19/04/2019 às 09h27min - Atualizada em 19/04/2019 às 09h27min

Encenação da Paixão de Cristo na catedral é a mais tradicional de Uberlândia

Encenação que acontece nesta sexta-feira (19) em frente à catedral Santa Teresinha na Praça Tubal Vilela

ADREANA OLIVEIRA
Bispo diocesano Dom Paulo Francisco Machado | Foto: Diário de Uberlândia
Com a serenidade de quem acaba de celebrar a Missa da Benção dos Santos Olhos para centenas de pessoas na Catedral de Santa Teresinha, em Uberlândia, o bispo diocesano Dom Paulo Francisco Machado recebe o Diário de Uberlândia.

“Estamos nos três dias mais marcantes de nossa liturigia. Alguns pensadores cristãos dizem que Quinta-feira Satna, Sexta-feira Santa e Sábado Santo são um dia só”, diz ele a respeito dos dias que antecedem a Páscoa, que celebra uma vida nova.


 


Ele explica que nesses momentos de louvor, agradecimento e pedido de perdão se reconhece que o Criador se inclina diante da criatura. “Ele nos entrega a eucaristia e nos ensina que a maior alegria é amar os outros. Se não vivemos isso no nosso dia a dia eu não sei. Quando isso acontece pode ser uma fraqueza”, disse.

Dom Paulo explica que ao se entregar, ao se permitir pregar na cruz, Jesus transformou o que era símbolo de de fracasso, de abandono, de maldição, em sinal de benção. “Ele assumiu nossa humanidade”.

Hoje, a partir das 18h esta história volta a ser encenada diante da Catedral em uma apresentação que já faz parte do calendário litúrgico da cidade há mais de 15 anos, a Encenação da Paixão de Cristo.

“Se fizermos uma pesquisa veremos que a religião produziu as melhores obras de arte de todos os tempos, seja no teatro, na pintura,  nas esculturas, na poesia. Não entenda poesia como uma fuga da realidade. Teólogos como Santo Agostinho e Santo Tomás eram grandes poetas que conseguiam ver o belo no cotidiano e transformaram-no em poesia litúrgica”, explicou.

Impossível não vir à tona durante a conversa o incêndio na Catedral de Notre Dame, em Paris, no último dia 15. “A capela em si é uma obra de arte em estilo gótico, tipicamente medieval e nesse tipo de construção as torres existem para levar as pessoas para Deus. Pelo menos percebemos uma comoção mundial e movimentos concretos que devem levar à restauração desse grande bem da humanidade”, comentou Dom Paulo.
 
TRADIÇÃO
Encenação Paixão de Cristo

Encenação Paixão de Cristo


Flávio Arciole há mais de uma década está na direção do espetáculo da Catedral | Foto: Diário de Uberlândia

O ator e cantor lírico Flávio Arciole é novamente o diretor da Encenação da Paixão de Cristo da Catedral Santa Terezinha. Esse é o 13º ano do projeto sob sua responsabilidade, porém, o diretor artístico afirma que um trabalho como esse só é bem feito de forma coletiva.

“É o espetáculo mais representado em todo o mundo. Neste ano teremos entre 50 e 60 atores profissionais no palco. Temos ainda a presença do Grupo de Jovens e neste ano os acólitos que auxiliam nas missas representarão os apóstolos”, disse Arciole.

A participação da comunidade é fundamental, assim como da classe artística. Neste ano há atores da Trupe de Truões, a Escola Livre do Grupontapé de Teatro e atores independentes de Uberlândia que têm trabalhado intensamente nos ensaios e será, novamente, um grande espetáculo”, afirmou o diretor, que também é responsável pelo figurino da produção.

Além de Uberlândia, texto dessa encenação que Arciole produz já foram cedidos para outras igrejas de Uberlândia e para uma em Itumbiara (GO).

Todos os anos, milhares de pessoas se reúnem na praça Tubal Vilela e na rua Duque de Caxias para acompanhar a montagem. O palco já está montado.

Recomenda-se chegar um pouco mais cedo para conseguir um bom lugar e também usar transporte público, dessa forma, não é preciso se preocupar com estacionamento, que deve ser difícil nas imediações.

SERVIÇO
O QUE: Encenação da Paixão de Cristo
QUANDO: hoje, às 18h
ONDE: Em frente à Catedral Santa Teresinha (Praça Tubal Vilela, s/n)
CLASSIFICAÇÃO: livre

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