05/07/2019 às 07h59min - Atualizada em 05/07/2019 às 07h59min

Uberlândia recebe show de Marcelo Bonfá & Dado Villa Lobos e Humberto Gessinger

Depois de emocionar os fãs da Legião Urbana, na turnê dos 30 anos, banda retorna com dois clássicos

ADREANA OLIVEIRA
O baterista Marcelo Bonfá e o guitarrista Dado Villa Lobos, remanescentes da Legião Urbana, voltam a Uberlândia celebrando os álbuns “Dois” e “Que país é este?" | Foto: Divulgação

O guitarrista Dado Villa Lobos atende a reportagem do Diário de Uberlândia numa tarde de terça-feira por telefone. No Rio de Janeiro, ele divide seu tempo entre o estúdio onde produz trilhas sonoras, a vida em família e os ajustes para os shows da Legião Urbana que tiveram início no ano passado e está rodando o país. Há pouco mais de três anos ele e o baterista Marcelo Bonfá estiveram na cidade para a turnê “Legião XXX”, que marcou as três décadas da Legião Urbana, banda que para muitos, inclusive essa repórter, é uma das - se não a melhor - banda de rock surgida em solo brasileiro que canta em português.

Ao lado dos músicos André Frateschi (vocal), Lucas Vasconcellos (guitarra e violão), Mauro Berman (baixo) e Roberto Pollo (teclados e direção do espetáculo) os dois legionários voltam a Uberlândia neste sábado (6), no Castelli Master. A turnê celebra dois belos álbuns da Legião: “Dois” (1987) e “Que país é este?” (1978-1987). “É um grande show de rock”, resume Dado.

“Esses shows têm sido tão incríveis. Como começamos isso há três anos vejo que com essa turnê fechamos a primeira trilogia da Legião em Brasília, prestes a mudar para o Rio de Janeiro. Tocamos os dois discos na íntegra, mas não na sequência, formamos blocos que mantém uma dinâmica interessante”, adiantou Dado.

Para o guitarrista, revisitar a história da Legião ainda com o compositor e vocalista Renato Russo (1960-1996) e do baixista Renato Rocha, o Negrete, (1961-2015) precisava de algo mais além do repertório dos dois discos. Por isso, o bis traz outras canções tão significativas agora quanto para a época em que foram compostas.

“São duas horas de muita emoção, em que muita coisa acontece. Estamos ali, com o público,a verdadeira Legião, relembrando e celebrando uma obra que tem força até hoje. A partida precoce do Renato ainda é sentida e por ele e por Renato Rocha é preciso festejar a Legião e seu legado”, disse o guitarrista.

Nas apresentações iniciadas em 2015 Dado percebe o aumento de crianças nos shows, que vão acompanhando os pais, que mantém as músicas da Legião vivas passando para a prole. “As crianças nos escrevem cartas, querem fazer fotos com a gente e é muito bacana ver nosso público se renovar desse jeito. É bom ver que a Legião ainda chega às pessoas com a força da nossa música”, comentou o músico.

A Legião passou pela fita K7, vinil, CD, está agora nas plataformas digitais. Compôs as músicas de “Dois”, como Renato Russo costumava dizer, com a tal pressão do segundo disco depois da estreia avassaladora com “Legião Urbana” (1986).

Para Dado foi um grande desafio quando entraram no estúdio para sair com algo no nível ou melhor que o álbum de estreia. “No estúdio eu, o Bonfá, o Renato e o Negrete pensamos que caminho queríamos seguir. ‘Quase sem querer’ foi o start para perceber que estávamos realmente muito além do primeiro disco. Em “Andrea Doria” há toda aquela complexidade e beleza das letras do Renato e sua forma espetacular de ver o mundo. Finalizar com ‘Índios’, que seria instrumental e teve a letra escrita no estúdio pelo Renato foi algo arrebatador”, recorda Dado.

Em “Que país é este?” a banda resolver registrar músicas compostas para a banda Aborto Elétrico e canções que Renato cantava sozinho ao violão quando abria shows da Plebe Rude ou Capital Inicial. Duas composições foram feitas exclusivamente para o disco, “Angra dos Reiss” e “Faroeste Caboclo”. “’Faroeste’ foi cantada do Oiapoque ao Chuí e veja onde estamos hoje. É uma música muito rica em traduzir o Brasil urbano e o Brasil rural, a violência, as milícias”.

“Lá atrás estávamos em um processo de redemocratização e a gente vivia em Brasília. No apagar das luzes da ditadura era obrigatório lutar por liberdade de informação, de comunicação e pela quebra da censura. Havia muitos motivos para os jovens se posicionarem e mais de 30 anos depois não somos mais tão jovens, mas continuamos nos posicionando no momento que tocamos essas músicas por duas horas. O recado está sendo passado adiante. Fechar um espetáculo com ‘Perfeição’ é muito forte num momento em que percebemos que o Brasil passa por um momento de retrocesso”, comentou Dado quando questionado sobre se atualmente é mais difícil para os artistas se posicionarem politicamente por conta da intolerância que substitui o diálogo.

Em “Perfeição”, do disco “O Descobrimento do Brasil” (1993), Renato escreveu: “vamos celebrar a estupidez humana, a estupidez de todas as nações, o meu país e sua corja de assassinos, covardes, estupradores e ladrões”.

“O Brasil vive num ciclo vicioso e nunca passei por algo semelhante. Em um certo momento tive que me posicionar, como no segundo turno das eleições para presidente no ano passado. Entre um professor e um capitão escolhi o professor e muitas pessoas não entendem isso e vira uma fúria, uma verborragia estúpida, falta de respeito. Respeito a posição do antagonismo todo, até que faz sentido, tem motivo para isso estar acontecendo e aos 50 e tantos anos, não sou mais tão jovem mas ainda observo, canto e tiro minhas próprias conclusões. É preciso sensibilidade para resistir”, disse Dado, que trabalha atualmente na trilha sonora de um documentário que fala sobre a educação na República, um filme de João Jardim.

Sobre novas turnês com a Legião XXX, Dado reconhece que dá vontade de fazer uma para cada disco. “O único que não faremos é ‘Tempestade’ porque tem muita tristeza ali”.

GESSINGER
O show de Dado e Bonfá é atração do Uberlândia Music que contará ainda, na noite de sábado, com show de Humberto Gessinger. O vocalista e baixista do Engenheiros do Hawaii encerra aqui sua turnê do DVD “Ao vivo pra caramba” (Deck), registro da turnê “Desde Aquele Dia – A Revolta dos Dândis 30 anos” gravado em agosto de 2017 em Porto Alegre, que conta ainda com um set acústico com quatro canções inéditas.

No show o multi-instrumentista, cantor e escritor gaúcho apresenta algumas músicas do disco “A Revolta dos Dândis” (que completou 30 anos em 2017), além de composições de diversas fases de sua carreira, com destaque para as canções inéditas “Pra Caramba”, “Cadê?”, “Das Tripas Coração” e “Saudade Zero”.

No palco, Gessinger (vocal, baixo, harmônicas, sintetizador, guitarra, viola caipira e piano) estará acompanhado por Rafa Bisogno (bateria, percussão, bateria eletrônica e voz) e Felipe Rotta (guitarra, violão, bandolim e voz), que o acompanham também no DVD.
 
SERVIÇO
O QUE: Uberlândia Music
SHOWS: Dado Villa Lobos & Marcelo Bonfá tocam os álbuns "Dois" e "Que País é Esse" da Legião Urbana + Humberto Gessinger
QUANDO: sábado (6), abertura dos portões às 19h
LOCAL: Castelli Master
INGRESSOS: de R$ 60 a R$ 220 à venda pelo site oquevemporai.com (com taxa de conveniência) e nas lojas Fox Club (Center Shopping, Uberlândia Shopping e Pratic Shopping) – meia entrada solidária para quem doar 1kg de alimento não perecível
CLASSIFICAÇÃO: 16 anos
INFORMAÇÕES: 99289-8039
 


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