vertentes. A primeira é um trabalho social, tirando pessoas das ruas, dando uma inserção social através do vôlei. A segunda é o rendimento mesmo, disputar as competições. Hoje, Uberlândia tem 52 títulos estaduais em várias competições, inclusive Campeonato Mineiro, e seis de Campeão Brasileiro. Jogou Ligas Universitárias Nacionais, Jogos Universitários Brasileiros (Jubs)”.

Para a disputa da Superliga A, a Academia do Vôlei trabalha para começar o planejamento financeiro. “O primeiro passo está sendo catalogar informações para termos uma noção do orçamento que precisaremos. Temos que fazer um projeto sólido, consolidado, e que todas as pessoas envolvidas nesse projeto têm que entender que no primeiro momento a gente tem que entrar para permanecer na elite e não, já no primeiro ano, descer. Então tem que ter um orçamento e os patrocinadores consistentes onde todas as pessoas possam ratificar confirmar aquela ideia de que entrar na A é bom, mas permanecer é melhor”.

Ainda em fase embrionária do planejamento, não apareceram empresas interessadas apoiar a Academia do Vôlei na elite. “A gente, na verdade, está conversando com os nossos patrocinadores e montando um planejamento para, aí sim, quando a gente tiver um custo para participar, procurar algumas empresas via lei de incentivo ou cash direto”, explicou Honorato.

Sobre a montagem do elenco, Manoel diz que alguns atletas que participaram da campanha da temporada atual podem permanecer para a disputa da Superliga A. “Começamos a trabalhar o elenco, mas a conversa foi interna com os atletas sobre quem tem o interesse de ficar. Já começamos, sabemos que 90% do grupo quer permanecer. A partir daí, com a resposta deles, a comissão técnica está avaliando quem teve um resultado positivo e quem não teve”.

TRAJETÓRIA
Até a inédita classificação para a Superliga A, foram 11 anos de muitas batalhas e inúmeras conquistas. “Durante esse período tentamos entrar na Superliga, que a CBV antes dava outros meios para se ter o acesso. Em 2016 ganhamos o direito de jogar a Superliga B após sermos campeões da Liga Nacional sub-23, disputada em Maceió (AL). Foram quatro participações até conseguirmos o acesso. Então na história, jogamos duas vezes a séries C e quatro anos a B“.

DIFICULDADES
Mas, para chegar ao ápice do vôlei nacional, Manoel conta que passou por muitas dificuldades no início do projeto, como falta de locais apropriados para treinar, poucos recursos financeiros e mais profissionais para ampliar o corpo técnico.

“A maior dificuldade encontrada eu diria que foi espaços para treinamento. A gente chegou a treinar em vários poliesportivos com piso de cimento durante alguns anos. Mas, em julho de 2018 nós inauguramos uma sede própria, construída com recursos de Termos de Ajuste de Conduta (TAC) do Ministério Público do Trabalho. Um ginásio de excelência, situado no bairro Cidade Jardim, inclusive com o piso taraflex, que poucos clubes no país têm”.

O segundo obstáculo foi conseguir patrocinadores que acreditassem no projeto. Atualmente duas empresas estampam suas marcas nos uniformes das equipes de competição e no ginásio. Porém, Manoel fala que o recurso é escasso diante do tamanho do trabalho realizado pela Academia do Vôlei.

“Temos dois patrocinadores muito fiéis, a Start Química, que já está seis anos com a gente, e o colégio Gabarito há sete. Duas empresas idôneas e fiéis. Mas, ainda o fluxo de dinheiro para essa equipe é muito pequeno agora para ter a base, que conta com 280 atletas que disputam competições como os Jogos Estudantis, campeonatos da Confederação Brasileira de Desporto Escolar (CBDE), Campeonato Mineiro de Clubes, campeonatos universitários, brasileiro universitário”.

A outra dificuldade é a composição do corpo técnico das equipes, que hoje conta com apenas quatro profissionais. “A gente tem ainda uma comissão técnica um pouco restrita. Vamos tentar pedir ao poder público que auxiliem nessa empreitada. Por isso, eu acredito que as principais dificuldades que tivemos nesse tempo foram espaço, patrocínio e pessoal”, disse o técnico.

No entanto, para superar as dificuldades e adversidades do caminho, Manoel Honorato se apegou à religião e a proposta de vida que acredita ter sido missão divina imposta a ele. “Todo mundo tem uma obrigação nesse mundo. A minha, já que eu fundei a Academia do Vôlei há 23 anos, em Campina Grande, e depois veio um ginásio, eu faço aquilo por amor sim, mas por obediência, porque eu sabia que tinha jovens, atletas, famílias que iam depender daquele lugar e isso que a gente tem como uma causa de vida mesmo”, destacou.







 
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