15/08/2019 às 10h00min - Atualizada em 15/08/2019 às 10h00min

Uai Q Dança inicia temporada com espetáculo em Uberlândia

“Os eventos são quase sempre os mesmos” é reconfigurado e é apresentado na cidade até outubro

ADREANA OLIVEIRA
Luciane Segatto em solo que estreia temporada nesta sexta-feira (16) em Uberlândia | Foto: Cristiano Barbosa/Divulgação

É feriado nesta quinta-feira (15). O próximo vai cair num sábado, não tem graça. De certa forma já conhecemos as próximas manchetes: o aniversário da cidade, o Dia de Finados, mais um pouquinho já estaremos falando sobre as decorações de Natal. “Os eventos são quase sempre os mesmos” (2006), livro-objeto da escritora mineira Lourdinha Barbosa, radicada em Uberlândia, é uma obra que transcende a literatura.

Há um ano virou espetáculo da Cia profissional do UAI Q Dança com direção artística de Fernanda Bevilaqua e pesquisadora e movimentos em cena de Patrícia Borges e Luciane Segatto. Agora, viabilizado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Pmic), volta aos palcos em temporada com apresentações gratuitas reformulado, como solo de Luciane Segatto.

“Eu já trabalho há mais de 15 anos com a Patrícia. A notícia da gravidez dela foi uma grande surpresa, recebida com muita alegria e amor por todas nós. Foi um momento de felicidade e dúvida por conta do projeto já estar em andamento. A Fernanda não queria chamar outra pessoa para o lugar dela, nem eu. Resolvemos reformular a criação coreográfica”, disse a bailarina uberlandense Luciane Segatto, agora protagonista do solo.

Para ela foi um desafiador refazer o espaço cênico, trazer novas referências e construir os espaços visuais neste novo ambiente junto com uma nova roupagem de movimento. “Foi uma sensação de desapego, como construir uma outra casa”, disse a bailarina.

Luciane precisou criar uma nova partitura corporal, que na dança contemporânea é fruto da investigação corporal, da criação do próprio movimento. “É diferente da partitura universal, por exemplo, no ballet clássico, um Pliè é a mesma coisa em qualquer parte do mundo. Quando desenvolvemos uma partitura corporal é como se fosse uma mistura de bolo. A Fernanda, como diretora artística, me orienta com os ingredientes, mas a mistura sou eu quem faço, crio uma assinatura”, explicou a bailarina.

Segundo ela, ao retirar os envelopes do livro-objeto de Lourdinha, às vezes era como se retirasse uma carta de tarô. Cada encontro, cada palavra, cada verso requer um movimento.

Fernanda comenta que o livro-objeto já é algo fora do comum. “Você se apega a uma caixa rústica, com 63 envelopes, e tudo é dito no espaço do destinatário de cada um. Nos vemos ali também, naquele cotidiano ordinário de nossas vidas, tentando arrumar os cômodos internos e externos de nossa casa. A Lurdinha tem uma escrita rotineira, moldada por momentos intensos, profundos mas também muitas coisas engraçadas e desconexas”, disse a diretora que completa ainda que a nova versão conta com novos objetos cênicos.
 
LIVRO-OBJETO

“Os eventos são quase sempre os mesmos”, de Lourdinha Barbosa, é um livro objeto: uma caixa com 63 envelopes onde toda a escrita acontece na parte da frente, onde ficam os dados do destinatário. Cada palavra escrita, verso, interrogação, reticências, ponto ou vírgula de todos esses envelopes estão contidos na pesquisa de movimentos da intérprete Luciane Segatto que deixa transbordar em cena seus próprios eventos.

“Vendo a versão da Lu (Luciane Segatto) vejo que o outro (Patrícia) está aqui também, não há como dissociar essas duas dançarinas tão unidas, que se prepararam tanto, que vivenciaram tanto o livro junto com a Fer (Fernanda Bevilaqua) na direção. Um entra no outro com suas peculiaridades. É muito bom ver que a arte não quer parar, que o livro que está com edição esgotada, está sendo expresso, lido, através da dança, oxalá de outras artes também, fico muito feliz de vê-lo dando o seu recado e sendo enriquecido por outros artistas. Tomara que muitos possam assistir a este espetáculo também”, disse Lourdinha.

O prefácio do livro “Os eventos são quase sempre os mesmos” é do artista Wagner Schwartz, que tem uma ligação artística forte com Uberlândia e está atualmente radicado na França. “Lourdinha cria esquemas para guardar imagens reduzidas à sua extensão mínima. Refere-se a elas enquanto coisa. Ela não quer recriar, mas abrigar, encontrar endereço. As imagens são extensões de sua casa: ela-mesma-seu-livro-objeto. Ela convida o destinatário anônimo a aproximar-se de suas experiências sem adjetivos – ela já fez muito por eles, a ligadura dos eventos se dá pelo seu próprio emaranhado, mas pode ser desviada sensivelmente quando interpoladas por intervenções do leitor: a coisa pode ainda permanecer. As inquietações também, talvez por que os eventos sejam quase sempre os mesmos”.

FICHA TÉCNICA
Bailarina/pesquisadora dos movimentos em cena: Luciane Segatto
Concepção e direção: Fernanda Bevilaqua
Criação e operação de luz: Ronan Vaz
Sonoplastia: Cecília Resende
Registro fotográfico do espetáculo: Cristiano Barbosa
Duração: aproximadamente 45 minutos
 
SERVIÇO - APRESENTAÇÕES CONFIRMADAS
ENTRADA FRANCA


Espetáculo: “Os eventos são quase sempre os mesmos”
16, 17 e 18 de agosto
20h - Palco de Arte (R. Felisberto Carrejo, 386, Fundinho)

27 de agosto
14h – Auditório da Escola Sobradinho IFTM (Fazenda Sobradinho – Zona Rural)
3236-0762

13 de Setembro
20h - Graça do Axé (Av. Cesário Crosara, Roosevelt)

26 e 27 de outubro
20h – Ponto dos Truões (Av. Ana Godoy de Sousa, 381, Santa Mônica)
3237-9440


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