23/07/2019 às 08h07min - Atualizada em 23/07/2019 às 08h07min

Estratégia da Disney faz "Ultimato" bater "Avatar"

Estúdio ampliou circuito do filme, cujo faturamento chegou a US$2,79 bilhões

FOLHAPRESS
"Vingadores: Ultimato" agora é o filme com maior bilheteria de todos os tempos | Foto: Divulgação

Todo ano a luta é a mesma. Estúdios de Hollywood posicionam suas peças (ou filmes) em busca de conquistar a maior fatia do bolo representado pelas bilheterias americanas. Mas a gulodice da Disney em 2019 não tem precedentes. Nos últimos 20 anos, nunca se viu um domínio tão grande de uma empresa cinematográfica em relação a suas rivais.

Principal símbolo desta supremacia, "Vingadores: Ultimato", dos irmãos Joe e Anthony Russo, tornou-se neste fim de semana a maior bilheteria do mundo em números absolutos, alcançando US$ 2,790 bilhões e deixando para trás "Avatar" (2009), de James Cameron, recordista anterior com US$ 2,789 bilhões.

Até 14 de julho, mais de um terço dos ingressos vendidos nas bilheterias americanas foram para filmes da Disney. Para ser mais preciso, 34,9% ou US$ 2,1 bilhões de arrecadação. Quem mais se aproxima disso é a Warner, numa distante vice-liderança, com 14,4% (US$ 894,3 milhões). E tudo isso a Disney fez com apenas seis filmes, três a menos que a Warner.

Nestes números não estão computados ainda os dados desta semana, quando "O Rei Leão" estreou absoluto, com US$ 185 milhões –após uma decepcionante première no mercado chinês. Para efeito de comparação, de 2000 a 2014, nenhum estúdio havia conquistado 20% do bolo da bilheteria anual. Essa barreira só foi quebrada em 2015, quando a Universal chegou a 21,3%, graças aos sucessos de "Jurassic World", "Velozes e Furiosos 7" e "Minions".

Desde 2016, no entanto, quem dá as cartas é a Disney, mas seu melhor desempenho percentual foi com 26,3%, em 2016. Passar de 30% parecia quase impossível. Parecia. Para chegar ao novo recorde, o estratagema foi tão baixo quanto o de um vilão da Marvel. Após uma estreia avassaladora, "Ultimato" já estava em declínio nas bilheterias e não alcançaria a marca. Foi quando algum sabichão da Disney resolveu aumentar o circuito do filme com a desculpa de colocar em cartaz uma versão ampliada.

Na verdade, eram seis minutos a mais completamente dispensáveis: uma introdução do diretor, uma homenagem a Stan Lee, uma cena com Hulk não finalizada e outra pós-crédito, fazendo um link com "Homem-Aranha: Longe de Casa", também em cartaz.

Com isso, o filme ganhou mais de mil salas nos Estados Unidos, e fôlego novo em vários países, incluindo o Brasil. E voilà: novo recorde. Aliás, os brasileiros fãs de "Ultimato" podem se orgulhar do novo recorde. O longa arrecadou por aqui cifra proporcional a US$ 85,4 milhões e ficou entre os cinco países em que o filme mais faturou –atrás apenas de Coreia do Sul (US$ 105,1 milhões), Reino Unido (US$ 114,8 milhões) e China (US$ 614,3 milhões), além, claro, dos Estados Unidos. "Ultimato", porém, está longe de ser uma andorinha isolada no horizonte do verão da Disney.

Em 2019, o estúdio fez poucos e certeiros lançamentos, com quase nada que possa ser chamado de original. Em março, "Capitã Marvel" se encarregou de fazer a ponte entre os dois "Vingadores". Resultado? Maior bilheteria do mês. Em abril quem reinou foi o próprio "Ultimato".

A partir de maio, quem dá as cartas são os queridos personagens de animação do estúdio de Mickey Mouse, em suas mais diversas variações. Primeiro, veio o "live action" de "Aladdin"; no mês seguinte, mais uma aventura, a quarta, com a turma em computação de "Toy Story 4". Agora, os animais de "O Rei Leão" ganham uma versão realista.

Os únicos meses em que a Disney não foi soberana foram justamente os que ela não disputou a bilheteria, no início do ano, período normalmente de números mais fracos, que costuma promover os filmes do Oscar e abre espaço para sucessos moderados. Foi assim com "Vidro" (janeiro) e "Como Treinar Seu Dragão 3" (fevereiro), ambos da Universal.
E, sim, apareceu um desafiante para tentar destronar "O Rei Leão" em julho: "Homem Aranha: Longe de Casa", que, por acaso, é uma produção da Marvel (braço da Disney), mas tem distribuição da concorrente Sony. O filme é parte de um acordo para liberar o herói aracnídeo, há décadas pertencente à Sony, para as aventuras dos "Vingadores".

Os grandes lançamentos e sequências são tão massacrantes que há espaço até para pequenos deslizes, como o "fracasso" de "Dumbo", de Tim Burton, que arrecadou US$ 114,6 milhões, menos do que os US$ 170 milhões do custo da produção. O fato passou despercebido entre uma "Capitã Marvel" e um "Ultimato".

No segundo semestre, o número de produções bombásticas da empresa deve diminuir. As atenções do grupo devem se voltar ao lançamento da Disney+, plataforma de streaming que chega em novembro para disputar um outro bolo com a Netflix –outra que gosta de comer mais de uma fatia.

Mas em 22 de novembro o cinema volta com tudo, com a estreia americana de "Frozen 2" (aqui só no ano que vem); o original é a maior bilheteria de uma animação da Disney no mundo. E 20 de dezembro é a vez de um tal de "Star Wars: A Ascensão Skywalker". Difícil acreditar que algum "Avatar" da vida vá aparecer para encará-lo. A propósito, "Avatar" tem quatro sequências em pré-produção pela Fox –estúdio que foi comprado pela Disney.


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