14/05/2019 às 07h52min - Atualizada em 14/05/2019 às 07h52min

Um detetive que agrada diferentes gerações

"Pokemón: Detetive Pikachu" está nas salas de cinema de Uberlândia

BRUNO MOLINERO | FOLHAPRESS
Pikachu durante investigação no longa (Divulgação)
"Pokémon: Detetive Pikachu" é desses filmes que exibem mais do que é possível ver na tela do cinema. Por baixo da trama sobre a amizade de um Pikachu com um jovem órfão, o longa, em cartaz no Brasil, mostra caminhos para concretizar o que sempre pareceu um desafio intransponível: transformar os monstrinhos japoneses em uma franquia de sucesso também no cinema, algo parecido com o que a Marvel conseguiu fazer com seus super-heróis.

Convenhamos que a série tem tudo para fazer isso -base consolidada de fãs, universo original, personagens carismáticos e bons números em diferentes plataformas, como os animes e os games (neste último caso, como esquecer "Pokémon Go", febre mundial lançada em 2016 e que ainda faz pessoas acordarem até de madrugada para capturar os bichos mais raros com a ajuda do celular?).

O fato é que faltava mostrar todo esse vigor no cinema, lacuna que "Detetive Pikachu" tenta preencher. No longa dirigido por Rob Letterman ("As Viagens de Gulliver", "O Espanta Tubarões"), o jovem Tim Goodman passa a investigar a morte do pai, que trabalhava como policial em uma cidade onde pokémon e humanos convivem em harmonia e sem maiores confusões.

É quando entra em cena o ponto alto do filme: o Pikachu de bonezinho à Sherlock Holmes, que ajuda o filho órfão nessa missão e mostra que, misteriosamente, eles conseguem falar um com o outro. Não só falar. A criatura elétrica tagarela pelos cotovelos, tem comportamento acelerado e é viciada em cafeína -um psiquiatra certamente diagnosticaria o bicho com hiperatividade após uma rápida consulta.

Dublado por Ryan Reynolds ("Deadpool"), o personagem é a válvula cômica do longa, com capacidade de arrancar risadas não apenas de quem conhece o universo da franquia, mas também dos pais e tios que estão apenas acompanhando os filhos ou sobrinhos no cinema.

Isso porque a produção resolveu fazer um recorte bem claro no público-alvo. Em pouco mais de uma hora e meia, fica evidente em cada segundo que a ideia é encantar mais as crianças do que os trintões que jogaram "Pokémon Red & Blue" no Game Boy e assistiram ao desenho no programa da Eliana no fim dos anos 1990.

Para esse grupo de fãs antigos, o filme entrega uma avalanche de Bulbasauro, Mr. Mime, Psyduck, Charizard, Jigglypuff e outros tantos pokémon cujos nomes só foram decorados por quem já teve um pôster com todos eles grudado na porta do quarto.

Mas todo o resto é das crianças. A narrativa não é nada complexa e, embora o pano de fundo seja a investigação de uma morte, as pistas pouco mudam o desenrolar dos fatos e não é criado nenhum clima de suspense. Mesmo a reviravolta no fim da história já é mais ou menos esperada, quase rocambolesca.

Mesmo assim, "Detetive Pikachu" aponta um caminho. Ao basear seu roteiro em um jogo de Nintendo 3DS, no qual o personagem de fato fala e se entope de café, e mandar às favas o universo do anime, o longa mostra que cinema e desenho animado não precisam caminhar de mãos dadas. Aliás, é justamente na ousadia e na fuga do script que nascem as melhores cenas.

Além disso, a produção confirma que é possível criar uma narrativa em que atores contracenam com pokémon criados digitalmente, realizando o sonho de quem sempre sonhou em ver esse universo ganhar vida e conquistando novos públicos, principalmente os mais novos. Tudo isso besuntado de piadinhas e sacadas engraçadas que estão na moda nos blockbusters hoje. "Detetive Pikachu" não é o filme definitivo da franquia "Pokémon". Mas mostra um caminho que pode ser promissor.

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