04/08/2019 às 07h30min - Atualizada em 04/08/2019 às 07h30min

Da base para o comando do Galo

Jovem treinador de 37 anos, Rodrigo Santana foi campeão mineiro do interior pela URT e hoje faz sucesso à frente do elenco alvinegro

EDER SOARES
Técnico Rodrigo Santana em jogo realizado no Independência | Foto: Bruno Cantini/Atlético

Há quem diga que seja apenas sorte um jovem treinador de 37 anos chegar ao comando técnico do Atlético Mineiro, um dos maiores clubes do futebol brasileiro. Ou ainda que o clube de Belo Horizonte apenas cumpre o que pode ser uma tendência nos últimos anos entre as principais equipes brasileiras, que é a de efetivar técnicos vindos de trabalhos realizados nas categorias de base do próprio clube.

Levando-se em conta esses e tantos outros questionamentos, Rodrigo Santana já é apontado como uma realidade dentro do Galo. Ele vem ganhando o respeito não somente da massa atleticana, como também da imprensa brasileira pela sua metodologia de trabalho que alia uma equipe equilibrada entre defesa e ataque.

O Atlético acaba de avançar para as quartas de final da Copa Sul-Americana, e no Campeonato Brasileiro é o quarto colocado. Neste domingo, o Galo – e consequentemente Santana - tem mais uma prova de fogo no clássico mineiro diante do Cruzeiro, às 19h, no Independência.

Mas, antes de chegar ao Atlético, Rodrigo Santana precisou “ralar” pelo interior do futebol brasileiro até chegar à capital mineira, em 2018, como treinador da equipe sub-20. Rodrigo tem um forte vínculo com o Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, já que comandou a URT por duas temporadas, em 2017, quando foi campeão do interior com o Trovão Azul, e em 2018. Nas duas ocasiões, por muito pouco, não conseguiu subir a equipe para a Série C do Brasileiro. Em 2016, no Uberaba, também ficou a um passo de levar o Zebu para a elite do futebol mineiro.

Rodrigo é casado com Gabriela Santana e pai de Sofia e Rodrigo Filho. Ele nasceu em Santos em 29 de maio de 1982 e começou a jogar futebol aos cinco anos de idade, no Portuário (SP), depois passando ainda por Santos e Jabaquara. Como jogador profissional, vestiu a camisa de várias equipes das regiões sul e nordeste do Brasil, além de pequenas passagens pela Bolívia e Hungria. Aos 28 anos, quando jogava como meio de campo, teve uma lesão na mão e teve que parar de jogar. Foi então que veio o convite para ser auxiliar técnico do Camboriú (SC), encerrando de vez sua carreira como atleta.

Antes de Galo, URT e Uberaba, Santana trabalhou ainda no Pinheiros (PR), Barueri (SP) União Suzano (SP) e Juventus (SP), onde fez grande sucesso e levou o Moleque Travesso à Série A2 do Paulista. Mesmo em meio a uma intensa maratona de jogos entre Campeonato Brasileiro e Copa Sul-Americana, nos quais o Galo faz boas campanhas, Santana achou um tempinho para conversar com a reportagem do Diário de Uberlândia, onde fala sobre virtudes na carreira, estrutura do Galo e até sobre o potencial que tem o Uberlândia Esporte Clube, clube pelo qual foi adversário em várias ocasiões, principalmente comandando a URT.
 
Diário - O que te levou a estar num grande clube como o Galo?
Rodrigo Santana
- Eu sempre tive muita confiança no meu trabalho, pois sempre me prepararei muito independente do nível de competição que disputei. Eu trabalho de uma forma que, não somente o meu trabalho seja reconhecido, mas de todos envolvidos dentro do clube. Dessa forma, a chance de dar certo é muito grande. Eu coloquei isso dentro de mim e levo até o último dia da minha vida.
 
Como é pra você comandar pela primeira vez um grande clube do futebol brasileiro?
Estar em um clube grande é um fato natural, pois aonde eu vinha passando estava conseguindo fazer um bom trabalho. Tive o contato do Atlético, pensei um pouco antes e não aceitei de imediato por estar vindo como um coordenador de base, mas para mim era uma porta aberta para ter uma oportunidade maior. Não pensava em ser técnico do profissional, mas, de repente, fazer parte de uma comissão técnica e aprender um pouco mais do clube. Abracei, não foi fácil, e quando tive o convite de assumir o profissional me sentia já preparado pelos nove anos que tinha como treinador de clubes profissionais.
 
É muito distante a realidade de um Galo para uma URT, por exemplo?
Aqui é outra estrutura, outra realidade, com relação a análise de desempenho, que eu sempre gostei e coloquei em prática no interior. Isso até com muita dificuldade, pois precisei mostrar para as pessoas que o futebol evoluiu e as informações a mais dos adversários são fundamentais para não ser surpreendido em variações táticas do adversário. É preciso fazer com que os atletas, dentro de campo, saibam o que devem fazer com e sem a posse de bola, e a mesma coisa em relação ao adversário. Neste quesito, os clubes grandes estão realmente muito a frente.
 
Podemos citar vários treinadores da Série A que ainda são muito jovens como você. Isso é uma tendência cada vez mais forte dentro do futebol?
Isso é uma tendência que nem digo somente de ter treinadores mais jovens, mesmo porque muitos treinadores mais experientes estão parando e resolveram tirar um pouco o pé. Vejo que o Brasil é muito grande e tem espaço para todos, pois existe uma rotatividade enorme de treinadores. Tudo muda muito em relação ao tipo de competição. Tem treinador que se dá melhor em pontos corridos, tem outros que é muito forte em tirar o time de zona de rebaixamento ou qualquer outro momento de pressão. Tem treinadores que têm uma postura mais ofensiva, outros com equilíbrio maior entre os dois setores, e outros com um futebol mais reativo à base de contra-ataques. É uma tendência natural essa renovação e quem trabalhar melhor vai ter maior tempo de casa e permanecer mais nos clubes.
 
Você conhece muito bem o futebol mineiro. O que pode dizer dessa competição?
O Campeonato Mineiro é uma competição difícil. Todo ano tem um time que surpreende vindo do interior e sempre lançando algum jogador para o cenário nacional. Nunca a gente sabe quem vai surpreende ou quem vai cair. Realmente, o interior traz muitas surpresas.
 
E sobre o Uberlândia Esporte, o qual enfrentou em muitas ocasiões?
O Uberlândia, no meu ponto de vista, está em uma cidade espetacular, uma potência que é grande e vai crescer ainda mais. Tem grande potencial de investimento, muito perto de São Paulo. O Verdão tem uma torcida fanática, que acompanha e que apoia, tem um estádio maravilhoso e que é um convite a jogar futebol, uma estrutura e um CT que poucos clubes no país têm. Resumindo, o Uberlândia Esporte tem um potencial que não pode estar jogando as últimas divisões nacionais. Existem muitos clubes que não têm um terço das condições do Uberlândia e hoje estão figurando em divisões melhores. Hoje, no mínimo, o Uberlândia tem de estar numa Série C, mas tem condições de estar tranquilamente na Série B.
 
Você quase subiu por duas vezes a URT da Série D para a Série C do Brasileiro, mesmo praticamente sem orçamento. O que pode dizer sobre esta competição?
Fazemos votos para que as equipes do interior consigam investir um pouco mais no segundo semestre, e que montem esquipes fortes no Estadual para manter o mesmo elenco para a Série D. Dessa forma, as chances de acesso são maiores. Os  dois anos que estive na URT tivemos uma equipe no Mineiro e outra na Série D. Mesmo assim chegamos muito perto do acesso e fomos eliminados por equipes que subiram, e nas duas ocasiões nas disputas de pênaltis. Como último exemplo, neste ano, podemos citar o Ituano (SP), que manteve a equipe do Paulista e na Série D acabou subindo até com certa facilidade.


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