04/06/2019 às 14h02min - Atualizada em 04/06/2019 às 14h02min

Doenças cardiovasculares são responsáveis por 80% das mortes de pacientes com diabetes

Pesquisa realizada com mais de 12 mil pacientes em 133 países amplia olhar e mostra que o coração está mais perto da doença do que se imagina

DA REDAÇÃO
Muito mais que amputação, cegueira ou complicações renais. Dos mais de 400 milhões de casos de diabetes no mundo, 90% apresentam ao menos um fator de risco cardiovascular. Ainda mais sério é o dado de que 80% das mortes de pacientes com diabetes estão relacionadas às doenças cardiovasculares. Os números são da Federação Internacional de Diabetes (IDF), que amplia o olhar sobre o assunto e mostra que o coração pode estar passando despercebido por médicos e pacientes. 
 
De acordo com o levantamento, os problemas ligados ao coração lideram as causas de mortes e incapacidade entre pessoas com diabetes tipo 2. Esse é o mais comum da doença e que aumenta em até quatro vezes a propensão a ataques cardíacos ou Acidente Vascular Cerebral (AVC). Mesmo diante desses números, a pesquisa sugere que o assunto ainda é desconhecido por pacientes e pouco difundido nos consultórios.
 
No Brasil, mais de 12 milhões de pessoas têm diabetes. Na última década, houve um aumento de mais de 61,8% nos casos registrados pelo Ministério da Saúde, fazendo com que os brasileiros figurem na lista daqueles que mais sofrem com a doença no mundo. 
 
O número de óbitos por diabetes, por sua vez, saltou de 54.877 para 61.398 mortes por ano, no período entre 2010 e 2016. Houve um aumento de 11,8% de acordo com os últimos dados disponíveis pelo Ministério da Saúde.
 
PESQUISA 
Para entender melhor essa questão global de saúde, a pesquisa do IDF consultou mais de 12 mil pacientes em 133 países. Destes, 600 brasileiros que vivem com a doença foram ouvidos, sendo 37% homens e 63% mulheres, entre 20 e 79 anos.
 
Entre todos os entrevistados brasileiros, 18% nunca tiveram conhecimento sobre os possíveis riscos da doença para o coração e 23% sequer lembram de ter comentado a respeito com seus médicos. A falta de informações durante o tratamento é um dos grandes desafios para estabelecer uma nova realidade no controle do diabetes, segundo o médico cardiologista José Francisco Kerr Saraiva.
 
"Aprendemos muito sobre a importância do controle da glicemia para evitar a progressão das doenças cardiovasculares e outras complicações relacionadas ao diabetes. No entanto, percebemos que isso não é suficiente. É preciso falar sobre o combate ao excesso de peso, a pressão arterial e o colesterol elevados, que inicia por mudanças no estilo de vida. Com todas essas medidas somadas, podemos diminuir em até 80% a chance de um paciente vir a ter um problema ligado ao coração", ressaltou.
 
A pesquisa do IDF ainda revelou que 63% dos entrevistados brasileiros apresentavam múltiplos fatores de risco para doenças cardiovasculares e/ou já tinham sofrido algum evento cardiovascular. Além disso, embora 88% dissessem confiar em seus médicos durante o tratamento, quase 70% gostariam de mais informações sobre o assunto. 
  
EPIDEMIA GLOBAL
Em toda a América Latina, os números mostram que o diabetes já atinge 28 milhões de pessoas. No Brasil, uma a cada 12 pessoas adultas vive com a doença.
 
Nos Estados Unidos, a situação é ainda pior: a cada 80 segundos, um adulto com diabetes é hospitalizado por conta de problemas no coração. Numa pesquisa com pacientes norte-americanos de 45 anos com diabetes tipo 2, apenas metade reconheceu seus riscos ou já falou sobre eles com seus médicos.

DIABETES
Caracterizado pelo aumento dos níveis de açúcar no sangue, a diabetes é uma doença crônica que se caracteriza pela incapacidade de produzir insulina – hormônio essencial para o controle da glicose – ou por uma disfunção que impede o organismo de usar a substância de forma adequada.
 
É o caso do diabetes tipo 2, o mais comum, com prevalência de quase 9% da população apenas no território brasileiro. Essa resistência provoca alterações na estrutura vascular e no sistema nervoso, prejudicando o controle da frequência cardíaca e da pressão arterial.
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