13/02/2020 às 08h00min - Atualizada em 13/02/2020 às 08h00min

Arte que transforma vidas

Grupo de Uberlândia produz bordados para comunidade de Brumadinho

IGOR MARTINS
Ação reúne trabalhos de 16 artistas | Foto: Divulgação

O dia 25 de janeiro de 2019 entrou para a história como uma das datas mais tristes na história do Brasil. Uma barragem da Vale de quase 10 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minérios se rompeu na cidade de Brumadinho (MG), deixando 270 mortos e 11 desaparecidos. Os prejuízos para o município mineiro representaram perdas pessoais, materiais e devastaram grande parte da vegetação e da fauna no local.

O Grupo Matizes Dumont, de Brasília, criou uma ação que busca ajudar a população brumadinhense por meio da arte. Até o próximo dia 17, serão criados bordados em formas de gotas com desenhos e mensagens de conforto para as pessoas que perderam entes queridos e bens na tragédia do ano passado. Os trabalhos recebidos serão encaminhados a uma instalação em Inhotim e posteriormente doadas à comunidade da região metropolitana de Belo Horizonte.

A instituição convidou um grupo de artistas plásticas de Uberlândia para fazer a produção destes materiais. O Coletivo Professor é formado por 16 artistas visuais, incluindo Mara Rúbia Colli, Maristela Bigulin, Alexandra Cardoso, Silvânia Flor de Lins, Cristiane Rocha, Marilane Melo, Íris Avelar, Marileusa Reducino, Eliane Tinoco, Osvanda Guerra, Rafaela Zanette, Léa Zumpano, Soraia Lelis, Lionizia Goyá, Maria Guilhermina e Elenice Silva.

Léa Zumpano, artista plástica que participa da ação da Matizes Dumont, falou ao Diário sobre a importância da atividade e o que ela representa para a população de Brumadinho. Segundo ela, as diferentes linguagens poéticas permitem uma pluralidade de ideias que tem como finalidade levar conforto através do poder terapêutico da arte.

“Temos que começar a pensar nos outros. Estamos vivendo momentos de intolerância, e esse projeto vem com a ideia da arte entregar um encorajamento para estas pessoas que estão passando por um momento muito difícil”, disse. Léa acredita ainda que o momento é de reflexão e que todo o Brasil deve questionar tudo o que aconteceu no dia 25 de janeiro de 2019.

“É preciso que a gente pense nas responsabilidades e irresponsabilidades. Precisamos apoiar todas as vítimas e nos perguntarmos ‘porque é que isso aconteceu?’. A discussão é importante e é uma maneira de nos colocarmos com um posicionamento político-cultural”, afirmou à reportagem.

COLABORAÇÃO


Lionizia Goyá explicou arte produzida através de sua linguagem poética | Foto: Divulgação


A artista plástica e escritora Lionizia Goyá também faz parte do Coletivo Professor e pôde colaborar com um bordado que será encaminhado à comunidade de Brumadinho. Com uma linguagem poética voltada para a pintura, ela conta que se debruçou sobre o material e tentou dar a sua cara na arte, com objetos que a emocionaram.

Em um fundo alaranjado, Lionizia produziu a sua gota bordada com a palavra “fé” em um retalho preto que lembra um tronco de uma árvore. Acima, em verde, existe um triângulo, que segundo ela remete à tríade, representando o corpo, alma e espírito. “O laranja é uma cor quente, que leva alegria, prosperidade e sucesso. O preto tem um significado na psicologia que lembra coragem, determinação e vontade de mudança. O verde remete à esperança. A gota tem toda uma simbologia. O bordado de flor colocado ainda fala sobre o círculo da vida, trazendo uma ideia de equilíbrio e ainda tem a cor roxa, lembrando a espiritualidade”, explicou. A arte ainda possui estrelas, lembrando a luz, o renascimento e a renovação.















 

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