22/02/2020 às 08h00min - Atualizada em 22/02/2020 às 08h00min

Paratletas locais buscam vaga em Tóquio

Diário acompanhou treinamento da equipe de atletismo da Aparu

IGOR MARTINS
Mauro, Rogério e Edmar durante treinamento no Sesi Gravatás | Foto: Igor Martins

Os Jogos Paralímpicos são o sonho de qualquer atleta profissional. Para chegar lá, é preciso determinação, foco, vontade e muito treinamento. Composta por cerca de 70 paratletas, uma equipe do paratletismo da Associação dos Paraplégicos de Uberlândia (Aparu), em conjunto com a Fundação Uberlandense de Turismo, Esporte e Lazer (Futel), espera conseguir ao menos duas vagas para a competição de Tóquio, prevista para começar no final de agosto.

Além do grupo da Aparu/Futel, Uberlândia pode contar com outros representantes nos Jogos Paralímpicos de Verão.  A natação paraolímpica do Praia Clube, uma das equipes mais competitivas do Brasil, também briga por vagas em Tóquio, assim como o halterofilismo do Clube Desportivo para Deficientes de Uberlândia (CDDU).

Rogério Borges é um dos três treinadores responsáveis pela equipe de paratletismo da Aparu. Além dele, também participam da preparação dos atletas Leandro Garcia e Simone Alvarenga. O grupo foi destaque na última competição regional, faturando medalhas e prêmios individuais para os comandantes, incluindo os títulos de melhor técnico, 3º melhor técnico e 5º melhor técnico.

O torneio também foi importante para que alguns paratletas conseguissem o índice necessário para disputar o campeonato nacional, em maio. Agora, Borges espera conseguir extrair o máximo dos paratletas para garantir uma vaga na capital japonesa. “Temos trabalhado muito. É uma competição pesada. O Brasil é referência nos esportes paralímpicos. É um país que tem qualidade e quantidade, temos consciência de que será uma tarefa muito difícil”, falou.

O que é necessário para garantir uma vaga nos Jogos Paraolímpicos? Em todas as edições, o Comitê Paralímpico Internacional determina um índice a ser alcançado pelos atletas de alto nível, variando de modalidade para modalidade. Caso o paratleta atinja a marca, ele passa por uma triagem e o número de vagas disponibilizadas pelo comitê é verificado. Após isso, é feito um ranking para distribuir todas as vagas ofertadas.

Para chegar lá, é preciso muito treinamento e foco, segundo o treinador de 58 anos. Rogério afirmou que paratletas que buscam vagas em Olimpíadas precisam de, pelo menos, dez sessões de treinos semanais. “É o número necessário, pois se trata de paratletas de alto rendimento. O nosso foco está no mês de maio, quando acontece o campeonato nacional, onde serão medidos os índices necessários para garantir uma vaga em Tóquio”, disse.

O Diário acompanhou um treinamento da equipe da Aparu, durante a semana, e conversou com dois paratletas do grupo que buscam um lugar nos Jogos Paralímpicos de agosto.

ARREMESSO DE PESO

Quem busca uma vaga no arremesso de peso é o mineiro Mauro Evaristo de Souza. Nascido na cidade de Patos de Minas, ele começou no paratletismo em 2008 após sofrer um acidente que deixou sequelas em uma de suas pernas. Sua carreira na modalidade, entretanto, começou no arremesso de dardo. Em sua primeira competição, bateu recorde brasileiro. Uma lesão com o objeto fez com que o paratleta mudasse o foco para o arremesso de peso.

Aos 56 anos, Souza já participou de vários torneios, incluindo os Jogos Paralímpicos do Rio de 2016 (4º lugar) e os Jogos Parapan-Americanos, em 2019, quando trouxe o ouro para Uberlândia, batendo o recorde pan-americano. Ele falou sobre a experiência nestes eventos e sua preparação para conquistar uma vaga em Tóquio.

“É uma emoção muito forte estar em competições assim, especialmente os Jogos Paralímpicos. Só estando lá mesmo para saber o que significa, é arrepiante. Agora, tenho que treinar forte, buscar todas as oportunidades e não perder tempo. Vale a pena todo o esforço nesse momento para conseguir essa vaga”.

O segredo, de acordo com ele, é o treinamento. Mauro vai ao Sesi Gravatás cinco vezes por semana para realizar os treinamentos junto aos companheiros de equipe. “Só tenho a agradecer todos os parceiros, além da Aparu, Futel, Prefeitura e as bolsas-atleta estadual e federal. Vamos que vamos. É Tóquio 2020”, disse.

LANÇAMENTO DE DARDO


Edmar é o atual recordista brasileiro na modalidade | Foto: Igor Martins


Atual recordista brasileiro no lançamento de dardo, Edmar Alves de Oliveira também luta diariamente para conquistar seu espaço no Japão. Nascido na pequena cidade mineira de Guarda-Mor, ele começou no esporte na década de 90 e já esteve presente em vários campeonatos mundiais.

O mineiro de 50 anos sofreu grave acidente de moto e, assim como Mauro, ficou com lesões nos membros inferiores. Agora, ele espera alcançar a marca exigida pelo comitê na sua modalidade, que é o lançamento de dardo a uma distância de pelo menos 54 metros.

“Atualmente estou na casa dos 38 metros. Mas tenho melhorado cada vez mais com os treinamentos. Ainda temos esperança. O esporte me deu a vida de novo para recuperar. É um passo de cada vez”, afirmou.

REFERÊNCIA
O Brasil ficou em primeiro lugar no quadro geral de medalhas nos Jogos Parapan-Americanos de Lima em 2019. Foram 308 medalhas, sendo 124 ouros, 99 pratas e 85 bronzes. O país teve sua melhor campanha na história da competição, ultrapassando o recorde do México, que em 1999 conquistou 307 medalhas.

A cidade de Uberlândia foi uma das referências durante o torneio. Os paratletas locais conquistaram 27 medalhas, sendo oito de ouro, oito de prata e 11 de bronze, somando as conquistas de atletas das equipes de atletismo da Aparu/Futel, natação do Praia Clube e halterofilismo do Clube Desportivo para Deficientes de Uberlândia (CDDU)/Futel.


















 

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