10/11/2019 às 08h00min - Atualizada em 10/11/2019 às 08h00min

Projeto integra crianças e jovens de Uberlândia ao cenário da música caipira

"Viola Inclusiva - Tocar e Dançar" é apresentado na terça-feira (12), no Teatro Municipal

ADREANA OLIVEIRA
Professor Alex Silva durante ensaio da coreografia final do espetáculo | Foto: Adreana Oliveira

Logo que o portão se abre para a reportagem ali no prédio na rua Ásia, no bairro Tibery, é dispensável a pergunta sobre onde é o ensaio. Basta seguir o som. O relógio ainda não marca 8 horas da manhã e o som que vem da quadra de esportes contagia antes mesmo que a gente entre no espaço.

E não é só o som da viola que encanta, é também o canto, o bate-bate Dos pés, e aquele barulho de crianças criativas, espertas e saudáveis que acordaram cedo para se dedicarem às artes. Geovana Sousa, de 9 anos, há três no projeto Viola Inclusiva, sob responsabilidade do diretor artístico Tarcísio Manuvéi no Centro de Convivência da Criança e do Adolescente (Ticôte), se aproxima da repórter.

Ela está com o braço direito quebrado e não vai poder tocar viola na terça-feira, dia 12, COM “Viola Inclusiva – Tocar e Dançar”, no Teatro Municipal de Uberlândia, onde a noite contará com apresentações de viola, catira, canto e dança com cerca de 120 alunos envolvidos nos projetos da instituição.

“Mas eu vou cantar!”, garante a menina atenta a todos os detalhes da profissão, ao lado de Manuvéi. A admiração da menina pelo projeto está clara em seus olhos e em cada sorrisão de cada menino e menino ali naquele espaço. Para o violeiro Manuvéi, nada melhor para dar mais força ainda à iniciativa.

“Estamos aqui com o Viola Inclusiva há 3 anos, mas os outros projetos já atendem crianças e adolescentes há mais tempo e aproveitei que tínhamos a data no Municipal para o projeto de viola e sugeri fazermos de todos juntos, será uma bela festa”, disse Manuvéi.

Para fazermos as fotos que ilustram essa reportagem, eles ensaiaram a música “Feito Borboleta” (Fernando Guimarães), que vai encerrar o espetáculo. Do alto da cadeira em que se equilibrava para o registro, a repórter/fotógrafa teve que se segurar para não cair, dada a beleza da entrega daqueles sons, daquelas vozes, é mesmo de arrepiar.

Victor Hugo Batista de Araújo, 13 anos, sonha em ser cantor. No projeto há três anos, cursando o 6º ano do ensino fundamental no período da tarde, dedica às manhãs ao projeto. “Vou participar na catira, no canto e na dança na terça-feira”, comentou. A colega, Letícia Mariany Natalino, 11 anos, está desde criança no Ticôte e é um orgulho para a família que estará em peso no teatro para vela performar. “Eu quero ser bailarina e tudo que aprendo aqui eu sei que vai me ajudar na vida toda”.

Izabeli Thavieney, 12 anos, chegou há apenas dois meses, mas já está se sentindo parte do grupo. “Eles me acolheram bem e já fiz muitos amigos”. Assim também se sente Kemylli Cristini, 11 anos, no projeto desde fevereiro. Ao contrário de Letícia e Victor Hugo, ela não pretende seguir carreira artística. “Quero ser médica, mas mesmo assim, sei que tudo que aprendo aqui, desde a disciplina até a convivência com os colegas e professores ajuda na minha formação.

NAS CORDAS
A música desempenha um papel fundamental no desenvolvimento integral da criança e do adolescente. É uma forma significativas de linguagem, comunicação e expressão humana, além de carregar em si traços da história, cultura e identidade social que são por ela transmitidos e desenvolvidos. Por isso, o projeto “Viola Inclusiva - Tocar e Dançar” tem como objetivo principal sensibilizar as crianças e adolescentes matriculados no Centro de Formação Ticôte (Ticotinho) na prática da música caipira e de seu cenário cultural por meio da oferta de oficinas de viola caipira, violão, canto e catira.

Viabilizado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (PMIC) e patrocínio Sistema Integrado Martins, o projeto está no terceiro ano. Os irmãos Carlos Eduardo Barbosa Toledo, 14 anos, e Alana Gabriela Barbosa Toledo, 12 anos, entraram juntos no projeto e já conseguem perceber a evolução. “A gente não sabia tocar nada e hoje estamos bem ensaiados e costumamos treinar juntos até em casa”, disse Carlos Eduardo.

Alana afirma que eles gostam de coisas parecidas e cada vez mais a família tem orgulho deles. “Sempre que estamos reunidos a gente toca alguma moda”. Pelo empenho dessa turma, o Municipal vai ficar pequeno pra tanto talento!

1, 2, 3 GIRÔ!
Os 120 alunos do projeto estão divididos nos turnos da manhã, acompanhado pela reportagem, e tarde. Todos fazem essas atividades no contra turno escolar. E claro que não é tarefa fácil manter essa bagunça organizada, mas os professores instituem regras fáceis de gravar e a garotada colabora de bom grado.

O bailarino Alex Silva, professor na ONG há cinco anos ensina: “1, 2, 3 girô! E agradece. Vamos fazer de novo... e de novo”. Assim, as crianças aperfeiçoam o movimento de agradecimento ao final da dança.

“É um privilégio pra mim participar da formação desses meninos e meninas enquanto pessoas. Eu ainda atuo como bailarino e toda paixão que tenho quando danço tenho quando ensino a eles. Cultua e educação juntos transformam vidas. A gente sabe que a vida não é fácil, mas a arte ameniza um pouco isso e faz com que essa turma enxergue o mundo menos cinza, e mais colorido”, afirmou.

ESPETÁCULO
O espetáculo “Viola Inclusiva – Tocar e Dançar” será dividido em quatro atos. No primeiro tem a apresentação da Orquestra do Ticotinho, depois o Viola Inclusiva, na sequência apresentação do Grupo de Catira Ticotinho e para fechar as coreografias de seis grupos do professor Alex Silva. Produtos produzidos no Ticôte também serão usados no cenário.

SERVIÇO
O QUE: “Viola Inclusiva – Tocar e Dançar”
QUANDO: terça-feira (12), às 20h
ENTRADA FRANCA
CLASSIFICAÇÃO: livre
INFORMAÇÕES: 3235-1568
 
FICHA TÉCNICA
Proponente e professor de viola: Erick Viola
Professora de Catira: Débora Cristina
Professor de violão: José Mauro
Direção Artística: Tarcísio Manuvéi
Produção Executiva: Ivy Anne Santos
Assistente de produção: Maryane Stella
Técnico de Som: Cláudio Roberto
Iluminador: Fernando Franco Cintra










 


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