10/10/2019 às 07h49min - Atualizada em 10/10/2019 às 07h49min

Gratidão em notas musicais

Violonista Manoel Amâncio conta sua história de atitude e fé

DIVULGAÇÃO
Manoel Amâncio, que se apresenta no Municipal domingo, morou em Albergue e almoçava na igreja | Foto: Divulgação

No início dos anos 90 o grunge dava as cartas na música mundial. Com suas camisas xadrez, jeans rasgados e tênis All Star - não por darem status, mas por serem bem baratos - músicos de bandas como Mudhoney, Nirvana, Soundgarden, Pearl Jam, entre outras de Seattle, nos Estados Unidos, chegaram ao estrelato fazendo mais com menos, com atitude. Por aqui, em Uberlândia, jovens inspirados por esse movimento gravavam suas fitas K7 e começavam suas bandas em garagens ou quartos espalhados pelas periferias.

Outro “fenômeno” percebido nesta época era a facilidade de se gravar um CDR e sair com a cara e a coragem mostrando seu trabalho em bares e restaurantes que poderiam ou não abrir a suas portas para estes artistas, principalmente do segmento sertanejo. Por volta de 1994 Clébio Manoel Amâncio gastava a sola e sapato andando por todos os bairros de Uberlândia, batendo de porta em porta, oferecendo seu CD, oferecendo seu show para clientes de bares e restaurantes, buscando um lugar ao sol. Na época, usava o nome Clébio Amâncio.

“Cheguei a vender 50 mil cópias de CDs desse jeito”, recorda o violonista clássico, natural de Araxá, hoje com 48 anos de idade. Sim, você leu isso mesmo: violonista clássico, que adotou o nome artístico Manoel Amâncio.

No domingo, Amâncio sobe ao palco mais nobre de Uberlândia, o do Teatro Municipal, com um show sem cobrança de ingresso, apresentando música de qualidade para quem quiser ouvir. É hora de rever algumas crenças como aquela que diz que música clássica é para a elite.

“Violão que fala e chora” é um concerto instrumental que passeará pelos estilos erudito, clássico e popular. Além do Municipal, haverá apresentações no domingo na Casa Santa Gemma, Instituição Social São Vicente de Paulo e Santo Antônio, em Uberlândia, e no dia 17 de outubro na cidade natal do artista no Recanto dos Idosos e Teatro Municipal de Araxá.
 
ESCOLHAS
Mas por que as apresentações nessas instituições e a premissa da apresentação gratuita? “Em 1994 vim para Uberlândia procurar oportunidades de trabalho. Não conhecia nada aqui. Sem trabalho e sem dinheiro, não tinha como pagar hotel ou me alimentar quatro vezes por dia. Durante cerca de seis meses fiquei no albergue ali da João Pinheiro [Albergue Noturno Ramatis], onde podia passar a noite. Graças a voluntários da igreja Nossa Senhora Aparecida eu tinha o almoço garantido. Graças a isso, fui me ajeitando, até conseguir emprego e ter condições de me manter”, contou o músico em entrevista ao Diário de Uberlândia na manhã de ontem.

Antes da dedicação exclusiva à música, trabalhou como vendedor de cartões, entre outras atividades. Depois de quase dez anos em Uberlândia, onde, além de peregrinar com seus shows e vender seus CDs, abriu escolas de música particular que tiveram sede nos bairros Martins e Brasil, voltou a Araxá por causa de um problema de saúde da esposa, mas sempre volta para cá. Além do Violão, Manoel Amâncio também toca outros instrumentos, os quais está sempre aprimorando.

De origem humilde, ele vê na família uma base sólida. Casado com Lucia Helena Aparecida Prado Amâncio e pai do menino Igor, teve o privilégio de trabalhar com o maestro e professor Edmar Antônio Saraiva (in memoriam), em São Paulo, onde estudou música por sete anos, com foco no violão clássico. “A música em si já fazia parte da minha vida desde criança, sempre fui apaixonado por isso e o estudo só fez me aprofundar. Sou admirador e seguidor de Dilermando Reis, um dos violinistas mais influentes e importantes do país e depois que me tornei cristão a gratidão passou a ser algo mais constante ainda na minha vida”, comentou.

Depois de tantas dificuldades superadas, e mantida a paixão por Uberlândia, cidade que considera uma das que mais evolui no Brasil, Manoel Amâncio fez questão de inaugurar nas duas cidades a turnê “Violão que fala e chora”. E atuando em duas frentes: com entrada franca nos teatros para qualquer um participar e levando a instituições nas quais os moradores não têm condições de se locomover.

“É uma forma de mostrar essa gratidão que tenho por meio da música”. E isso só é possível porque lá atrás alguém acreditou nele e foi solidário. Hoje, acreditam nele como artista. A turnê é viabilizada com patrocínio da CBMM, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e apoio cultural da Fundação Cultural Calmon Barreto, Prefeitura de Araxá, Secretaria Municipal de Cultura de Uberlândia e Revista Identidade.
 
INCLUSÃO
Com entrada gratuita e livre para todos os públicos, a turnê garante o acesso para deficientes físicos e auditivos, por meio de acessibilidade e intérprete de libras. Dessa forma, o violonista Manoel Amâncio faz a sua parte, disseminando arte de qualidade para quem tem tempo e disposição para se permitir um pouco mais de leveza nesses tempos e ainda estimular novos talentos, novos públicos, e principalmente, a geração de empregos por meio da arte.
 
SERVIÇO
O QUE: Concerto “Violão que fala e chora”
QUEM: Manoel Amâncio
QUANDO: domingo (13), às 20h
LOCAL: Teatro Municipal de Uberlândia
ENTRADA FRANCA
CLASSIFICAÇÃO: livre
INFORMAÇÕES: 3235-1568






 

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